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18
ABR
Adeus ao goleiro João Marcos, revelado pelo Guarani

Enquanto o Guarani comemorava o seu 109º aniversário, neste dois de abril, morria em Botucatu (SP) um goleiro que foi cria do clube na década de 70, caso de João Marcos Coelho da Silva.

Diogo, 4º da esq. à dir., em pé
Diogo, 4º da esq. à dir., em pé
Vindo daquela cidade, ele ingressou no juvenil bugrino em 1971, já dirigido pelo saudoso treinador Zé Duarte, ocasião em que teve como companheiros jogadores que vingaram no profissional, casos do lateral-esquerdo Ricardo Cascorão, meio-campistas Ednaldo e Eli Carlos, e principalmente o ponta-de-lança Washington - já falecido - , projetado até como sucessor de Pelé.

Daquela leva igualmente participava o meio-campista Roberto Diogo, cujo sonho de se profissionalizar esvaiu-se com fratura na perna, sem que a medicina ortopédica da época tivesse avanços que permitisse correção. Por isso ele optou pelo jornalismo, e hoje atua na Rádio CBN-Campinas.

Já como profissional, João Marcos não se firmou como titular da meta bugrina, até porque concorria com o absoluto Tobias.

Assim, em 1975 foi emprestado ao São Bento de Sorocaba e depois jogou no Noroeste de Bauru, antes do salto qualificado na carreira já no Palmeiras, a partir de 1980, marcado por elasticidade e coragem para saída da meta.

SELEÇÃO E GRÊMIO

Em 1984 ele realizou a única partida na Seleção Brasileira, na vitória por 1 a 0 em amistoso contra o Uruguai.

Mesmo ano, no Grêmio, a atribuição seria substituir o goleiro Mazaroppi, e jogou até que uma lesão no ombro o afastou do time.

Ano seguinte ainda tentou jogar no Novorizontino, mas em vão.

João Marcos morreu vitimado por complicações no esôfago, aos 66 anos de idade.

ALCOOLISMO

Ao pendurar as chuteiras, enveredou ao alcoolismo, doença lenta, progressiva, que compromete o bom funcionamento do organismo.

Por isso travou luta titânica para vencê-lo, e contou com ajuda psicológica e do núcleo dos Alcoólicos Anônimos, cuja filosofia de superação é conscientizar o viciado a uma vitória em cada dia.

Em determinado estágio da doença o reflexo é irreversível, como foi o caso de João Marcos, vítima do uso constante, descontrolado e progressivo da bebida. Ele se submeteu ao processo de internação para desintoxicação em 2010, na cidade de Mogi das Cruzes, tinha determinação para vencer o desejo do próximo gole, considerava-se curado, e até dava palestras orientando sobre o malefícios do vício.

  • João da Teixeira
    18/04/2020 22:39

    Goleiro é uma posição que o jogador é ou não é, mas no caso do João Marcos ele se projetou somente 10 anos depois em um time grande e foi até titular no Parmitão, chegando ao selecionado. Isso não é comum para jogador de linha, com goleiro, pior. Olha o caso do Bruno Henrique, só com 29 anos estourou, isso não é normal...

31
MAR
Bugrino Davi foi rotulado de 'terror dos dérbis'

Davi atuou no Guarani no biênio 1974/75 - Site Que Fim Levou - Milton Neves
Davi atuou no Guarani no biênio 1974/75

Há jogadores que por marcarem gols em dérbis campineiros já são incluídos na galeria de ídolos de seus respectivos clubes, mas o caso do baiano Davi, do Guarani (foto extraída do portal Que Fim Levou, de Milton Neves), difere por ter caído no agrado de seu torcedor por decidir dois dérbis, e ambos no Estádio Moisés Lucarelli.

Rasgaram-lhe elogios quando marcou o gol da vitória por 1 a 0 no dia 27 de outubro de 1974, aos 40 minutos do segundo tempo, em seu estilo habitual de bater forte na bola, com a canhota.

Foi em partida válida pelo Paulistão, com o saudoso Zé Duarte no comando do Guarani, que à época tinha essa formação: Tobias; Odair (Mauro Cabeção), Joãozinho, Amaral e Cláudio; Flamarion e Alexandre; Afrânio, Davi, Itamar (Alfredo) e Mingo.

VITÓRIA (BA)

Proveniente do Vitória da Bahia e recém-chegado ao Guarani, Davi havia estreado duas semanas antes do primeiro dérbi, no empate por 1 a 1 com o Juventus, em Campinas, na função de meia-esquerda, formando dupla de meio de campo com o saudoso volante Flamarion.

A camisa dez da época era alternada por Alfredo e Alexandre Bueno, o que implicou na escalação de Davi como ponta-de-lança, no lugar de Lola.

A rigor, o ataque bugrino era sistematicamente mexido naquele período. Amilton Rocha e Alfrânio se revezavam na ponta-direita. Mingo e Darcy igualmente na ponta-esquerda. Sérgio Lima e Clayton eram centroavante autênticos, mas por vezes chegaram a atuar juntos, e depois surgiu outro jogador da posição: Volnei.

Contudo, aquele gol de Davi no referido dérbi, e mais uma na partida subsequente, na vitória sobre o Noroeste por 2 a 1, em Bauru, serviram para que fosse efetivado com a camisa oito, até que na sequência acabou adaptado na ponta-esquerda.

ZIZA

A titularidade do improvisado Davi foi efêmera. Perdeu espaço com a chegada para a posição do hábil Ziza, que o Guarani foi buscar no Juventus, visando a temporada seguinte.

Coube então a Davi ser relacionado como opção entre os reservas, até que às vésperas do primeiro dérbi de 1975, mês de março, novamente foi escalado como ponta-de-lança, e mais uma vez repediu a sina de decidir contra o rival no Estádio Moisés Lucarelli: 1 a 0, gol dele.

A partir de então, Davi foi rotulado como 'terror dos dérbis', mas na prática, afora o chute forte e bem endereçado, pouco mais se poderia citar sobre o futebol dele, tanto que desconhece-se se foi bem-sucedido em outra agremiação.

Hoje, radicado em Poções, interior da Bahia, atua em escolinha de futebol e como comentarista de rádio.

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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