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24
ABR
Dagoberto, zagueiro da Ponte no Robertão, morreu há onze anos

Recordar o saudoso quarto-zagueiro Dagoberto, da Ponte Preta, é fazer viagem no tempo de 50 anos, quando do lançamento dele na equipe principal durante o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão, de 1970.

Pois Dagoberto havia barrado Henrique, que até então formava dupla de zaga com o também saudoso Samuel Arruda, na memorável campanha pontepretana no Paulistão da temporada, culminando com vice-campeonato.

Dagoberto é o quarto de pé, da esquerda para a direita
Dagoberto é o quarto de pé, da esquerda para a direita
No Robertão, o desnível técnico da Ponte Preta comparativamente às grandes equipes do país a fez penar. Ou melhor: se transformar em saco de pancadas, com vitórias apena diantes de Vasco por 1 a 0 - na estreia -, 1 a 0 sobre o Atlético (PR) em Curitiba, e 2 a 1 diante do América (RJ), coincidentemente com gols de Dito Flexa. Os jogos contra os cariocas foram realizados no Estádio Palestra Itália, visto que a CBF havia proibido mandos em Campinas.

Qual era o time da Ponte à época? Wilson Quiqueto; Nelsinho Baptista, Samuel, Dagoberto e Santos; Teodoro e Roberto Pinto; Dito Flexa, Dicá, Manfrini e Adilson Preguinho.

DICÁ NO BANCO

Acreditem: na vitória sobre o América, Dicá ficou no banco. E substitui Manfrini durante o segundo tempo.

Cilinho, técnico da Ponte de 70
Cilinho, técnico da Ponte de 70

Pior foi o saudoso treinador Cilinho ter escalado Dicá de volante contra o Fluminense, com recuo de Teodoro à função de quarto-zagueiro no lugar de Dagoberto, na goleada sofrida por 6 a 1.

Afora aquele jogo, Dagoberto participou da defesa pontepretana nas goleadas sofridas para Cruzeiro por 6 a 0 e Botafogo (RJ) 4 a 0.

À época Cilinho já era corajoso. No empate por 1 a 1 com o Corinthians, ele sacou Dagoberto durante o segundo tempo e colocou o atacante Nelson Oliveira.

SÉRGIO ABDALLA

Pós campanha pífia da Ponte no Robertão, o presidente Sérgio Abdalla - já falecido - havia garantido que reforçaria o time, e um dos indicados seria para o lugar de Dagoberto. “Precisamos de um quarto-zagueiro. Temos quatrocentos mil cruzeiros pra gastar”.

Cilinho já se intrometia em assuntos de diretoria. “O Corinthians ofereceu pouco dinheiro por Samuel, e não quis colocar o volante Tião no negócio. Só ofereceu bagulho”.

Quando pendurou as chuteiras, Dagoberto foi trabalhar na CPFL, a exemplo do ponteiro-esquerdo Adílson Preguinho.

CAMINHÃO

Quando se desligou da empresa, o ex-zagueiro comprou um caminhão, que passou a ser a ferramenta de trabalho dele.

Depois, vítima de um câncer de próstata, ele morreu em Campinas no ano de 2009, aos 57 anos de idade.

  • João da Teixeira
    27/04/2020 17:59

    A Ponte fez uma campanha muito boa no Paulista de 1970 e não deu para entender como foi tão mal no Robertão daquele ano. Talvez subiu na cabeça dos jogadores se "pirulitarem" para times grandes e ganharem dinheiro. Talvez entraram com salto alto. Enfim, foi o fim de um sonho grandioso de um time do interior para época. Acreditava que poderíamos começar a pensar grande, mas ledo engano, se tornou time pequeno novamente. Não só ela, mas outros times poderiam ter se tornado grandes

18
ABR
Adeus ao goleiro João Marcos, revelado pelo Guarani

Enquanto o Guarani comemorava o seu 109º aniversário, neste dois de abril, morria em Botucatu (SP) um goleiro que foi cria do clube na década de 70, caso de João Marcos Coelho da Silva.

Diogo, 4º da esq. à dir., em pé
Diogo, 4º da esq. à dir., em pé
Vindo daquela cidade, ele ingressou no juvenil bugrino em 1971, já dirigido pelo saudoso treinador Zé Duarte, ocasião em que teve como companheiros jogadores que vingaram no profissional, casos do lateral-esquerdo Ricardo Cascorão, meio-campistas Ednaldo e Eli Carlos, e principalmente o ponta-de-lança Washington - já falecido - , projetado até como sucessor de Pelé.

Daquela leva igualmente participava o meio-campista Roberto Diogo, cujo sonho de se profissionalizar esvaiu-se com fratura na perna, sem que a medicina ortopédica da época tivesse avanços que permitisse correção. Por isso ele optou pelo jornalismo, e hoje atua na Rádio CBN-Campinas.

Já como profissional, João Marcos não se firmou como titular da meta bugrina, até porque concorria com o absoluto Tobias.

Assim, em 1975 foi emprestado ao São Bento de Sorocaba e depois jogou no Noroeste de Bauru, antes do salto qualificado na carreira já no Palmeiras, a partir de 1980, marcado por elasticidade e coragem para saída da meta.

SELEÇÃO E GRÊMIO

Em 1984 ele realizou a única partida na Seleção Brasileira, na vitória por 1 a 0 em amistoso contra o Uruguai.

Mesmo ano, no Grêmio, a atribuição seria substituir o goleiro Mazaroppi, e jogou até que uma lesão no ombro o afastou do time.

Ano seguinte ainda tentou jogar no Novorizontino, mas em vão.

João Marcos morreu vitimado por complicações no esôfago, aos 66 anos de idade.

ALCOOLISMO

Ao pendurar as chuteiras, enveredou ao alcoolismo, doença lenta, progressiva, que compromete o bom funcionamento do organismo.

Por isso travou luta titânica para vencê-lo, e contou com ajuda psicológica e do núcleo dos Alcoólicos Anônimos, cuja filosofia de superação é conscientizar o viciado a uma vitória em cada dia.

Em determinado estágio da doença o reflexo é irreversível, como foi o caso de João Marcos, vítima do uso constante, descontrolado e progressivo da bebida. Ele se submeteu ao processo de internação para desintoxicação em 2010, na cidade de Mogi das Cruzes, tinha determinação para vencer o desejo do próximo gole, considerava-se curado, e até dava palestras orientando sobre o malefícios do vício.

  • João da Teixeira
    18/04/2020 22:39

    Goleiro é uma posição que o jogador é ou não é, mas no caso do João Marcos ele se projetou somente 10 anos depois em um time grande e foi até titular no Parmitão, chegando ao selecionado. Isso não é comum para jogador de linha, com goleiro, pior. Olha o caso do Bruno Henrique, só com 29 anos estourou, isso não é normal...

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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