Cadê Você?

06
FEB
Washington, compararação equivocada com Pelé; morte há oito anos

Washington Luís de Paula, atacante do Guarani no início dos anos 70, morreu em 15 de fevereiro de 2010, aos 57 anos de idade, em decorrência de complicações renais. Antes de adoecer vivia no ostracismo como coordenador de futebol da Associação Luso Brasileiro de Bauru.

A princípio foram inevitáveis projeções da mídia como sucessor de Pelé. O ponta-de-lança em questão, revelado pelo juvenil do Guarani, encantava pelos dribles desconcertantes e facilidade para colocar companheiros de equipe na ‘cara’ do gol.

O rótulo de bailarino da bola era justificado pelo balanço do tronco magrelo de um lado e saída com a bola no sentido oposto.

Embora pegasse bem na bola, priorizava arremates em distância quase nunca superior ao limite da grande área adversária.

Claro que pecava pela falta de ambição para marcar gols. Sequer se habilitava às cobranças de faltas e pênaltis, e assim ignorava a importância de se pontuar entre os artilheiros. Também teve mísero aproveitamento no cabeceio.

Em compensação, a matada no peito era elegante e objetiva. Logo, esse conjunto de valores foi recompensado ao integrar o selecionado brasileiro juvenil que sagrou-se campeão do Torneio Internacional de Cannes, na França. Depois participou da Olimpíada de Monique, na Alemanha, no mesmo ano: 1972.

SELEÇÃO PRINCIPAL

Aquele foi o ano de ouro para Washington, convocado até à Seleção Brasileira principal pelo treinador Zagallo à Copa Independência no Brasil, ocasião em que se quebrou uma escrita: pela primeira vez um jogador do interior do Brasil recebeu tal chamamento.

Nem por isso houve mudança em seu patamar salarial. Enquadrava-se no chamado padrão definido pelo Guarani, e não se rebelava.

Tímido, recorreu ao então supervisor do Guarani, Dorival Geraldo dos Santos, para discussão de salário no contrato por empréstimo ao Corinthians, em 1974.

Na ocasião, o saudoso presidente corintiano Vicente Matheus lhe deu chá de cadeira, enquanto se submetia a sessões de sauna e massagens.

Naquela passagem, Washington jamais justificou o investimento, e acabou devolvido ao Guarani. Depois, repasses a clubes como Vitória (BA), Coritiba, Bahia, Ferroviária, Noroeste, Rio Branco de Andradas e Marcílio Dias (SC).

Em uma das voltas a Campinas, Washington constatou que havia sido ludibriado por uma imobiliária da cidade que tinha procuração para administrar o seu apartamento em conjunto habitacional da periferia.

Dinheiro de aluguéis não foram repassados, nem por isso ele denunciou os culpados à polícia.

  • João da Teixeira
    12/02/2018 22:13

    É por essas e outras que o futebol está indo para o buraco, talvez um buraco sem volta. A alegria do gingado e da diversão, que um dia Washington me mostrou, deu lugar para o futebol grosso, carrancudo, de muito poucas risadas. O futebol ficou sério demais para o meu gosto. Se for para ver futebol e ter que sofrer, ter que chorar pela ruindade de certos jogadores, melhor ficar lendo um bom livro em casa

  • João da Teixeira 1
    12/02/2018 22:13

    Ari, só agora nesse fim de semana o Cadê Você foi atualizado com a matéria sobre o Washington, um novo Pelé que nascia no Brinco. Pelo menos foi o que a imprensa falou na época e acredito que foi isso que estragou o moleque. Eu o vi jogar, meia esguio, o neguinho era habilidoso com a bola nos pés. Da mesma forma que apareceu como um novo Rei, desapareceu depois de ter rodado por muitos times do futebol brasileiro, se não me engano morreu em um dia de carnaval.

