Cadê Você?

14
SET
Morre Ferreirão, polêmico desde a chegada em Campinas em 1980

Na década de 60, era da impressão de jornais com maquinário linotipo, indisfarçáveis borrões nas páginas, Campinas contava com três jornais competitivos: Correio Popular, Diário do Povo e Jornal da Cidade, empresa do grupo Pedroso de Comunicação, que não teve vida longa no segmento jornal.

Na ocasião, foi criado um bordão para distinguir o Correio Popular como jornal que antecipava a notícia: 'Se o Correio não deu, você não leu'.

Sem querer puxar a brasa para a sardinha da casa, hoje o portal Futebol Interior pauta a concorrência.

VEJA MAIS DETALHES SOBRE A MORTE DE FERREIRÃO !

REI DO ACESSO

Noticiou com exclusividade, entre os veículos de comunicação de Campinas, a morte do treinador de futebol Luiz Carlos Ferreira, o Ferreirão, rotulado de 'rei do acesso' no interior paulistano, ao longo de uma carreira de 40 anos.

Histórico sobre a doença que vitimou Ferreirão é registrado no site, mas cabe acrescentar a lembrança do falante Ferreirão na chegada em Campinas em 1980, para atuar como auxiliar técnico do treinador Cláudio Garcia, no Guarani.

ÉDEN BAR

Lá pelas tantas da noite daquele início de ano, Ferreirão mal abriu a porta do Restaurante Éden Bar e já gritou:

- Cadê a turma do futebol deste bar? [embora tivesse entrado no restaurante]

Aquela reação estranha de um então desconhecido serviu para emudecer os citados, que se concentravam em três mesas juntadas.

Foi quando o então dirigente pontepretano Peri Chaib olhou para o saudoso jornalistas Brasil de Oliveira e o questionou

- Você conhece esse cara, Brasa?

Após pausa por um instante, o jornalista se manifestou

- A turma tá aqui!

Inadvertidamente Ferreirão se dirigiu às mesas, recusou-se à sentar, e assustou a clientela da casa quando, aos berros, avisou:

BANANA

- Está chegando no Guarani um moço (jogador) que se chama Banana. E que ninguém venha com risada. O apelido dele é Banana, mas joga muita bola. Vocês ainda vão ouvir falar muito dele.

Aquele gesto intempestivo do então desconhecido irritou Brasil de Oliveira, que sabia ser arrogante quando provocado, e disparou:

- Você sabe com quem está falando? Calma rapaz. Sente aí e aprenda conosco. Eu vivo futebol 24 horas por dia e nunca ouvi falar desse Banana que vem do Distrito Federal.

Semanas depois, já de bola baixa, Ferreirão se tornou amigo de Brasil de Oliveira, se dissociou de Cláudio Garcia para iniciar carreira solo com sucesso, sem jamais abandonar as suas convicções e estilo motivador.

Outros tempos eu diria 'descanse em paz, Ferreirão!

Hoje, meus cabelos brancos ensinaram-me que morto não ouve, nem lê.

Logo, cabe apenas desejar sentimentos aos familiares.

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08
SET
De certo, hoje Guarani e Ponte impediriam atleta atuar com o apelido de Preto

Compositor e apaixonado torcedor do América (RJ), Lamartine Babo compôs o hino de seu clube e dos principais daquele Estado em 1949. Como produtor de marchinhas de Carnaval, imortalizou a música 'O Teu Cabelo Não Nega', gravada em 1932, na letra de 'o teu cabelo não nega, mulata; porque és mulata na cor. Mas como a cor não pega, mulata; mulata eu quero o teu amor'.

Há quem diga que Lamartine já teria contribuído à época para o debate sobre racismo, mas na prática crime ou injúria racial passou a entrar na pauta de tribunais com mais frequência a partir da última década.

Dois exemplos na Bahia reproduzem aquilo que é registrado cotidianamente no país. Em Salvador, mulher foi acusada de injúria racial contra médico negro do Samu. Em Feira de Santana (BA), homem foi detido por chamar frentista de 'preto', durante briga.

ZAGUEIRO PRETO

Preto
Preto

Diante do cenário, tivesse sido revelado para o futebol apenas agora, jamais admitiriam o apelido Preto para o zagueiro maranhense Marco Antonio Costa, revelado na Copa do São Paulo pelo Juventus, mas com carreira nos primeiros cinco anos vinculado ao Santos.

Foi o saudoso treinador Giba quem o lançou na equipe santista em Campinas, contra o Guarani, no mês de maio de 2000, convicto em aposta certeira.

Preto sabia 'colar' no atacante adversário para tirar-lhe o espaço. Assim, juntou-se à garotada formada no clube - como meia Diego e atacante Robinho -, para sagrar-se campeão brasileiro de 2002.

Na sequência, grave contusão no tornozelo implicou em quatro cirurgias para correção e, quando recuperado, perdeu espaço no time, transferindo-se ao Guarani em 2005.

SUBIU A AVENIDA

No elenco bugrino, Pedro não conseguiu se firmar como titular.

Foi aí que o então homem forte do futebol da Ponte Preta, Marco Eberlin, ousou contratá-lo oito meses depois da chegada à cidade, e assim aos poucos ele foi readquirindo confiança, ganhando espaço e até participando de dérbi neste time comandado pelo saudoso treinador Oswaldo Alvarez: Jean; Luciano Baiano, Preto, Rafael Santos e Paulo Rodrigues; André Silva, Carlinhos, Elson e Danilo Sacramento; Almir e Luís Mário.

Preto confessou que no América Mineiro pôde finalmente reviver os bons momentos de início de carreira quando, por vezes, o treinador Émerson Leão o improvisava como volante, embora sempre tivesse preferência pela zaga.

  • JOSE J CHIAVEGATO
    16/09/2020 10:17

    Preto não pode ser considerado depreciativo. Denota apenas uma cor. A Seleção Brasileiro já teve um craque conhecido por Branco, que também é cor. É muito mimimi, hoje. Qualquer ganha enorme dimensão.

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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