Cadê Você?

30
JUN
Alceu, história de quem é vencido pela droga

Mundinho do futebol é terrível. De repente o atleta desabrocha, mostra o seu talento e fica marcado para a história. Outros, em condições de trilhar igual trajetória, se perdem no meio do caminho por desvio de condutas. Doces carreiras que se anunciavam são jogadas no espaço, ao enveredarem para as drogas.

São raros aqueles que paralelamente sustentam a rotina de sucesso ao vício das drogas. Ex-centroavante Casagrande, por exemplo, foi um viciado confesso que conseguiu sobreviver em clubes como Corinthians, São Paulo, Flamengo e futebol italiano. E mesmo com chuteiras penduradas era vencido pela tentação do vício, que se prolongou ao migrar à carreira de comentarista de futebol em televisão.

Injetou cocaína e experimentou heroína até o desafio de internação para desintoxicação às vésperas da Copa do Mundo da Rússia em 2018, quando pôde dar testemunho da bênção divina recebida de se livrar da encrenca, diferentemente de incontáveis atletas que se penam pela dependência do vício, e colocam carreiras supostamente primorosas no buraco.

GUARANI

Insere-se neste contexto o quarto-zagueiro Alceu, revelado nas categorias de base do Guarani, com projeção de promissora carreira pelo estilo técnico, tanto que ganhou realce na seleção brasileira juvenil no final dos anos 70. Aí, quis o destino que o espaço dele fosse encurtado no clube, devido à despropósita concorrência com os gabaritados zagueiros Júlio César e Ricardo Rocha. Logo, restou-lhe prosseguimento de carreira no Athletico Paranaense, já nos anos 80, sem imaginar que aquele horizonte que se abria para consagração em grandes clubes brasileiros se desmancharia por culpa exclusiva dele, que cedeu à tentação das drogas, inclusive a tenebrosa cocaína, vício que se arrastou por 11 anos.

Apesar daquele registro conturbado, Alceu Pereira Júnior ainda sobreviveu no futebol em clubes como a Inter de Limeira, Taquaritinga - ambos de São Paulo - Grêmio de Maringá (PR), Avaí (SC) e Uberlândia (MG). E por jamais ter se desligado de amigos da base bugrina, como o ex-meia Neto, foi ajudado para internação em clínica de recuperação de dependentes químicos no litoral de Santa Catarina, quando jurou ter saído de lá liberto da dependência, e diz ministrar curso para dependentes químicos. Assim, fixou residência em Florianópolis, embora seja natural de Lajes (SC).

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29
AGO
Almeida, marcador estilo carrapato na lateral-esquerda do Guarani

A forma com que o lateral-esquerdo Almeida foi apresentado como contratado pelo Guarani, numa noite de janeiro de 1980, fugiu à normalidade.

Á época, o saudoso presidente Ricardo Chuffi, que passava o bastão ao também saudoso Antonio Tavares Júnior, recepcionou o atleta depois das 20h, longe dos holofotes da mídia.

A princípio, Almeida se curvou à indigesta concorrência com o titularíssimo Miranda. Por isso a estreia ocorreu dois meses depois, no empate sem gols com o Palmeiras, no Estádio do Pacaembu, pelo Campeonato Brasileiro de 1980, quando o time bugrino, comandado pelo treinador Cláudio Garcia, foi esse: Birigüi, Chiquinho, Gomes, Edson e Almeida; Paulo César, Banana e Péricles; Capitão, Careca (Nardela) e Paulinho.

CARLOS CASTILHO

Se com Cláudio Garcia ele ainda se alternou na posição com Miranda, ganhou a preferência com a chegada do saudoso treinador Carlos Castilho, até que a volta de Zé Duarte - já falecido - ao clube, como terceiro treinador daquele ano, serviu para a recolocação de Miranda como titular.

Na prática, apenas na Taça de Prata de 1981 Almeida foi fixado como titular, e ainda assim porque Miranda foi remanejado para o lado direito.

E isso se prolongou até 27 de março daquele ano, no empate por 1 a 1 com o Anapolina, em Campinas, que resultou no título bugrino, em jogo que marcou a despedida de Miranda, que se transferiu ao Atlético Mineiro.

Se Miranda tinha melhor capacidade técnica para atacar, Almeida foi implacável como marcador.

FLAMENGO

O jogo inesquecível na carreira do paulistano Euclides Almeida da Silva, 69 anos de idade, foi naquela semifinal do Campeonato Brasileiro do Guarani, contra o Flamengo, em Campinas, na noite de 15 de abril de 1982, apesar da derrota por 3 a 2, no recorde de público no Estádio Brinco de Ouro, com 52.002 pagantes.

Foi o jogo da danosa arbitragem do gaúcho Carlos Sérgio Rosa Martins, ao marcar pênalti com equivocada justificativa de que Almeida teria interceptado a bola com o braço.

O time bugrino da época tinha Wendell; Rubens, Jayme, Edson e Almeida; Éderson, Jorge Mendonça e Banana; Lúcio, Careca e Zezé (Henrique).

XV DE PIRACICABA

Antes do Guarani, Almeida jogou no Corinthians de Presidente Prudente, Catanduvense, Santos e XV de Piracicaba. Seus últimos clubes na carreira foram Santa Cruz (PE) e Inter de Limeira.

Depois atuou como coordenador de escolinha de futebol do Guarani.

  • João da Teixeira
    14/03/2022 19:58

    Ederson foi um dos melhores volantes que apareceu no Gfc, foi uma época que o bugre garimpava jogadores em Sta.Catarina. pena que Ederson durou pouco no futebol, seu joelho "foi para o saco" precocemente. Marcava e saia jogando com facilidade ao estilo do argentino Redondo. Almeida mesmo não me chamou a atenção em nada. O futebol era excepcional, por aparecer novos jogadores, se não chamasse a atenção de cara, passava batido. Hoje seria jogador da elite, pela carência de jogador

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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