Cadê Você?

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MAR
Banana, uma história de quatro anos no Guarani

Uma noite de fevereiro de 1980, eis que entrou no restaurante Éden Bar, em Campinas, o então desconhecido auxiliar técnico Luiz Carlos Ferreira, ainda sem o apelido de Ferreirão.

Sutilmente ele perguntou a um dos garçons qual a mesa do pessoal do futebol, e, tão logo recebeu a indicação, chegou falando alto como já estivesse familiarizado.

- Vocês vão ter que falar muito do Banana que está chegando no Guarani. É um craque. Vai arrebentar!

Assustado com a arrogância do desconhecido auxiliar técnico do Guarani, o saudoso jornalista Brasil de Oliveira, o Brasa, bradou.

- Calma! Quem é você? De onde vem? Quem é esse Banana?

Naquela roda do futebol estavam, além do Brasa, eu, o engenheiro Raul Celestino Soares, ex-diretor de futebol da Ponte Preta Peri Chaib, o ferrenho bugrino e advogado Pirão, e o saudoso pontepretano José Bertazolli, o Zé do Pito.

Sem pedir licença Ferreirão foi se acomodado na roda e, irritado com arrogância do então desconhecido, Brasa o enquadrou logo de cara.

- Você sabe com quem está falando? Está falando com a nata do futebol campineiro. Portanto, garoto, se acomode aí e aprenda conosco.

CURIOSIDADE

A precipitação de Ferreirão deixou todos curiosos para conferir quem era aquele Banana indicado pelo então treinador Cláudio Garcia do Guarani, que estava engatinhando na função de comandante após trajetória recomendável como centroavante da extinta Prudentina e passagem elogiada pelo Fluminense como atleta.

Logo após a estreia de Banana com a camisa do Guarani em amistoso contra a Ferroviária, com derrota bugrina por 1 a 0, no dia 15 de fevereiro de 1980, Brasa fez críticas pesadas sobre a capacidade do jogador, e lembrou no ar da antiga Rádio Educadora de Campinas a noite em que Ferreirão tentou cantar de gala numa roda só de pessoas rodadas na bola.

Foi o dia em que o Guarani mandou a campo esse time: Birigui: Flavinho (Toninho Belini), Gomes, Edson e Odair; Paulo César (Salomão), Péricles e Zenon; Gersinho (Nardela), Careca e Banana.

Com altos e baixos nos jogos, Banana ficou no Guarani até 1984, na condição de titular absoluto até a temporada de 1982, quando foi montado um dos melhores de times de todos os tempos, que chegou à semifinal do Campeonato Brasileiro. A perda da vaga de finalista ocorreu em confrontos contra o Flamengo de Zico e arbitragem danosa do gaúcho Carlos Sérgio Rosa Martins, ao assinalar pênalti discutível em bola que supostamente teria tocado na mão do lateral-esquerdo Almeida, da época.

O Guarani daqueles confrontos? Wendell; Rubens, Jaime, Edson e Almeida; Éderson, Jorge Mendonça e Banana; Lúcio, Careca e Zezé (Henrique). Técnico: Zé Duarte.

Nos quatro anos de Guarani, Banana foi improvisado na ponta-esquerda e até como centroavante. Foi um condutor de bola que de vez em quando surpreendia com boas jogadas e outras bisonhas. Por ser coadjuvante na marcação ganhou preferência dos treinadores que passaram no Bugre.

FERROVIÁRIA

Em 1985 Banana se transferiu para Ferroviária de Araraquara, depois Paysandu, e aí o prolongamento por clubes de menor expressão até voltar ao Distrito Federal, onde iniciou a carreira no Taguatinga, e já tinha o apelido de Banana porque era muito mole e caía à-toa quando criança.

Agora, radicado em Brasília, Banana, ou Ernani José Rodrigues nome de registro, é proprietário do Comércio e Distribuidora de Embalagem, e nesta temporada vai completar 60 anos de idade.

  • Ramos
    30/03/2017 23:59

    Olá Ari, belo comentário, grandes recordações: Brasa, Zé do Pito e demais figura de proa do esporte em Campinas. Só uma pergunta; o goleiro Weldell não era de se confiar? Abs.

  • João da Teixeira
    30/03/2017 20:17

    Não foi conhecido no meio do futebol de sua época por Banana somente. Era conhecido pelo nome de Ernani Banana. Também não foi toda aquela sumidade que o Ferreirão falou. Seu futebol era mais baixos do que alto. Jogador mediano para um Gfc que já trombava com os grandes na época.

