Cadê Você?

03
MAR
Ladeira, de ponta-de-lança a descobridor de talentos

Até o início de 1968, o saudoso meia Capeloza se revezava com Cardoso na formação da dupla de atacantes com o também saudoso Vanderlei, no Guarani.

Aí, com Dorival Geraldo dos Santos como treinador interino, o Guarani anunciou com ênfase a estreia do ponta-de-lança Adaílton Ladeira no dia 13 de abril daquela temporada, em jogo no Estádio Brinco de Ouro contra o Comercial, na vitória bugrina por 1 a 0.

Na prática, Ladeira ratificava no time bugrino o futebol recomendável dos tempos de Bangu, dois anos antes, na conquista do título carioca. Na ocasião, o time banguense goleou o Flamengo por 3 a 0, e Ladeira, personagem central, foi vítima do destemperado atacante Almir Pernambuquinho, já falecido, que o agrediu covardemente.

O malvado Almir aplicou rasteira e, com Ladeira no caído, ainda deixou as travas da chuteira nas costas dele, resultando em fraturas de três costelas.

Um dia depois da partida, enquanto Ladeira convalescia em hospital do Rio de Janeiro, Almir apareceu no horário de visita e, arrependido, pediu desculpa.

BOM JOGADOR

Ladeira foi um ponta-de-lança de habilidade e boa visão de jogo até a década de 70, quando os clubes optavam por dois atacantes enfiados.

Apesar da estatura mediana, tinha bom aproveitamento pelo alto, principalmente antecipando-se a zagueiros.

Naqueles tempos, ponta-de-lança não tinha a obrigatoriedade de recuar para ajudar na marcação. Voltava apenas para buscar a bola.

TREINADOR DA BASE

Ladeira identificou-se como treinador das categorias de base desde 1977 no Guarani, com curtas passagens em equipes profissionais. Tem-se conhecimento que seu último clube teria sido o Desportivo Brasil. Agora, já completou 76 anos de idade.

Lapidar garotos no futebol é uma questão vocacional. E Ladeira fez esse trabalho por aproximadamente 40 anos, com histórico quantitativo de atletas revelados como os atacantes Careca, João Paulo, Renato e zagueiro Júlio César no Guarani. No Corinthians descobriu o lateral-esquerdo Kléber, meio campista Edu e atacante Gil, entre outros.

Seu hábito de falar alto e ascendência sobre o grupo são bem característicos.

Por conhecer o ‘riscado’, supunha-se que tinha tudo para dar certo em time profissional, mas não deu. O acaso do futebol reservou-lhe unicamente a missão de trabalhar com juniores, com três passagens pelo Corinthians.

  • João da Teixeira
    09/03/2018 18:42

    As "peneiras" no bugre eram feitas para garotos por Quem Indicava (QI) e, dificilmente o Ladeira olhava para os meninos postulantes a uma carreira de futebol fora desse grupo de QI. Se tinham ou não atribuições técnicas. Com isso, deve ter queimado muitos bons garotos, que frustrados com a reprova, nunca mais faziam peneiras em outro clube. pelo menos vi um. Não é todo garoto que já tem personalidade formada e fazer como Cafú, que depois de "trocentas" recusas ainda insistiu.

24
FEB
Marcelo Borges, de meia clássico a comentarista polêmico

No final dos anos 90, a Ponte Preta teve o privilégio de contar com o categorizado meia Marcelo Borges, um ‘canhotinha’ que colocava a bola onde bem entendia, tanto que a carreira foi marcada por incontáveis gols de faltas e até olímpicos.

Ídolo da torcida pontepretana, Marcelo Borges passou a ser cobiçado até pelo Vera Cruz, do México, mas na ocasião não houve acordo financeiro entre clubes para a transferência.

Em determinado e curto período no clube campineiro, com natural queda de rendimento, Marcelo Borges falou grosso com o então treinador Antonio Augusto, o Pardal, por ter sido substituído, num claro indício de que, embora brincalhão e bom relacionamento no grupo de atletas, de vez em quando o sangue subia.

Natural de Guapó, interior do Estado de Goiás, Marcelo Borges optou rodar por cidades da terrinha antes de encerrar a carreira em 2007 no Santa Helena. Passou por Vila Nova, Ipatinga e União Rondonópolis.

COMENTARISTA

A facilidade para se comunicar facilitou seu ingresso no rádio goiano, na função de comentarista.

Paradoxalmente, trabalhando em jogo da Ponte Preta contra o Atlético Goianiense pela Rádio 730 de Goiânia, no Estádio Serra Dourada, dia seis de abril de 2012, pela Copa do Brasil, ele ‘desceu a lenha’ na Ponte Preta, ao concordar com torcedor atleticano que a citou como ‘time porqueira’, acrescentando que ‘o torcedor está super certo’.

Ninguém me contou o fato. Eu ouvi.

Em Goiânia, Marcelo Borges é tido como comentarista polêmico e contundente.

No programa ‘Debates Esportivos’ da emissora, ele se envolveu em áspera discussão com o presidente do Vila Nova, Ecival Martins, e, emocionado, pediu demissão no ar, durante o programa do dia 30 de janeiro passado.

Ouça!

Depois de extravasar, Marcelo Borges esfriou a cabeça e foi convencido a continuar na emissora, que terceiriza horários esportivos à Planejar Publicidade.

  • João da Teixeira
    28/02/2018 13:32

    Marcelo Borges nos deu muitas alegrias nos idos anos do final da década de 1990. Colocava a bola onde queria. Enjoamos de ver nossos atacantes ficar na cara do gol. Pois é, hoje Marcelo Borges daria um banho no Lucas Lima, esse mesmo que os dirigentes tratam como pedra preciosa. Naquela época Lucas Lima seria uma pedra semi preciosa e ainda a ser lapidada. É por isso que esse tipo de matéria dá mais credibilidade no que digo, que o nosso futebol piorou e muito...

Confiram as Postagens Anteriores:

1  2  3  4  5  6  7  8  9  10  11  12  13  14 
 

Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

Fale comigo