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Trinta anos sem Brasil de Oliveira, que ensinava como se comenta futebol

  • 10/09/2026

Como tenho citado de forma recorrente respeitáveis analistas de futebol do passado de Campinas, veio a lembrança deste dez de setembro, data que marca o 30º ano da morte do jornalista Brasil de Oliveira, o Brasa.

Apesar de todo jeito de sexagenário, ele morreu aos 46 anos de idade, mas contava histórias do futebol com riqueza de detalhes.

Imaginem se o ‘velho Brasa’ deixaria de citar nominalmente Marco Eberlin, diretor de futebol da Ponte Preta, como o responsável direto pela degradação que transformou o clube.

INCOMPARÁVEL

Cabe recapitular texto que publiquei há seis anos, quando citei a singularidade dele no jornalismo esportivo de Campinas, incomparável no segmento.

Na ocasião, lembrei do evangelho de João, da Bíblia Sagrada, no capítulo 17 e versículo 16, em sermão de Jesus Cristo: ‘Vivo no mundo, mas não sou do mundo’.

Na doutrina dos evangélicos pentecostais do passado, isso significava que membros daquelas comunidades deveriam ficar alheios às coisas materiais e terem apego apenas às espirituais.

CATÓLICO

Brasil Oliveira foi um católico praticante, devoto de Nossa Senhora Aparecida, todavia pode-se dizer que vivia no mundo, mas parecia um ser de outro mundo.

Por quê? Ora, você conhece alguém lúcido, sábio e comunicativo ser totalmente desprendido de bens patrimoniais?

ROUPA DO CORPO

Difícil, mas o Brasa era assim. E testemunhou isso no ar, na antiga Rádio Educadora de Campinas, um dos veículos de comunicação que trabalhou:

“Meu patrimônio se resume a algumas anotações telefônicas, alguns livros e a roupa do corpo”.

Automóvel? Nem pensar. Quanto tinha dinheiro esbanjava, ao se transportar de táxi.

‘Durango’, como ocorria na maioria das vezes, usava ônibus ou apelava aos amigos para a carona.

Brasa era capaz de interromper o sono de amigo durante a madrugada.

PAPO FURADO

Assunto sério? Que nada. O telefonema, invariavelmente, era para ‘papo furado’.

E seus amigos entendiam que ele ficava atordoado com a solidão e o perdoavam.

Pronto, a humildade parava aí. Quando a discussão com amigos ou companheiros de trabalho se restringia ao seu ofício, o jornalismo esportivo, no alto de sua arrogância, dizia que estava anos luz à frente dos jornalistas esportivos. “Só João Saldanha sabia mais que eu”, vangloriava-se.

INFORMANTES

A rede de informantes dele se estendia de Norte a Sul do País. ‘Tomava’ literalmente uma linha telefônica da sucursal da Agência Estado, em Campinas, e nem se importava com o zunido.

Brasa era singular. Da mesma forma que contava cativantes histórias em botequim, se expressava no rádio. E no bar, antes mesmo de ser diagnosticado paciente cardíaco, detestava bebida alcoólica.

Era um boêmio que varava madrugadas bebendo água Lindoya ou Coca-Cola.

Claro que também se empanturrava com guloseimas, contrariando prescrição alimentar de seu cardiologista.

Seu ponto de encontro preferido era o Largo do Rosário, área central de Campinas.

E dali para o Éden Bar, em frente, local onde se falava de futebol, política e comportamento humano.

Ali, frequentadores participavam de rodas pra se detectar quem sabia mais, quem tinha o raciocínio mais rápido.

POLÍTICA

Embora politizado, Brasa era avesso às discussões políticas. Provavelmente por conta de resquícios dos tempos de estudante ativista, quando sofreu repressão da Polícia Federal, em São Paulo, no período da ditadura militar.

O bom coração do Brasa espatifou em 1996, prestes a completar 47 anos de idade. E espatifou porque era desproporcional, enorme para comportar a legião de amigos.

CACHORRO MORTO

Como se vê, Brasa era diferente em quase tudo. Ensinava aos seus discípulos que não se deve chutar ‘cachorro morto’.

Alertava que comentarista de futebol tem a obrigação de opinar sobre o perfil do jogador contratado por um clube, ou deve se calar para sempre. “Quem age de forma contrária é oportunista”, dizia.

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Comentário

  • setembro 11, 2026
    João da Teixeira

    O Flamengo passou apertado no 1°tempo com o Del Valle, mas no 2°tempo, reprogramou a rota e fez um belo jogo na altitude de Quito. Fez 0x2 e poderia até ter feito mais. Vem para o Brasil com uma bela vantagem, mas não vai pensando que a classificação está ganha com antecedência, pois não está. O Del Valle é um bom time.

