Nos tempos áureos do futebol amador de Campinas, na década de 80 do século passado, campos como o do Cruzeiro – na região do distrito Ouro Verde -, Parque Brasília e principalmente a Praça de Esportes do São Bernardo recebiam público satisfatório.
Na ocasião, raramente via-se a presença inferior a 200 pessoas nos citados locais, com variações por vezes acima de 300 espectadores.
APENAS 352 PESSOAS
Cerca de 40 anos se passaram e a Ponte Preta entra para a história com o público pagante de 352 torcedores, na derrota para o Juventude por 2 a 0, na noite da última terça-feira, no Estádio Ítalo Mário Limonge, em Indaiatuba.
A renda de R$ 12.630 provocou um prejuízo de R$ 61.176,26.
E saber que em agosto de 1970, quando o Santos de Pelé veio jogar no Estádio Moisés Lucarelli, o público anunciado de 28.992 pagantes e 4.236 menores não correspondeu à realidade.
Aquele ‘mar de gente’ aglomerada nos portões principais provocou uma situação surreal: porteiros e roletas foram ‘atropelados’, e na base do empurra-empurra as pessoas ficaram se espremendo e entrando.
MULTIDÃO FLUTUOU
Há quatro metros da entrada dos citados portões, eu e uma multidão flutuamos literalmente.
Ao levantar um dos pés do chão, como recolocá-lo para o passo a passo?
Ele se espremia em canelas de outros, e o mesmo ocorria quando o outro pé saía do chão.
Logo, com dois pés flutuando literalmente, o momento de pânico foi inevitável.
O jeito foi entregar a vida a Deus, pois sabe-se lá aquilo que poderia ocorrer naquele espreme-espreme.
DOUGLAS MARCOU GOL DE CARA
Naquela tarde estranha, até o gol da vitória do Santos por 1 a 0 foi de ‘cara’, através do centroavante Douglas.
Com arbitragem de José Favile Neto, o time pontepretano, do saudoso treinador Cilinho, era esse: Wilson Quiqueto; Nelson Baptista, Samuel, Araújo e Santos; Teodoro e Roberto Pinto; Alan, Dicá, Manfrini e Adílson Preguinho.
Pois 56 anos se passaram e a Ponte Preta, como mandante do jogo diante do Juventude, colocou 352 pessoas no estádio, e ainda com ajuda de algumas dezenas vindas de Caxias do Sul, interior gaúcho.
Paradoxalmente, dos casos citados, uma situação contrastante em todos os sentidos.
Naquela época, a Ponte Preta contava com equipe respeitável e o seu estádio sempre recebia grande público.
Hoje, de péssima administração e péssima qualidade do elenco, é natural o torcedor se afugentar e os resultados desastrosos só se multiplicam.