Cadê Você?

31
MAI
Adaílton Ladeira, eis aí o descobridor de Vadão

Passada mais de uma semana da morte do treinador Oswaldo Alvarez, o Vadão, aos 63 anos de idade, a mídia dissecou a carreira dele enquanto comandante de grupo. Assim, a coluna Cadê Você se dispõe a mostrar o lado pouco conhecido dele, enquanto atleta, com dez anos de carreira a partir da formação nas categorias de base do Guarani.

Justiça seja feita: Vadão só apareceu no futebol por iniciativa exclusiva do ex-treinador de categorias de base Adaílton Ladeira, enquanto vinculado ao Guarani em 1974.

À época, era hábito treinadores e supervisores de futebol folhearem o extinto jornal impresso A Gazeta Esportiva, quando Ladeira deparou com foto de Vadão enquanto atleta varzeano da cidade de Monte Azul Paulista.

No texto, rasgados elogios para o futebol dele, o que despertou-lhe curiosidade. O passo seguinte foi consulta sobre veracidade daquelas informações.

Pronto. Foi quando o ex-presidente bugrino Leonel Martins de Oliveira ordenou-lhe que fizesse uso de seu próprio veículo para buscar Vadão naquela cidade, pois trazendo-o imediatamente ao Brinco de Ouro seria possível amarrá-lo com contrato gaveta.

JUVENIL

Dito e feito. Vadão integrou o então juvenil bugrino, pois à época não havia a categoria de juniores, e assim formou meio de campo com o volante Manguinha.

Vadão foi aquele meia-armador canhoto com privilegiada visão de jogo para enfiada de bola, tinha habilidade, mas pesava contra ele lentidão e pouca combatividade na marcação, visto que esta não era a sua característica.

Assim, mesmo no juvenil oscilou e até perdeu a titularidade.

Profissionalizado, a concorrência foi desigual na função: Zenon, Brecha e Davi, com Zenon adaptado como ponta-de-lança, o antigo meia direita.

Aí Vadão acabou emprestado para ganhar experiências, se conscientizar da necessidade de também marcar, até que no Velo Clube de Rio Claro se adaptou de forma aceitável à função de ponta-esquerda que fazia o quarto homem de meio de campo, fechando por dentro.

De volta ao Guarani, a projeção era que ganhasse espaço no novo posicionamento, mas na prática ficou apenas na relação de jogadores prescindíveis, até que o passe fosse liberado.

PREPARAÇÃO FÍSICA

Se nos seletos time montados pelo Guarani não lhe sobrou espaços, a carreira teve continuidade em Paulista de Jundiaí, Noroeste e Botafogo de Ribeirão Preto, entre outros.

Após dez anos como atleta e já graduado no curso de educação física, Vadão projetou exercer essa função no futebol, e contou com ajuda do professor Pedro Pires de Toledo, para trabalhar como adjunto.

Já no Mogi Mirim, iniciou a carreira solo na função, na dobradinha com o saudoso treinador uruguaio Pedro Rocha.

E quando do desligamento do comandante, Vadão foi chamado para interinamente substitui-lo, mas voltou à preparação física com a contratação do treinador Geraldo Duarte. Na saída dele Vadão foi fixado como treinador, e ali começava a história que a mídia conta.

DESCOBRIDOR

Justiça seja feita, portanto, ao descobridor de Vadão, caso de Ladeira, que aos 78 anos de idade está aposentado da função de treinador, mas não descarta volta como supervisor.

Cá pra nós: com a carência de gente da bola nos clubes por aí, certamente Ladeira daria incrível subsídio a dirigentes.

Afinal, parafraseando o saudoso Zé do Piro, 'a maioria conhece bola por ter comido almôndega quando criança'.

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23
MAI
Adeus ao talentoso meia Eli Carlos

Time do Comercial; Eli, em pé
Time do Comercial; Eli, em pé

Ainda com idade de atleta infantil, Eli Carlos já integrava o time amador adulto do Comercial da Vila Teixeira, em Campinas.

Como já se destacava, foi levado ao juvenil do Guarani em meados da década de 70, e ali começava trajetória vitoriosa.

Morreu Eli Carlos
Morreu Eli Carlos

Pois esse Eli jogador, treinador, supervisor e radialista morreu na manhã deste 22 de maio, um mês depois de completar 66 anos de idade.

Aí, enquanto Guarani e Cruzeiro foram protocolares no envio de sentimentos à família, a direção do Flamengo extrapolou com citação de que 'lamenta profundamente a morte', quando de certo a maioria de seus dirigentes sequer constatou a passagem de Eli Carlos pelo clube em 1978, quando atuou ao lado do goleiro Raul, lateral Júnior, meio-campistas Carpeggiani, Adílio e Zico, e atacante Tita.

Um ano antes ele atravessou fase áurea no Cruzeiro, coroada com título estadual e artilharia da competição: 17 gols. Foi quando reencontrou o saudoso volante Flamarion, seu companheiro dos tempos de Guarani.

HABILIDADE

Na passagem pelo Coritiba em 1975, Eli já havia sido fixado como ponta-de-lança, mas no início de carreira, no Guarani, atuava como meia-armador, quando mostrava habilidade na condução da bola, lucidez para vislumbrar atacantes em condições para concluir jogadas, ou ele mesmo no enfrentamento a goleiros adversários.

À época juntava-se a recém-promovidos da base como o saudoso meia Washington, centroavante Clayton, volante Ednaldo e lateral-direito Wilson Campos.

A exemplo da maioria dos boleiros de seu tempo, houve queda de rendimento do futebol, que resultou em passagens por pequenos clubes. O último deles foi o Palmeirinha de São João da Boa Vista.

AUXILIAR-TÉCNICO

Com Beto Zini na presidência do Guarani em 1988, Eli voltou ao velho ninho na condição de auxiliar-técnico de Carbone, chegou a substitui-lo posteriormente, e ainda treinou Uberlândia e Francana.

Na prática se revelou melhor como supervisor e adjunto de empresários de futebol.

Apesar disso, sentiu-se mais confortado com microfones nas mãos, ao atuar como comentarista da Rádio Bandeirantes-Campinas.

Por Ariovaldo Izac

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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