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06
MAI
Cláudio Mineiro, passagem apenas discreta pela Ponte Preta

Em meados da década de 80, ainda vinculado ao Inter (RS), foi doído para o então lateral-esquerdo Cláudio Mineiro ler nos jornais afirmação do treinador do clube à época, Cláudio Duarte, de que era jogador ‘bichado’.

“Aquilo me prejudicou bastante quando aparecia um clube interessado”, revelou, após retorno de empréstimos a clubes do interior gaúcho. A intenção de mostrar que ainda teria ‘lenha para queimar’ exigiu comunicado a eventuais interessados que toparia fazer contrato de risco, situação constrangedora para quem começou no América Mineiro e passou por Galo (MG), Flamengo, Corinthians e Inter (RS).

Aí apareceu a Ponte Preta em 1982, carente de lateral-esquerdo que preenchesse lacuna deixada por Odirlei, visto que a improvisação do lateral-direito Toninho Oliveira no setor, ou fixação de Everaldo - então garoto saída da base - não resultaram no rendimento esperado.

A Ponte havia sonhado com aquele Cláudio Mineiro de chute forte em cobranças de falta dos tempos de Corinthians, nos dois anos como reserva de Wladimir a partir de 1977, além de segura marcação.

ARTROSE

Na prática, o atleta precisava de frequente trabalho de musculação para superar a incômoda artrose. Assim, após as duas primeiras partidas com a camisa da Ponte Preta, ficou outras onze de fora em tratamento, o que o tirou do primeiro dérbi campineiro, no empate por 1 a 1 no Estádio Brinco de Ouro.

Cláudio Mineiro estreou na Ponte justamente contra o Corinthians dia 26 de agosto de 1982, no empate por 1 a 1, com o Estádio Moisés Lucarelli recebendo público de 19.886 pagantes, além de 876 menores que entraram gratuitamente.

Toninho Oliveira e Casagrande foram os marcadores, com a Ponte tendo essa formação: Carlos; Toninho Oliveira, Juninho, Nenê e Cláudio Mineiro; Zé Mário, Osvaldo e Dicá (Chicão); Osni, Toninho e Ângelo (Paulo César).

No segundo jogo fez até gol no empate por 2 a 2 com o Comercial, em Ribeirão Preto.

Contudo, a passagem apenas discreta pela Ponte Preta durante dois anos era indício de estrada da volta no futebol. Depois jogou no XV de Piracicaba, futebol pernambucano, paraibano e sul-matogrossense, com encerramento da carreira no Corumbaense em 1988. Incontinenti, migrou à função de treinador em clubes daquele Estado.

  • João da Teixeira
    11/05/2017 13:17

    É que substituir o Odirlei na Macaca, só o Júnior do Flamengo, na época, do resto, ninguém que viesse iria suplantar o verdadeiro lateral "overlap" que o Claudio Coutinho conceituou como jogador imprescindível para o futebol moderno. E Coutinho estava certo, pois hoje, time que tem um jogador como Odirlei no esquema tático, tem meio time em campo. Odirlei deu um azar danado, do Júnior e Marinho Chagas, serem bons de bola e "morarem no bairro" dos bairristas da CBF, se não? ...

  • ROSAN EVANDRO PINTO
    06/05/2017 18:04

    Eu era um garoto e via o Claudio Mineiro jogar no XV de Piracicaba, chutava muito forte, foi um dos melhores laterais que o XV ja teve.

29
ABR
Sorley, carreira encerrada aos 28 anos de idade

Aquele Sorley zagueiro clássico, bom no desarme, que sabia antecipar adversários, que por três anos passou pelo Guarani, já foi encarcerado em Curitiba em 2013, flagrado como integrante de quadrilha que importava ilegalmente cigarros do Paraguai.

Depois de frustrar o desejo de prosseguir no futebol na função de treinador, a ocupação profissional dele, hoje, é como empreiteiro de construção e venda de imóveis em Paranavaí, interior paranaense.

Sorley Murali Crudzinki, 43 anos de idade, até tinha inclinação para ser treinador, pela facilidade de absorver bons ensinamentos dos comandantes que trabalhou.

Nas entrevistas pós-jogo mostrava boa leitura. Era tão realista nas avaliações que, por vezes, sobravam críticas até para companheiros, que resultavam em situação constrangedora.

Pela facilidade de expressão, frequentemente era requisitado pelos repórteres, e os assuntos fluíam. A capacidade de argumentação também influenciava na postura como líder de grupo.

Se pelo menos tivesse oportunidade como treinador em clubes de menor expressão, seria testado sobre atualização no cargo, receptividade a críticas, persistência, e sobretudo sorte.

28 ANOS

A carreira de atleta foi interrompida aos 28 anos de idade por causa de seguidas contusões em joelhos, que resultam em cinco cirurgias, e impediram que tivesse sequências de jogos.

A queda de rendimento em campo foi sintomática após ter deixado o Guarani em 1999, passando por Vila Nova (GO), ABC potiguar, Bragantino e Portuguesa Santista em 2002.

Nos últimos quatro clubes, nem de longe lembrou a bem-sucedida carreira inicial, quando se transferiu do Coritiba para o Fluminense, passagem de empréstimo por pouco mais de seis meses pelo São Paulo, até que facilitassem a transferência para o Guarani em 1996.

Em Campinas, comandado pelo treinador José Luiz Carbone, formou dupla de zaga com Sangaletti, num time formado por Hiran; Sorley, Sangaletti e Júlio César; Germano, Valdeir, Cairo, Elso e Alexandre Gaúcho; Ailton e Marcelo Carioca.

Apesar da reconhecida capacidade técnica, havia restrição ao rendimento de Sorley no jogo aéreo, tido como vulnerável em decorrência da estatura de 1,81m de altura, já naquela época considerada inapropriada para zagueiros.

  • João da Teixeira
    04/05/2017 13:51

    Gozado, já vi o Sorley citar o Lima, como melhor parceiro que teve e não o Sangaletti, mas isso pode ter ocorrido porque não só envolvia o futebol, poderia ser também pelo relacionamento pessoal fora de campo. De qualquer jeito, foi uma boa zaga montada. pena que teve problema com o joelho. Com relação à pouca altura, poderia ser adaptado em outra posição.

  • LÉO - PR
    29/04/2017 14:25

    uma bela dupla de zaga SANGALETTI E SORLEY.

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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