Cadê Você?

11
MAR
Cidinho, ex-Guarani, dava aulas quando era jogador

Pouca gente sabe que quando o atacante Evair integrava o juvenil do Guarani, em meados dos anos 80, paradoxalmente chegou a ser desligado do grupo.

Inconformado com tal despropósito, o ex-treinador Alcides Romano Júnior, o Cidinho, tentou levá-lo ao São Paulo, mas sequer deram-lhe espaço para que pudesse treinar.

Foi aí que Cidinho (primeiro de pé à esq.) intercedeu para que o atleta retornasse ao Guarani e, a partir de então, a história de Evair é sobejamente conhecida no futebol.

Claro que apenas a velha guarda de bugrinos tem conhecimento que esse mesmo Cidinho atuou como zagueiro do clube nos anos 60, quer nos aspirantes, quer na equipe principal, pautando-se pela raça.

Foi o período em que Cidinho assimilou a inteligência de treinadores como Rubens Minelli e Armando Renganeschi para posteriormente colocar em prática quando ingressou no comando técnico de equipes das categorias de base, após estágio como preparador físico.

ESTUDOS

Diferentemente de boleiros da época, Cidinho deu continuidade aos estudos, graduou-se em educação física quando ainda era atleta, e assim pôde conciliar 30 aulas mensais lecionadas em colégios estaduais.

Contratado pelo Rio Preto em 1971, projetou ganho na carreira com o passe emprestado ao Paulista de Jundiaí no biênio 1972-73. No entanto ficou desencantado com salários atrasados e constatação de regalias a medalhões de grandes clubes.

Servílio, atacante que havia saído de Palmeiras e Corinthians, e Ditão, ex-zagueiro corintiano, treinavam apenas na véspera do jogo de domingo, enquanto Cidinho ‘ralava’ durante toda semana.

Soma-se a isso a condição de reserva de Ditão para que decidisse pelo encerramento da carreira de atleta.

Melhor assim. Posteriormente mostrou-se um treinador com olho clínico apurado para revelação de valores.

No São Paulo, entre outros, passaram pelas mãos dele Heriberto, Salomão, Márcio Araújo, Elivelton, Sidnei Trancinha e Silas. No Guarani descobriu o ponteiro-esquerdo João Paulo.

Hoje, aposentado, Cidinho foi vitimado pelos desdobramentos provocados pelo diabetes, com amputação parcial da perna direita.

  • carlos henrique pedroso (MOSCA)
    20/03/2017 12:43

    FOI MEU TREINADOR APRENDI MUITO COM ELE COMO ATLETA E CIDADÃO PESSOA DA MAIS ALTA QUALIDADE MUITO OBRIGADO MESTRE CIDINHO.

06
MAR
Tuta, ponteiro da Ponte que duelava com o irmão Zé Maria

Irmãos atuando em mesma equipe não é novidade no futebol. Também há registro de irmãos

adversários em confrontos. Raro, mesmo, é um dos irmãos designado para individualizar a marcação do outro.

Pois o lateral-direito Zé Maria, do Corinthians, era incumbido de marcar o mano José Margarido Alves, o Tuta, da Ponte Preta, em tradicionais confrontos entre essas agremiações a partir de 1971.

Quem sugere que o respeito familiar influenciasse o lateral corintiano a ‘pegar leve’ se equivoca. Ao final daquelas partidas, nos habituais churrascos familiares, Tuta exibia as pernas riscadas de botinadas do irmão, que fazia o possível para anulá-lo.

Formado na base do Corinthians, o futebol de Tuta começou a crescer gradativamente na Ponte Preta, no início dos anos 70.

Arranque e facilidade para chegar ao fundo de campo foram virtudes inconteste de Tuta. O intrigante, para o torcedor pontepretanos, era a deficiência nos cruzamentos, geralmente no terceiro pau.

FUNDAMENTO

Disposto ao trabalho, Tuta passou a intensificar o fundamento bola cruzada, e os treinos surtiram efeito. Já calculava bem a bola quer no primeiro, quer no segundo pau.

Dificuldade incorrigível era arremate ao gol adversário. Fez poucos gols na carreira. Apesar disso, incontáveis centroavantes usufruíram das jogadas que ele criou para que chegassem ao gol.

Nos anos dourados da Ponte Preta, de 1977 a 1981, que resultaram em três vice-campeonatos paulista, Tuta participou dos dois primeiros, num time formado por Carlos; Jair Picerni (Toninho Oliveira), Oscar, Polosi e Odirlei; Wanderley, Marco Aurélio e Dicá; Lúcio, Rui Rei (Osvaldo) e Tuta (João Paulo).

Seguidas lesões tiram-lhe a possibilidade de continuar na ‘briga’ pela posição. E quando se recuperava não reassumia o lugar, ficando como opção na reserva.

Depois de um empate sem gols com o São Bento em setembro de 1979, só voltou a jogar em março da temporada seguinte. Logo, na final de 79, João Paulo foi o ponteiro-esquerdo, após experiências com Afrânio e até Osvaldo deslocado ao setor, para que Jorge Campos fosse o centroavante.

Bem que Tuta ainda tentou insistir em 1980, mas participou apenas do jogo contra o Itabaiana (SE) em março e Colorado (PR) em maio, ambos em Campinas, encerrando a carreira de atleta para se transformar em treinador dos juniores no próprio clube. Foi aí que a Ponte Preta contratou Abel para que fosse o seu real substituto na posição.

  • João da Teixeira
    07/03/2017 14:43

    A boa recordação que tenho de Tuta, que nunca foi uma sumidade como ponteiro esquerdo, foi uma jogada feita por ele com o pau de escanteio. Antigamente os paus de escanteios eram rígidos e assim sendo, possibilitou uma tabela feito por Tuta com esse pau, dando um drible incomum no adversário. Alguém poderia me lembrar quem foi a vítima bugrina dessa jogada? E muito mofo minha gente...

Confiram as Postagens Anteriores:

1  2  3  4  5  6  7  8  9  10  11  12  13  14 
 

Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

Fale comigo