Há posições de jogadores que se caracterizam com risco de conclusões definitivas sobre a capacidade deles quando integram categorias de base, ou até mesmo os primeiros anos de profissionalismo, sujeitos a correções de defeitos e futuro recomendável.
Quando integrava as categorias de base do Inter (RS), o volante Mineiro, franzino e 1,69m de altura, foi dispensado.
Ignoraram a rapidez dele para desarmes, raramente recorrendo às faltas, e coube ao Rio Branco de Americana dar-lhe nova chance, também na base e com posterior profissionalização.
Contratado pelo Guarani, também houve reparo na condição técnica dele, que foi perdendo espaço no clube.
VOLTA POR CIMA NA PONTE PRETA
O obstinado Mineiro acreditou que ainda poderia prosperar no futebol quando a Ponte Preta abriu-lhe as portas, para prosseguir na carreira.
Intensificou os trabalhos para correção de defeitos nos passes, a capacidade de desarme foi ampliada, e passou a ser um dos destaques da equipe nos cinco anos de clube, a partir de 1997.
O caso de Mineiro recomenda que outros volantes podem ter melhoria de condição técnica, assim como laterais e atacantes de beirada que se aplicarem.
RECOMPENSA COM TÍTULOS
Assim, Mineiro começou a colecionar títulos a partir do Paulistão de 2004, pelo São Caetano.
O ápice da carreira ocorreu no São Paulo, na temporada seguinte, com conquistas de Libertadores e Mundial de Clubes da Fifa, ocasião que marcou o gol da vitória sobre o Liverpool da Inglaterra, por 1 a 0.
SELEÇÃO E EUROPA
Na Seleção Brasileira ele participou de 2001 a 2008, integrando o grupo na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha.
Na Europa, passagens por Hertha Berlim, Chelsea, Schalke 04 e Tus Koblens, clube que marcou o encerramento da carreira em 2012, para, em seguida, optar por fixar residência na Alemanha, em Gelsenkirchen, com esposa e dois filhos.
Lá, usando o nome de registro como Carlos Luciano da Silva, decidiu abrir a empresa de consultoria (MNR Sports & Integration), para auxiliar na adaptação de novos atletas brasileiros no futebol alemão, e se diz devidamente adaptado.
MINEIRO NÃO: ELE É GAÚCHO
Quem nasce em Porto Alegre é gaúcho, correto?
Só que a história de Mineiro tem uma singularidade.
Quando, em companhia de um irmão, integrava as categorias de base do Inter (RS), ganhou o apelido de Mineirinho, devido à semelhança do rosto do irmão com o ex-lateral-esquerdo Cláudio Mineiro.
De Mineirinho passaram a chamá-lo de Mineiro, e assim ficou.