Cadê Você?

06
MAR
Tuta, ponteiro da Ponte que duelava com o irmão Zé Maria

Irmãos atuando em mesma equipe não é novidade no futebol. Também há registro de irmãos

adversários em confrontos. Raro, mesmo, é um dos irmãos designado para individualizar a marcação do outro.

Pois o lateral-direito Zé Maria, do Corinthians, era incumbido de marcar o mano José Margarido Alves, o Tuta, da Ponte Preta, em tradicionais confrontos entre essas agremiações a partir de 1971.

Quem sugere que o respeito familiar influenciasse o lateral corintiano a ‘pegar leve’ se equivoca. Ao final daquelas partidas, nos habituais churrascos familiares, Tuta exibia as pernas riscadas de botinadas do irmão, que fazia o possível para anulá-lo.

Formado na base do Corinthians, o futebol de Tuta começou a crescer gradativamente na Ponte Preta, no início dos anos 70.

Arranque e facilidade para chegar ao fundo de campo foram virtudes inconteste de Tuta. O intrigante, para o torcedor pontepretanos, era a deficiência nos cruzamentos, geralmente no terceiro pau.

FUNDAMENTO

Disposto ao trabalho, Tuta passou a intensificar o fundamento bola cruzada, e os treinos surtiram efeito. Já calculava bem a bola quer no primeiro, quer no segundo pau.

Dificuldade incorrigível era arremate ao gol adversário. Fez poucos gols na carreira. Apesar disso, incontáveis centroavantes usufruíram das jogadas que ele criou para que chegassem ao gol.

Nos anos dourados da Ponte Preta, de 1977 a 1981, que resultaram em três vice-campeonatos paulista, Tuta participou dos dois primeiros, num time formado por Carlos; Jair Picerni (Toninho Oliveira), Oscar, Polosi e Odirlei; Wanderley, Marco Aurélio e Dicá; Lúcio, Rui Rei (Osvaldo) e Tuta (João Paulo).

Seguidas lesões tiram-lhe a possibilidade de continuar na ‘briga’ pela posição. E quando se recuperava não reassumia o lugar, ficando como opção na reserva.

Depois de um empate sem gols com o São Bento em setembro de 1979, só voltou a jogar em março da temporada seguinte. Logo, na final de 79, João Paulo foi o ponteiro-esquerdo, após experiências com Afrânio e até Osvaldo deslocado ao setor, para que Jorge Campos fosse o centroavante.

Bem que Tuta ainda tentou insistir em 1980, mas participou apenas do jogo contra o Itabaiana (SE) em março e Colorado (PR) em maio, ambos em Campinas, encerrando a carreira de atleta para se transformar em treinador dos juniores no próprio clube. Foi aí que a Ponte Preta contratou Abel para que fosse o seu real substituto na posição.

  • João da Teixeira
    07/03/2017 14:43

    A boa recordação que tenho de Tuta, que nunca foi uma sumidade como ponteiro esquerdo, foi uma jogada feita por ele com o pau de escanteio. Antigamente os paus de escanteios eram rígidos e assim sendo, possibilitou uma tabela feito por Tuta com esse pau, dando um drible incomum no adversário. Alguém poderia me lembrar quem foi a vítima bugrina dessa jogada? E muito mofo minha gente...

24
FEB
Tião Macalé, beberrão que correspondia com a camisa do Guarani

Histórias de jogadores de futebol beberrões remontam aos tempos. Há quem diga que o saudoso treinador Oswaldo Brandão costumava carregar garrafão de cachaça de alambique para servir aos seus boleiros cachaceiros.

No Guarani da década de 60, o imbatível no consumo de bebidas alcoólicas foi o volante Sebastião dos Santos, apelidado de Tião Macalé.

A desproporção era tão desmedida que morreu aos 36 anos de idade em 1972, em Jundiaí (SP), cidade em que ficou radicado após bem conhecê-la na passagem pelo Paulista em 1968, quando formou dupla de meio de campo com Raimundinho e saboreou o acesso à elite do futebol paulista.

Natural do Estado do Rio de Janeiro, Tião Macalé integrou o elenco do Botafogo carioca entre os anos 50 e 60 como meia-de-armação, conformando-se inicialmente com a reserva do lendário Didi, devido à desigualdade de concorrência.

Quando o titular se transferiu ao Real Madrid da Espanha em 1959, Macalé ganhou camisa na equipe principal e participou da campanha de vice-campeão estadual, num time dirigido pelo saudoso João Saldanha e formado por Manga; Cacá, Jore, Ronald e Paulistinha; Airton e Tião Macalé; Garrincha, Paulo Valentim, Quarentinha e Zagallo.

GUARANI EM 1963

Na chegada ao Guarani em 1963, Macalé já estava adaptado à função de volante. Todavia teve que esperar o declínio de produção do titular Hilton para assumir a vaga, o que ocorreu no dia quatro de agosto daquela temporada, na derrota por 2 a 1 para o Santos de Pepe, autor dos dois gols, enquanto Berico marcou para o time bugrino.

Tião Macalé, ex-Botafogo-RJ, em 63 no Bugre
Tião Macalé, ex-Botafogo-RJ, em 63 no Bugre
Guarani da época? Dimas; Oswaldo Cunha, Ditinho, Eraldo e Diogo; Tião Macalé e Jurandir; Berico,, Américo Murollo, Felício e Oswaldo. Treinador: Francisco Sarno.

Na saída por empréstimo ao Paulista, Macalé fez parte da leva de boleiros bugrino que reforçou o time jundiaiense: Sidnei Poly, Miranda (que não era o campeão brasileiro de 1978), Cido Jacaré, Cardoso e Carlinhos.

No regresso ao Guarani em 1969, Tião Macalé já havia perdido espaço para Hélio Giglioli, volante vindo do Comercial de Ribeirão Preto, restando, portanto, a imagem do Macalé pulmão de aço para correr o campo todo, desarmar como poucos, e sabedoria no passe. Por isso foi ídolo da torcida bugrina mesmo viciado na ‘marvada’.

Nem por isso deixava de treinar forte para responder aos poucos críticos com a habitual eficiência nos gramados.

  • João da Teixeira
    02/03/2017 09:11

    Naquela época, quem não bebia? E essa do Oswaldo Brandão de levar o pote da "marvada", não é de se duvidar! Naquela época, quem não bebia era exceção, caso do Pelé, que estava anos-luz na frente de muitos jogadores da época, para não dizer de todos. Tião Macalé poderia ter jogado mais tempo se não fosse os gorós diários da "água benta". Ao mesmo tempo que a "cátxa" acelerava o jogador no início de carreira, acabava com ele bem mais cedo. Convenhamos, 36 anos é demais...

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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