Cadê Você?

08
SET
De certo, hoje Guarani e Ponte impediriam atleta atuar com o apelido de Preto

Compositor e apaixonado torcedor do América (RJ), Lamartine Babo compôs o hino de seu clube e dos principais daquele Estado em 1949. Como produtor de marchinhas de Carnaval, imortalizou a música 'O Teu Cabelo Não Nega', gravada em 1932, na letra de 'o teu cabelo não nega, mulata; porque és mulata na cor. Mas como a cor não pega, mulata; mulata eu quero o teu amor'.

Há quem diga que Lamartine já teria contribuído à época para o debate sobre racismo, mas na prática crime ou injúria racial passou a entrar na pauta de tribunais com mais frequência a partir da última década.

Dois exemplos na Bahia reproduzem aquilo que é registrado cotidianamente no país. Em Salvador, mulher foi acusada de injúria racial contra médico negro do Samu. Em Feira de Santana (BA), homem foi detido por chamar frentista de 'preto', durante briga.

ZAGUEIRO PRETO

Preto
Preto

Diante do cenário, tivesse sido revelado para o futebol apenas agora, jamais admitiriam o apelido Preto para o zagueiro maranhense Marco Antonio Costa, revelado na Copa do São Paulo pelo Juventus, mas com carreira nos primeiros cinco anos vinculado ao Santos.

Foi o saudoso treinador Giba quem o lançou na equipe santista em Campinas, contra o Guarani, no mês de maio de 2000, convicto em aposta certeira.

Preto sabia 'colar' no atacante adversário para tirar-lhe o espaço. Assim, juntou-se à garotada formada no clube - como meia Diego e atacante Robinho -, para sagrar-se campeão brasileiro de 2002.

Na sequência, grave contusão no tornozelo implicou em quatro cirurgias para correção e, quando recuperado, perdeu espaço no time, transferindo-se ao Guarani em 2005.

SUBIU A AVENIDA

No elenco bugrino, Pedro não conseguiu se firmar como titular.

Foi aí que o então homem forte do futebol da Ponte Preta, Marco Eberlin, ousou contratá-lo oito meses depois da chegada à cidade, e assim aos poucos ele foi readquirindo confiança, ganhando espaço e até participando de dérbi neste time comandado pelo saudoso treinador Oswaldo Alvarez: Jean; Luciano Baiano, Preto, Rafael Santos e Paulo Rodrigues; André Silva, Carlinhos, Elson e Danilo Sacramento; Almir e Luís Mário.

Preto confessou que no América Mineiro pôde finalmente reviver os bons momentos de início de carreira quando, por vezes, o treinador Émerson Leão o improvisava como volante, embora sempre tivesse preferência pela zaga.

  • JOSE J CHIAVEGATO
    16/09/2020 10:17

    Preto não pode ser considerado depreciativo. Denota apenas uma cor. A Seleção Brasileiro já teve um craque conhecido por Branco, que também é cor. É muito mimimi, hoje. Qualquer ganha enorme dimensão.

22
AGO
Albéris, lateral-esquerdo do Guarani na decisão paulista de 88

Por duas vezes o Guarani chegou à final do Campeonato Paulista, e em ambas ocasiões ficou como vice-campeão.

Se em 2012 inesperadamente o time engrenou e disputou título com o Santos, com derrotas por 3 a 0 e 4 a 2 no Estádio do Morumbi; em 1988, chegou à decisão em condições de igualdade com o Corinthians, e com chances reais de levantar o caneco, visto que havia empatado a primeira partida no Morumbi por 1 a 1, e o segundo jogo estava marcado para o Estádio Brinco de Ouro, com público de 49.727.

Todavia, o centroavante Viola foi o carrasco dos bugrinos, ao marcar o gol da vitória corintiana por 1 a 0, com arbitragem de Arnaldo Cezar Coelho.

Albéris
Albéris

E naquele Guarani de 31 de julho de 1988, o lateral-esquerdo foi o recifense Albéris José de Almeida, que em março passado completou 57 anos de idade.

Que tal recordar o Guarani daquele jogo, do técnico José Luiz Carbone? Sérgio Neri; Marquinhos, Vagner Bacharel, Ricardo Rocha e Albéris; Paulo Isidoro, Barbieri (Mário Maguila) e Boiadeiro; Neto (Careca), Evair e João Paulo.

Observação: o Careca em questão nada tem a ver com o lendário Antonio de Oliveira Filho, campeão brasileiro de 1978.

Albéris foi o típico lateral marcador. Quando avançava, no máximo alçava bola à área adversária ao atingir a 'linha' intermediária.

Isso explica o histórico de 13 anos de carreira e apenas um mísero gol, quando atuava pela Portuguesa, e atrevessava o melhor momento na carreira, tido em 1985 como melhor jogador da posição no Campeonato Paulista.

Foi a temporada em que a Lusa disputou e perdeu o título para o São Paulo, com Albéris expulso pelo árbitro José Carlos Gomes do Nascimento no segundo confronto, juntamente com o quarto-zagueiro Eduardo.

Foi jogo de vitória são-paulina por 2 a 1, com público de 99.025 pagantes.

Eis o time luso, comandado por Jair Picerni: Serginho; Luciano, Luis Pereira, Eduardo e Albéris; Célio, Toninho e Edu Maragon; Toquinho (Jorginho), Luiz Müller e Esquerdinha.

A passagem pela Portuguesa precedeu chegada ao Guarani em 1987, com permanência de três anos.

Ele jogou no Palmeiras em 1990, depois Goiás, até iniciar a trajetória de estrada da volta no futebol, com encerramento no Cascavel em 1994.

Com 1,70m de altura, foi promovido ao profissional do Náutico em 1981 como zagueiro, com posterior deslocamento à lateral-esquerda, onde foi fixado.

  • João da Teixeira
    28/08/2020 12:50

    Não tenho nada a ver com isso, mas a torcida mais antiga do Gfc desistiu do time. Não comentam nada sobre o passado do clube e a jovem torcida não conhece nada. Ari cansa de colocar histórias bugrinas aqui nesse espaço e ninguém lembra nada ou pelo menos fale algo. E olha que Albéris participou do jogo de 88, onde o bugre era bem melhor que o Cúrinthians e acabou tomando um gol no final da partida do Viola, uma carrinhada que o "centerforward" deu na bola do meio da gde área.

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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