  • João da Teixeira 2
    12/02/2018 22:12

    Pois é Ari, é isso mesmo, um garoto esguio e bom de bola, mas que não deu certo. Não sabia que ele era tímido e não tinha boca para nada. É nessa hora que alguém da família que tenha cabeça ou até um empresário honesto lhe cairia bem para seus acertos contratuais. Naquela época até se encontraria empresário com essa qualidade, hoje tenho minhas dúvidas. Além da sorte não lhe sorrir, ainda teve pessoas do mal a lhe sugar. Enfim, me parece que o pouco que lhe ofereciam estava bom

  • João da Teixeira 3
    12/02/2018 22:11

    Jogava porque gostava de se divertir com o futebol, ganhar dinheiro seria um 2º objetivo ou até terceiro, no caso o segundo objetivo seria ser reconhecido, afinal era um negro oriundo de família humilde. Hoje ouvi de um carnavalesco, se não me engano da Mangueira, que o interessante do desfile é a farra, se a gente se divertiu, se a arquibancada se divertiu, foi um bom carnaval. É isso aí, assim como o carnaval, o futebol tem que ser uma diversão, onde jogador e torcida curtem

  • João da Teixeira 4
    12/02/2018 22:10

    Por isso é que a seleção brasileira de 1982 é muito mais lembrada do que a de 1994. Talvez seja o carisma do jogo alegre e que envolvia jogadores e torcida que uma seleção não campeã é mais lembrada do que a outra campeã. E detalhando mais, por isso que alguns jogadores de futebol alegre são eternamente lembrados do que outros de futebol carrancudo. Temos inúmeros exemplos em todos os níveis, caso de Fio Maravilha, Dadá, Marcelinho etc e grandes como Pelé, Heleno, Zico etc

27
JAN
Mauro, um dos melhores ponteiros da história da Ponte Preta

Na passagem pela Ponte Preta em 1982, o ex-treinador Dino Sani flagrou cena singular de dois de seus jogadores defronte à porta de entrada do Estádio Moisés Lucarelli, que dava acesso ao antigo vestiário do clube visitante.

O ponteiro-esquerdo Mauro Aparecido da Silva, natural de Ipauçu (SP), 55 anos de idade, tinha o hábito de sentar na escadinha daquela entrada, e invariavelmente com o ombro encostado na parede. Em pé, como se militar fosse, em posição de sentido, estava o falante zagueiro Juninho Fonseca.

Reflexo apuradíssimo, Dino interpretou aquela imagem como extensão daquilo que ocorria em campo. “Juninho, sempre alerta, está preparado para a ‘guerra’. Mauro é a amostragem da preguiça, da sonolência em campo”.

Pois Dino se incumbiu de ‘acordar’ Mauro Aparecido da Silva para a realidade do futebol. Assim, a tarefa era agregar a cobrada velocidade à incrível facilidade dele ao bater na bola.

E deu certo. Mauro passou a se desvencilhar do marcador com rapidez, chegar ao fundo de campo, erguer a cabeça, e se identificar como assistente produtivo do centroavante Chicão. Na época o time pontepretano contava, entre outros, com os meias Dicá e Jorge Mendonça.

Nas mãos do treinador Carbone, Mauro se transformou no principal caminho para a Ponte começar a construir as vitórias, com as manjadas, porém ainda eficientes jogadas.

SELEÇÃO BRASILEIRA

Assim, foi até cogitado para integrar a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1986, no México, mas o convocado foi Edivaldo, do São Paulo.

Ano seguinte, já no Palmeiras, quis o destino que Mauro ajudasse a enterrar a sua Ponte Preta na última partida do time campineiro, rebaixado à segunda divisão paulista.

Todavia, não foi bem-sucedido no Palmeiras e acabou emprestado. Foi quando o Corinthians abriu-lhe as portas no começo de 1989, envolvido em troca com pelo também ponteiro Paulinho Carioca.

Ano seguinte, com a chegada do treinador Nelsinho no Corinthians, Mauro adotou a postura de quarto homem no meio de campo. Ajudava na marcação, e com isso dava mais liberdade para o meia Neto atacar. Assim a equipe conquistou o título do Brasileirão.

Ao deixar o clube na temporada subsequente, entrou na estrada da volta do futebol. Por isso topou trabalhar como auxiliar técnico de Nelsinho Baptista no final dos anos 90, e voltou ao Corinthians em 2008 como observador técnico, quer para indicação de jogadores, quer para detalhar esquemas de adversários.

  • João da Teixeira
    29/01/2018 10:42

    Realmente Mauro jogou mais que o Tuta, que ficou famoso por jogar no time de 1977. Poderíamos dizer que, se pudéssemos ter o Mauro no time de 77, a Ponte seria mais contundente do que era. Imaginem o ataque com Lúcio de um lado e Mauro do outro. A diferença era que o Tuta seria mais responsável e centrado com as coisas do futebol e Mauro mais displicente e relaxado, por isso não foi bem mais adiante. Pagou um preço por isso. O importante que deu boas alegrias à nossa torcida

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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