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17
JUN
Irritado com suspeitas, Moisés Lucarelli desapareceu do campo da Ponte Preta

A maioria de torcedores pontepretanos da nova geração desconhece a história de Moisés Lucarelli, torcedor que merecidamente foi homenageado dando nome ao estádio da Ponte Preta.

No quinto volume da história do clube, escrito pelo saudoso conselheiro nato Sérgio Rossi, foi transcrito - nas páginas 48 e 49 - publicação do finado jornal Diário do Povo, edição de 26 de março de 1978, sobre a morte de Moisés Lucarelli dois dias antes em Campinas, aos 81 anos de idade.

‘Natural de Limeira, Moisés Lucarelli mostrava-se dinâmico e acima de tudo apaixonado pelo clube, ao aceitar o desafio de erguer o estádio, e conseguiu, depois de muitas dificuldades, com irrisórias contribuições da venda de título de sócio’.

No texto, relato sobre dificuldades para que as obras fossem aceleradas, mas registro pela persistência de Moisés Lucarelli em fiscalizar operários.

‘Desrespeitando recomendações médicas, ele chegava a permanecer por cerca de dez horas por dia sob o sol, o que eliminou em pouco tempo cerca de 40% de sua capacidade visual, através de úlcera nas córneas’.

Irmante Lucarelli, irmão de Moisés, comerciante e três vezes presidente do clube, lembrou, à época, que tudo era mais difícil. “Vivíamos pedindo favores, pois ninguém acreditava no futebol. A gente vê esse time disputando campeonato nacional, renovando contratos milionários; é de ter inveja de tudo. Precisávamos até mesmo cuidar dos atletas como se fossem nossos filhos’.

DINHEIRO DA OBRA

Apesar do desdobramento de Moisés Lucarelli para que o estádio fosse construído, alguns conselheiros levantaram dúvidas sobre o dinheiro aplicado na obra, o que lhe irritou bastante.

Para não pairar dúvidas, ele providenciou minucioso relatório de prestação de contas, mas, indignado, nunca mais apareceu no estádio, inaugurado no dia 12 de setembro de 1948.

No final do Campeonato Paulista de 1977, na decisão com o Corinthians, Moisés Lucarelli recolheu-se em um apartamento no Guarujá para não ouvir ninguém falar do assunto.

  • João da Teixeira 1
    19/06/2017 12:28

    O cara construir um estádio sem dinheiro e os caras acharem que havia subtração do dinheiro arrecadado. O cidadão Moisés fazendo mágica e havia gente desconfiando de corrupção, numa época em que os negócios eram feitos no "fio do bigode". Pois é, Moisés foi um daqueles Homens, com H maiúsculos, que deram muito para o patrimônio pontepretano. Guardando-se as proporções necessárias, a frase de Winston Churchill caberia muito bem, "Nunca tantos deverão tanto a tão pouco". Para...

  • João da Teixeira 2
    19/06/2017 12:27

    Para quem não sabe, essa frase dita pelo1º Ministro Inglês Churchill, "Nunca tantos deverão tanto a tão poucos", foi durante a Batalha da Grã Bretanha na qual a Luftwaffe de Goering, tentaria aniquilar a RAF em 4 dias, para permitir o início da Operação Leão Marinho, que invadiria a Inglaterra, mas a batalha durou 3 meses, terminando com a retirada dos aviões alemães do cenário. O milagre foi porque a superioridade alemã era de 2:1 em relação ao efetivo da RAF (tão poucos)

10
JUN
Pai se intrometia demais na carreira de Marcelo Vitta

Se empresário do futebol é calcanhar de aquiles de dirigentes, no passado ingerência de pais de atletas também atormentava a ‘cartolada’.

Aristides Vitta, pai do centroavante Marcelo, foi uma pedra no sapato da diretoria bugrina até fora da discussão para renovação de contrato.

Aristides saía frequentemente de Mococa - cidade em que residia a família no interior paulista - para chegar de surpresa no Estádio Brinco de Ouro e cobrar reajuste salarial ao filho, após contrato como profissional.

Marcelo chegou nos juniores do Guarani no início da temporada de 1980 e, ao se destacar, o saudoso treinador Zé Duarte puxou-o para treinar entre os profissionais e até o escalou na vitória por 4 a 2 sobre o Comercial de Ribeirão Preto em Campinas, pelo Campeonato Paulista, dia 28 de setembro.

Na ocasião, Marcelo Vitta substituiu o finado Jorge Mendonça, num time formado por Birigui; Chiquinho, Júlio César, Edson e Miranda; Edmar, Henrique e Jorge Mendonça (Marcelo Vitta); Capitão (Roldão), Careca e Bozó.

CAMPO GRANDE

Chance para iniciar partida o treinador lhe deu dois meses depois, em amistoso contra o Campo Grande, no Estádio Hemenegildo Barcellos, o Arraial do Lobo, na ausência do titular Careca. Dois a zero para o Guarani, com gols de Marcelo e Paulo Borges.

A partir de então, Marcelo se transformou em reserva de luxo na equipe, substituindo quaisquer companheiros do meio de campo pra frente.

A fixação como titular ocorreu somente em 1983, quando Careca já havia se transferido ao São Paulo. Paradoxalmente, a carreira no Guarani se estendeu até o dia 25 de abril daquela temporada, quando se despediu após derrota para o Flamengo por 2 a 0, no Estádio do Maracanã.

Foi uma época em que pessoas endinheiradas - a exemplo de empresários de futebol - podiam contratar jogadores e repassarem a clube. E Márcio Papa, que adquiriu o passe de Marcelo, tinha intenção em repassá-lo por empréstimo ao Palmeiras, que vetou a transação.

VASCO

Logo, o destino do atleta foi Vasco, carreira internacional na Udinese da Itália, e cinco anos dourados no Inter (RS), com o bi estadual no biênio 1986-87.

A partir de 1991 Marcelo iniciou trajetória descendente na carreira em equipes do interior paulista, até o encerramento quatro anos depois no Pelotas (RS).

  • Tito
    15/06/2017 23:55

    Tempos saudosos do futebol. O futebol era muito diferente do que se vê hj. Até entre times pequenos a gente via bons jogos.

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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