Morre Bebeto de Oliveira, exemplo de preparador físico

O histórico do preparador físico Carlos Roberto Valente de Oliveira, o Bebeto de Oliveira, foi contado neste espaço em 22 de abril de 2017. Agora, cabe recontá-lo após a morte dele na manhã deste 22 de agosto, sem que divulgassem a causa, embora saiba-se que sequelas de problemas cardíacos tivessem restringido fluência na fala.

Aposentado, Bebeto de Oliveira completaria 80 anos de idade em dez de outubro próximo, e de fato foi um profissional diferenciado em sua área.

Na década de 80, sem o incremento da tecnologia, já sabia projetar o ápice do condicionamento do atleta e como atingi-lo.

Pra dar exemplo ao grupo, fazia questão de se exercitar junto. Ou melhor: puxava a fila.

Diferentemente de profissionais da área que cobiçam vaga do treinador, a preocupação dele sempre se restringiu à sua função. Logo, não encontrou obstáculo para integrar comissões técnicas de diferentes comandantes nas passagens por Ponte Preta, Londrina, São Paulo, Flamengo, Vasco e Seleção Olímpica do Brasil, com conquista da medalha de prata em Seul (COR-SUL).

E quando voltou do Japão em 2004 e considerava-se aposentado, dois anos depois topou o desafio de supervisionar as categorias de base do São Paulo.

RUA ITU

Campineiro e morador na Rua Itu, bairro Cambuí, durante a adolescência a identificação se restringia ao apelido Bebeto, até que fosse incorporado o sobrenome Oliveira na migração a preparador físico, que ocorreu inicialmente na Ponte Preta, a convite do saudoso treinador Cilinho, após ter sido técnico de equipe de basquete em São Carlos (SP), já graduado em faculdade daquela cidade.

FILHO DE BARRIGA

Bebeto fez parte de uma família de boleiros falecidos e diagnosticados por problemas cardíacos.

Seu pai Barriga foi centroavante artilheiro da Ponte Preta nos anos 40. O irmão Nenê seguiu a mesma trajetória inicial de Guarani e Ponte Preta na década de 60.

A estreia de Bebeto na Ponte foi em amistoso contra a Francana, 1 a 1, dia nove de maio de 1965, nesse time: Dado; Wilson, Edson, Celso e Beto Falsete; Bebeto (Heitor) e Da Silva (Curvinho); Jairzinho, Rodrigues, Cristóvão e Zé Francisco.

Se foi um volante competitivo, também fez seus golzinhos quando atuou como meia. Foi assim ao marcar dois gols em vitória sobre o Paulista de Jundiaí por 3 a 2, em Campinas, e um contra a extinta Esportiva de Guaratinguetá, Taubaté e Bragantino.

Aí seguiu caminhada na Ferroviária de Araraquara, com vínculo de 1966 a 72.