Adeus ao goleiro João Marcos, revelado pelo Guarani
Enquanto o Guarani comemorava o seu 109º aniversário, neste dois de abril, morria em Botucatu (SP) um goleiro que foi cria do clube na década de 70, caso de João Marcos Coelho da Silva.

Diogo, 4º da esq. à dir., em pé
Diogo, 4º da esq. à dir., em pé
Vindo daquela cidade, ele ingressou no juvenil bugrino em 1971, já dirigido pelo saudoso treinador Zé Duarte, ocasião em que teve como companheiros jogadores que vingaram no profissional, casos do lateral-esquerdo Ricardo Cascorão, meio-campistas Ednaldo e Eli Carlos, e principalmente o ponta-de-lança Washington - já falecido - , projetado até como sucessor de Pelé.

Daquela leva igualmente participava o meio-campista Roberto Diogo, cujo sonho de se profissionalizar esvaiu-se com fratura na perna, sem que a medicina ortopédica da época tivesse avanços que permitisse correção. Por isso ele optou pelo jornalismo, e hoje atua na Rádio CBN-Campinas.

Já como profissional, João Marcos não se firmou como titular da meta bugrina, até porque concorria com o absoluto Tobias.

Assim, em 1975 foi emprestado ao São Bento de Sorocaba e depois jogou no Noroeste de Bauru, antes do salto qualificado na carreira já no Palmeiras, a partir de 1980, marcado por elasticidade e coragem para saída da meta.

SELEÇÃO E GRÊMIO

Em 1984 ele realizou a única partida na Seleção Brasileira, na vitória por 1 a 0 em amistoso contra o Uruguai.

Mesmo ano, no Grêmio, a atribuição seria substituir o goleiro Mazaroppi, e jogou até que uma lesão no ombro o afastou do time.

Ano seguinte ainda tentou jogar no Novorizontino, mas em vão.

João Marcos morreu vitimado por complicações no esôfago, aos 66 anos de idade.

ALCOOLISMO

Ao pendurar as chuteiras, enveredou ao alcoolismo, doença lenta, progressiva, que compromete o bom funcionamento do organismo.

Por isso travou luta titânica para vencê-lo, e contou com ajuda psicológica e do núcleo dos Alcoólicos Anônimos, cuja filosofia de superação é conscientizar o viciado a uma vitória em cada dia.

Em determinado estágio da doença o reflexo é irreversível, como foi o caso de João Marcos, vítima do uso constante, descontrolado e progressivo da bebida. Ele se submeteu ao processo de internação para desintoxicação em 2010, na cidade de Mogi das Cruzes, tinha determinação para vencer o desejo do próximo gole, considerava-se curado, e até dava palestras orientando sobre o malefícios do vício.