  • Tito
    27/03/2017 20:20

    Em 1988 vi o Banana jogando pelo Bom Retiro de Valinhos (terceirona do paulista), o centroavante era o Geraldão(ex Corinthians), o goleiro era o César, que jogou no Palmeiras e teve passagem pelo Guarani no final de carreira.

  • Cesar Roberto ( Reporter da R. Educadora de Limeira
    27/03/2017 11:45

    H. Banana, gente fina. O entrevistei muito esse moço nos meus tempos de Rádio Central. Na minha volta à Limeira, ele me deu de presente uma linda camisa branca Nº 11 do Bugre, que tenho até hoje. Abraços, Ari...

  • LÉO - PR
    26/03/2017 21:56

    bons tempos em Ari esse de banana guarani batia de frente com os grandes times.

19
MAR
Ponte Preta já teve o seu Alziro Zarur

É usual referência a zagueiros da Ponte Preta de décadas passadas, quando se atribui notoriedade ao falecido Samuel ainda no final da década de 60, os selecionáveis Oscar Bernardes e Polozi nos anos 70, sucedidos pela dupla Juninho Fonseca e Nenê Santana em meados da década de 80.

Costumava-se dizer que a Ponte Preta era uma escola de zagueiros formados na base, mas na prática ignoram que uma leva formada em juvenis e juniores do clube era razoável e fraca.

O saudoso Eugênio Mexerica não inspirava confiança e não se firmou como titular. No começo da década de 80, quando Polozi e Nenê já haviam deixado o clube, foram feitas várias tentativas de reposição.

Foi buscado no Rio de Janeiro o zagueiro Orlando Fumaça, um rebatedor que sequer ficou seis meses no clube.

A partir de 1981, o prata-da-casa Zarur começou a ganhar as primeiras oportunidades na quarta-zaga.

Zarur foi um canhoto com dificuldade para usar o pé direito para desarme. Era o típico jogador torto, mas levava fé em seu taco.

Em entrevista à revista Placar, na época, avisou que poderia vir Serginho Chulapa, Casagrande, Baltazar e Careca, pois nenhum deles o colocaria medo.

Com Juninho Fonseca frequentemente convocado às seleções olímpica e principal do Brasil, Zarur passou a ter companheiros vulneráveis na zaga. Um deles Rudnei.

Zarur foi mais um exemplo de pais que veneram líderes religiosos e repassam os nomes deles aos filhos.

LBV

No caso específico, o lembrado foi o saudoso fundador da LBV (Legião da Boa Vontade), no Rio de Janeiro, em janeiro de 1950, o radialista Alziro Zarur, que tinha programa na Rádio Globo afinado com caridade aos menos favorecidos.

O líder religioso da LBV morreu em 1979, quando o zagueiro Alziro Zarur Gabrielli havia completado o quarto ano de Ponte Preta, com início na categoria dente de leite.

Como Zarur não prosperou, a Ponte trouxe de volta Polozi, que não havia repetido no Palmeiras as atuações conviventes.

E mesmo após a saída de Juninho, transferido ao Corinthians, Zarur perdeu espaço no elenco pontepretano com a promoção do também prata-da-casa Valdir, zagueiro de caixa torácica avantajada.

Como Valdir igualmente não vingou, dirigentes da Ponte buscaram o experiente Osmar Guarnelli no Atlético Mineiro, na expectativa que a nova safra de zagueiros pudesse sucedê-lo, posteriormente.

Nada feito. Heraldo, filho do então treinador Diede Lameiro e Júnior Curau, recém-saídos dos juniores, não deram a segurança projetada.

  • Paulo Neves
    21/03/2017 00:42

    No texto onde fala do zagueiro Zarur voce diz que o excelente zagueiro waldir não emplacou, oras, ele foi vendido por um bom dinheiro para um time grande de Portugal, era apesar de troncudinho um otimo zagueiro central.

  • João da Teixeira
    20/03/2017 09:21

    Não acredito em individualidade na zaga. Os zagueiros que sobressaíram sempre cresceram com um bom parceiro de jogo e normalmente só um que levava a fama. Vejam que normalmente zagueiros nao sao habilidosos, com raras exceções. Acredito sim em um "casamento". Gfc se deu bem trazendo uma dupla de zagueiro "casada" no ano passado. Se não, não tinha subido.

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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