Zagallo, 90 anos de idade

Comumentemente este espaço é destinado para enfoque sobre ex-atletas do futebol de Campinas. Todavia, como toda regra tem exceção, eis aí uma plenamente justificável. Afinal, é raro um profissional da bola, com renomados serviços prestados, completar 90 anos de idade, como Zagallo.

Talvez o próprio Mário Jorge Lobo Zagallo nem se lembra de quantos títulos conquistou ao longo da carreira no futebol, em quase todas as funções. Ao completar 90 anos de idade neste nove de agosto passado, com saúde debilitada após retirada de tumor no aparelho digestivo, ficou marcado por frases e comportamentos emblemáticos como treinador da Seleção Brasileira.

Em 1996, ao reassumir o comando técnico, protagonizou coreografia imitando aviãozinho, ao devolver provocação do treinador da Seleção da África do Sul, Cliver Barker, em amistoso que o Brasil ganhou de virada por 3 a 2, em Johanesburgo. Criticado na Copa América de 1997, na Bolívia, desabafou após conquista do título sobre o organizador do evento, por 3 a 1. Se aproximou de câmera de televisão, estufou o peito e gritou: 'Vocês vão ter que me engolir'. E assim sobreviveu no cargo até a Copa do Mundo de 1998, na França, derrotado na final pelos anfitriões por 3 a 0.

HOLANDA

Também pagou caro por ter subestimado a Holanda, sensação da Copa do Mundo de 1974 na Alemanha, quando, antes de enfrentá-la na semifinal, a ironizou: 'Holanda é tico-tico no fubá, que nem o América [RJ] de 1950. Eles é que têm que se preocupar com a gente'. E aí teve que engolir o revolucionário futebol praticado pelo saudoso Johan Cruyff e companhia, na derrota por 2 a 0.

A contragosto dos pais, Zagallo ingressou no futebol como meia-esquerda do juvenil do América (RJ), no final dos anos 40. Em 1950, já no Flamengo, o treinador paraguaio Freitas Solich o adaptou como ponta-esquerda que recuava, para ajudar na recomposição. E assim a carreira se estendeu até 1963, no Botafogo (RJ), ao lado de Garrincha, Quarentinha, Didi e Amarildo. Foi o período da conquista do bicampeonato mundial pelo Brasil - 1958/62 - após ter ganhado posição do lesionado titular Pepe.

CONTRA A SUÉCIA

No título na Suécia de 58, marcou o quarto gol da goleada por 5 a 2 sobre os anfitriões. Como treinador, após estágio no juvenil, foi promovido ao profissional do Botafogo, sem prever que seria o sucessor de João Saldanha na Seleção de 1970, tricampeã mundial no México, época de coragem ao colocar Pelé na reserva, em amistoso preparatório contra a Bulgária, no Morumbi.

Zagallo ficou oito anos na Arábia Saudita, voltou a comandar clubes brasileiros, até que em 1994, como coordenador técnico da Seleção, sagrou-se tetracampeão nos Estados Unidos.

ADILTON

Ainda no foco local, em áudio abaixo é recapitulada um pouco da história do saudoso centroavante Adílton, que integrou o elenco pontepretano em 1973. A reprodução é de um trabalho feito ao quadro Histórias do Futebol de Campinas, à Rádio Brasil.

Ouça o link na figura abaixo