Ponte só não queria perder; Guarani não teve competência pra ganhar

Empate sem gols no dérbi campineiro refletiu com exatidão a pobreza técnica de Guarani e Ponte Preta nesta Série B do Campeonato Brasileiro.

Para um time desarrumado e com rendimento de jogadores aquém das reais possibilidades, como a Ponte Preta, pensou racionalmente o treinador Gilson Kleina em priorizar a marcação, para evitar a derrota.

De que adianta o Guarani ter mais volume de jogo, em períodos da partida, se falta-lhe capacidade de penetração na defesa adversária?

O time até que levou a bola às proximidades da área da Ponte, mas aí repetiu frequentemente cruzamentos dos dois lados do campo.

Apenas dois deles levaram perigo à meta pontepretana. Primeiro quando deixaram o lateral Guedes disputar jogada pelo alto com o atacante Michel Douglas, que ganhou de cabeça, mas a bola foi pra fora.

Depois quando o lateral Thalyson alçou bola no primeiro pau, o meia Rondinelly resvalou de cabeça, e obrigou o goleiro Ivan a praticar defesa difícil.

Afora isso, apenas um chute forte de fora da área do meia-atacante Lucas Crispim, porém defensável para um goleiro do porte de Ivan.

Tudo isso ainda no primeiro tempo, quando a Ponte só conseguiu equilibrar a partida depois dos 25 minutos, quando o lateral Edílson ganhou reforço de marcação, pois o Guarani concentrava saída de bola ao ataque por ali através de Thalyson, meia Artur Rezende e deslocações de Rondinelly.

Antes disso a Ponte finalizou duas vezes, porém sem que exigisse defesas difíceis do goleiro Jefferson Paulino. Primeiro no chute fraco do volante Camilo. Depois quando Renato Cajá pegou forte na bola, mas no centro da meta.

MENOS INTENSIDADE

Se o primeiro tempo foi marcado por intensidade, abuso de faltas de ambos os lados, após o intervalo o ritmo foi diminuído, com erros até grotescos de passes.

Na Ponte, se os volantes Washington, Lucas Mineiro e Camilo não conseguiam fazer transição ao ataque, o expediente usado era a ligação direta, ou algumas incursões do lateral Edilson.

Pra piorar, após lampejos nos primeiros minutos, Cajá sumiu em campo, Marquinhos não dava sequência às jogadas e Roger era absorvido pela marcação, exceto no único lance de lucidez, quando exigiu precisa defesa de Jefferson Paulino.

As entradas de Araos e Vico, com a finalidade de ganho ofensivo na equipe pontepretana, na prática não resultaram em absolutamente nada.

Já no Guarani, a escassez de opções faz o treinador Thiago Carpuni relutar nas mudanças.

A pior partida de Lucas Crispim com a camisa bugrina recomendava que fosse sacado bem antes dos 37 minutos do segundo tempo.

Aí questiona-se: colocar quem no lugar? Pois entrou Renanzinho sem que provocasse melhora.

A rigor, Carpini surpreendeu ao escalar o zagueiro Luís Gustavo como volante, e teve ganho na distribuição de bola e vigilância sobre Cajá.

Contundido, ele cedeu lugar para Ricardinho num momento em que a Ponte quase nem rondava a área bugrina.

Portanto, este empate soou melhor à Ponte Preta, pelo estágio de desarrumação.

Restou decepção ao bugrino porque foi um dos raro dérbis, nos últimos anos, que teoricamente teria condições de vencer.

Pra vencer teria que jogar pelo menos um tostãozinho de bola, o que não ocorreu.