Cadê Você?

22
MAR
Tião Macalé, beberrão que correspondia com a camisa do Guarani

Há histórias de jogadores que repetidas 'centas' vezes ainda são bem absorvidas, até por quem as conhecem muito bem.

São registradas histórias de beberrões no futebol que remontam aos tempos.

Há quem diga que o saudoso treinador Oswaldo Brandão costumava carregar garrafão de cachaça de alambique para servir aos seus boleiros cachaceiros.

No Guarani da década de 60, o imbatível no consumo de bebidas alcoólicas foi o volante Sebastião dos Santos, apelidado de Tião Macalé.

A desproporção era tão desmedida que morreu aos 36 anos de idade em 1972, em Jundiaí (SP), cidade em que ficou radicado após bem conhecê-la na passagem pelo Paulista em 1968, quando formou dupla de meio de campo com Raimundinho, e saboreou o acesso à elite do futebol paulista.

Natural do Estado do Rio de Janeiro, Tião Macalé integrou o elenco do Botafogo carioca entre os anos 50 e 60 como meia-de-armação, conformando-se inicialmente com a reserva do lendário Didi, devido à desigualdade de concorrência.

TITULAR EM 59

Quando o titular se transferiu ao Real Madrid da Espanha em 1959, Macalé ganhou camisa na equipe principal e participou da campanha de vice-campeão estadual, num time dirigido pelo saudoso João Saldanha e formado por Manga; Cacá, Jore, Ronald e Paulistinha; Airton e Tião Macalé; Garrincha, Paulo Valentim, Quarentinha e Zagallo.

GUARANI EM 1963

Na chegada ao Guarani em 1963, Macalé já estava adaptado à função de volante. Todavia teve que esperar o declínio de produção do titular Hilton para assumir a vaga, o que ocorreu no dia quatro de agosto daquela temporada, na derrota por 2 a 1 para o Santos de Pepe, autor dos dois gols, enquanto Berico marcou para o time bugrino.

Guarani da época? Dimas; Oswaldo Cunha, Ditinho, Eraldo e Diogo; Tião Macalé e Jurandir; Berico,, Américo Murollo, Felício e Oswaldo. Treinador: Francisco Sarno.

PAULISTA

Na saída por empréstimo ao Paulista, Macalé fez parte da leva de boleiros bugrino que reforçou o time jundiaiense: Sidnei Poly, Miranda (que não era o campeão brasileiro de 1978), Cido Jacaré, Cardoso e Carlinhos.

HÉLIO GIGLIOLI

No regresso ao Guarani em 1969, Tião Macalé já havia perdido espaço para Hélio Giglioli, volante vindo do Comercial de Ribeirão Preto, restando, portanto, a imagem do Macalé pulmão de aço para correr o campo todo, desarmar como poucos, e sabedoria no passe. Por isso foi ídolo da torcida bugrina mesmo viciado na ‘marvada’.

Nem por isso deixava de treinar forte para responder aos poucos críticos, e assim mostrar a habitual eficiência nos gramados.

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23
FEB
Adeus a Henrique, ex-bugrino que desbancou o volante Dunga no Vasco

Convenciona-se dizer que os desígnios de Deus não são compreendidos, que por vezes precisa-se de maturação para aceitá-los. Pois neste contexto enquadrada-se o então meio-campista Henrique de Guarani e Vasco, morto neste 20 de fevereiro em Campinas (SP), aos 57 anos de idade, vitimado por câncer na língua.

Enquanto línguas afiadas continuam soltas por aí, o campineiro Carlos Henrique Kupper, sem 'boca pra nada', foi 'alvejado' exatamente na língua por um câncer, que pode se manifestar sob forma de aftas ou feridas dolorosas que não cicatrizam, aumentam de tamanho e não melhoram com tratamentos.

Literatura médica indica que os principais fatores de risco para desenvolvimento da doença são consumo excessivo de cigarro, bebida alcoólica, prótese dentária mal ajustada, má higiene bucal e fatores genéticos. Curas são frequentes quando do diagnóstico precoce do tumor, requerendo cirurgia e radioterapia.

SANTO DE CASA

Henrique foi o típico santo de casa que não fez milagre. Revelado como ponta-de-lança pelo Guarani em meados da década de 80, foi tido como jogador técnico que pecava pela lentidão.

Foi um reserva que entrava no transcorrer de partidas até se transferir ao Comercial de Ribeirão Preto em 1984, juntamente com atacante Luís Carlos, zagueiro Cavalcanti e lateral Pacheco. De lá vieram a Campinas lateral Paulinho Pereira e zagueiro Nei.

O estágio seguinte foi Santa Cruz (PE), até que em 1986 chegou ao Vasco, quando o treinador Joel Santana - por considerá-lo participativo - o recuou para a função de volante, com adaptação rápida à marcação.

E Henrique ficou no Rio de Janeiro durante três anos, desbancando o titular Dunga na segunda temporada, em ano de conquista do Campeonato Carioca.

CAMPEÃO EM 87

Na ocasião, o time vascaíno era formado por Acácio; Paulo Roberto, Donato, Marôni e Mazinho; Henrique, Geovani e Tita; Mauricinho, Roberto Dinamite e Romário, os dois últimos como principais artilheiros da competição com 15 e 16 gols, respectivamente.

Igualmente nas passagens subsequentes por Louletano e Nacional de Portugal, e Fujitsu Kawasaki do Japão ele continuou como volante.

Trabalhou como treinador em Goiás no Novo Horizonte e Goiano. Posteriormente integrou escritório que empresaria jogadores ao exterior. Antes de adoecer, participou de campeonatos para amadores em Campinas.

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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