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26
JAN
Cido Jacaré, de lateral do Bugre a leiturista na Sanasa

No rodízio semanal entre personagens de Guarani e Ponte Preta neste espaço, por motivo plenamente justificável repito postagem sobre Guarani e antecipo publicação.

Morreu Cido Jacaré no dia 24 de janeiro passado.

Por que o apelido de Jacaré? Questão óbvia. Boca larga, que guarda alguma semelhança com o réptil. E foi apelidado após chegar a Campinas em 1968. No Santos, seu clube anterior, era chamado de Aparecido.

O saudoso lateral-esquerdo Diogo era absoluto no time bugrino até que, no segundo tempo da partida contra XV de Piracicaba pelo Paulistão, Estádio Barão de Serra Negra, dia 23 de março de 1968, Cido Jacaré o substituiu.

O time bugrino da época? Pois não: Dimas; Miranda, Paulo Davolli, Beto Falsete e Diogo (Cido); Tião Macalé e Bidon; Joãozinho, Cardoso, Vanderlei e Carlinhos (Escurinho). Dorival Geraldo dos Santos foi o treinador naquele jogo em que o Guarani perdeu por 2 a 1. O Miranda em questão nada tinha a ver com aquele campeão brasileiro de 1978.

A partir daí Cido tomou conta da posição, praticamente determinando o encerramento da carreira de Diogo, um reserva que raramente teve outras chances.

Cido era um jogador forte, marcava relativamente bem, e tinha aceitável domínio de bola.

RENGANESCHI

Na temporada seguinte, o treinador Armando Renganeschi - já falecido - incorporou o professor Pardal ao inverter os laterais de posições, sendo ambos destros. Wilson Campos foi para a lateral-esquerda e Cido à direita.

Essa brincadeirinha prosseguiu até que o lateral-esquerdo Ferrari regressou ao Guarani com propósito de encerrar a carreira, em 1970. Aí Wilson Campos retomou à sua posição, enquanto Cido foi para o banco de reservas.

Lamentavelmente Cido abusava de bebida alcoólica. E da ‘branquinha’. O ‘bafo’ de cachaça era sentido até antes do treino matinal, e assim o declínio na carreira seria inevitável. Sequer conseguia superar Ferrari, nitidamente em final de carreira, e por isso os dirigentes bugrinos foram buscar Alberto, no Rio de Janeiro, em 1971, para cobrir a lacuna no setor.

BEZERRA

É tão curiosa a história de laterais-esquerdos do Guarani na época que Alberto, lento para acompanhar ponteiros velozes, teve que ser deslocado à quarta-zaga, abrindo espaço para recuo de Bezerra, então ponteiro-esquerdo, para a lateral.

Nesse vaivém de laterais-esquerdos bugrinos, Cido Jacaré já havia seguido a sua trajetória no Noroeste e encerrou a carreira de atleta no Catanduvense.

Foi aí que retornou a Campinas e o bugrino Sidney Pavan - influente na Sanasa à época - convenceu o presidente da empresa pública, Lauro Péricles Gonçalves, a contratar o ex-atleta como leiturista de medidor de consumo de água. E assim ele prosseguiu na empresa até a aposentadoria.

Claro que Cido não se distanciou do futebol. Foi árbitro da Liga Campineira de Futebol e se relacionou frequentemente com desportistas de Campinas.

  • João da Teixeira
    27/01/2017 22:55

    Lembro-me dele mais como juiz de futebol do que como jogador do bugre. Com relação a SANASA, essa sempre foi um cabide de empregos. Os políticos colocavam os seus afetos e depois o MP pegava essas irregularidades e obrigava a SANASA a fazer concurso público, mas que eram direcionados a esses, para regularizá-los na função. Para aumentar suas chances, ganhavam pontos extras no concurso por já ter experiência em empresa de água em detrimento dos outros candidatos. Ja fui vítima

21
JAN
Dois anos sem o campeão goleiro Neneca

Quando morreu o ex-goleiro Hélio Miguel, o Neneca, no dia 25 de janeiro de 2015, deixei como reflexão frase do saudoso compositor e intérprete Cazuza: ‘A vida é bela e cruel despida. Tão desprevenida e exata que um dia acaba’.

E quando acaba raros são aqueles que lembram daqueles que construíram história por aqui. E pra evitar apagão do bugrino, cabe o registro do segundo ano da morte do goleiro que sagrou-se campeão brasileiro de 1978.

Neneca foi vítima de um câncer sanguíneo incurável, que afeta a medula óssea e rins. Internado no Hospital do Câncer de Londrina, sua cidade natal, acabou submetido a sessões de quimioterapia e medidas paliativas da medicina para amenizar dor e desconforto. Sabia-se, todavia, que nada impediria o avanço da doença.

Diante do quadro irreversível, de certo o próprio Neneca interpelou ao Deus misericordioso que o conduzisse à morte. Assim, restou-lhe uma história rica e impagável como atleta.

Trazido a Campinas pelo então treinador Diede Lameiro em 1976, só deixou o clube em 1980 ao se transferir para o Operário (MS).

AUGE NO GUARANI

No Guarani, Neneca atravessou a melhor fase da carreira. Com 1,82m de altura e compleição física avantajada, pautava por arrojadas saídas da meta nas bolas alçadas contra a sua área. Raramente era traído em bolas defensáveis. E como se recomenda a todo bom goleiro, em quase todas as partidas pegava uma ou duas bolas tidas como impossíveis.

Líder dentro e fora de campo, comandava, aos gritos, o quarteto defensivo. Nos bastidores, sabiamente apagava ‘focos de incêndio’ no grupo, dialogava de forma transparente com membros da comissão técnica, e era tido como um dos interlocutores dos boleiros com cartolas para quaisquer reivindicações.

RECORDE

A regularidade na meta do Guarani resultou em 778 minutos sem sofrer gols no ano do título nacional, marca que supera os tempos de América Mineiro quando ficou 537 minutos sem ser vazado. Neste quesito, nada se compara à passagem pelo Náutico no biênio 1974-75, quando não tomou gol durante 1.636 minutos.

Paradoxalmente, Neneca jogava como atacante em times da moleca no Paraná. Ao se aventurar como goleiro nas decisões por pênaltis, percebeu que tinha aptidão para a posição, e ali ficou.

A propensão para engordar colocou a carreira em declínio. Assim, ao deixar o Guarani passou por Operário, Bragantino e Votuporanguense em 1989. Também foi preparador de goleiros.

  • João da Teixeira
    23/01/2017 13:26

    impressionante era o tamanho de Neneca. Não parecia que tinha só 1,82m. Pegava a bola de futebol do chão somente com uma das mãos e tinha uma boa colocação, não era de fazer muitas "pontes" em suas defesas, que eu me lembre. Foi um goleiro mediano, assim como a defesa e o ataque bugrino de 78, exceção a Careca, que era um centro avante muito rápido e de boa visão do gol. as defesas não acompanhavam...

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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