  • setembro 10, 2026
    João da Teixeira

    E tinha favorito, 4×0 para os Diabos, a Rainha de Sabah estreiou e se deu mal. Outro que atropelou foi o Bayern München, 5×0 sobre o Bodø, não esperava tudo isso. Outra estreia foi o time do Como, que jogando em casa foi bem, 4×1 em cima do RB Leipzig. O Slavia Praha e Lens estreiavam em Praga. O Slavia ganhava o jogo, 2×1 dos 88′ até os 90′, qdo o Lens empatou aos 90+1′ e virou o jogo aos 90+3′. Nossa, foi muita adrenalina…

  • setembro 10, 2026
    João da Teixeira

    Estreia do Sabah Klubu, os Black Pinks de Baku, Azerbaijão x Manchester United, os Diabos Vermelhos da cidade de Stretford, na Grande Manchester. No Manchester joga o avante Matheus Cunha da seleção brasileira. Favorito? Nem sei se tem…

  • setembro 10, 2026
    João da Teixeira

    Se hoje faz 30 anos de morte do jornalista esportivo Brasil de Oliveira, hoje tbem morreu outra referência no jornalismo esportivo, Cláudio Carsughi. Uma voz inconfundível com sotaque italiano, comentava como ninguém futebol e automobilismo como bom italiano, depois ítalo-brasileiro. Nascido em Arezzo na Toscana, torcia para a Fiorentina de Firenze, mas no Brasil, torcia para…adivinha? Difícil errar, hein? O Palestra ou Parmera!…Esse eu era fã!

  • setembro 10, 2026
    Carlos Agostinis

    João você não é e nunca foi europizado , você é medalhão igual eu , entende de futebol e não fala asneira , eu incluí nesse grupo aí os mais jovens, que não viram nada do que nos vimos , entender da arte é uma coisa , ser maria vai com as outras é outra …

  • setembro 10, 2026
    João da Teixeira

    Caso não tenham assistido o Curta Metragem A Transmissão do Brasa, ¥
    O curta-metragem A Última Transmissão pode ser assistido de forma digital ou na TV por assinatura através das seguintes opções:
    Plataformas de Streaming no Amazon Prime Video: O filme está disponível no catálogo brasileiro para assinantes. Na Apple TV: A obra também está listada para visualização.

  • setembro 10, 2026
    João da Teixeira

    Errata, corrijam aí, são 5 vitórias do time equatoriano, igual ao Flamengo em seus respectivos Grupos, a diferença é o saldo de gols, onde o Flamengo tem 12 gols e o Del Valle tem 9 gols. Flamengo em 1° na classificação geral dos Grupos, portanto um jogo de final de Libertadores, esse jogo de hoje e o jogo da volta no Maracanã…

  • setembro 10, 2026
    João da Teixeira

    A Libertadores se resumiu a 4 times brasileiros, 2 times argentinos e 2 equatorianos. Já a Sulamericana se resumiu a 4 times brasileiros, 1 colombiano, 1 uruguaio, 1 peruano e 1 argentino. Essa é a nossa América do Sul no futebol. Em outras coisas, é bem pior…

  • setembro 10, 2026
    Carlos Agostinis

    Diga se passagem Ari , não se fazem comentaristas como antes , qualquer meia boca hoje acha que sabe tudo da bola , eu mesmo tenho amigos por aqui que quando começam a falar de futebol eu me calo , só dizem asneiras e são donos da razão , da até nojo …. Tamanho são as bobagens que dizem …. Porém não maioria são todos europisados, não sabem nada de bola e acham que o futebol da Europa é que é bom… Esquecem que ia clubes de lá giram o mundo atrás dos bons jogadores , porque tem dinheiro, jogador nenhum quer ficar aqui, aqui só ficam os rebas, como fazer futebol assim ? Comentar então , virou chove e não molha…

    • setembro 10, 2026
      João da Teixeira

      Se vc quis dizer europeizados e me incluiu saiba, que os grandes jogados da Europa voltaram para suas seleções e se fosse só pelos jogadores, Argentina, Brasil teriam chances de serem campeões. Ocorre que o maior valor no futebol europeu está no esquemas táticos estratégia e lógico, com bons jogadores disciplinados taticamente. Veja, há vários jogadores que vão pra Europa e não entram nos times que o compraram direto, ou vão se educar e se disciplinar, ou voltam para seu país de origem ou vão emprestados para outros times. No mais a mais, gosto de bom futebol, o que aqui no Brasil é raro, futebol enfadonho…

  • setembro 10, 2026
    João da Teixeira

    O Flamengo pega uma pedreira hoje em Quito pela Libertadores, o adversário do Flamengo é o Independiente del Valle, líder isolado do Campeonato Equatoriano, com 22 pontos de vantagem sobre o 2° colocado, o Aucas. O clube tem 23 vitórias em 29 jogos e 70 gols marcados, uma média superior a 2 gols por partida. Na fase de grupos da Libertadores, passou na liderança com 13 pontos (4 vitórias, 1 empate e 1 derrota) e 11 gols marcados. E aí Mengo, vai encarar?

  • setembro 10, 2026
    João da Teixeira

    ‘A Última Transmissão’, filme de curta metragem sobre o adeus de Rodrigo Lagoa, mais conhecido por Brasil de Oliveira, o Brasa. O filme é dirigido pela cineasta Helen Quintans, um curta-metragem sobre folclórico cronista esportivo da cidade de Campinas, que conta a história semificcional do último dia de vida do folclórico jornalista esportivo Brasil de Oliveira (1950-1996), que marcou a história do jornalismo e do rádio esportivo em Campinas. Trata-se de uma homenagem tanto ao personagem quanto à cidade de Campinas e ao futebol do interior de SP. Ari, vc que era fã do Brasa, já assistiu esse curta?

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