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01
FEB
Gottardo, carreira de sucesso como zagueiro

Em 1982 chegou ao Estádio Brinco de Ouro, do Guarani, um rapaz franzino de Santa Bárbara d’Oeste (SP), de 19 anos de idade, que se identificou como o quarto-zagueiro Wilson Roberto Gottardo, trazido pelo dirigente Nivaldo Batagim, do União Barbarense, para fazer testes.

- Vamos dar uma espiada no moço -, disse o então treinador bugrino Zé Duarte (já falecido), na ocasião atrasado para o treino vespertino do clube.

Na segunda metade do coletivo Gottardo entrou no time reserva e agradou. Logo, por recomendação do treinador, trataram de acomodá-lo no alojamento do estádio, para que completasse a etapa de teste.

- Pode contratá-lo - afirmou de forma incisiva Zé Duarte, no breve diálogo com o então diretor de futebol do Guarani Beto Zini.

Gottardo foi um zagueiro com tempo adequado para a antecipação de jogadas, firmeza na marcação e velocidade para a cobertura. Também aliava à competitividade o estilo clássico, ao fazer a bola sair limpa da defesa.

Com essas virtudes, logo foi titular no Guarani e formou dupla de zaga com Júlio César, titular da Seleção Brasileira em 1986, ano que em Gottardo se transferiu para o Náutico e deixou a posição no Bugre para Ricardo Rocha, que antes atuava na lateral-direita.

BOTAFOGO (RJ)

Com menos de um ano no futebol nordestino, Gottardo foi contratado pelo Botafogo (RJ), onde ficou até 1990 na primeira passagem, coincidentemente após ter conquistado o bicampeonato carioca nas temporadas de 1989-90, formando dupla de zaga com Mauro Galvão.

Apesar da identificação com a torcida botafoguense, o quarto-zagueiro foi jogar no rival Flamengo em 1991, onde sagrou-se campeão carioca, e lá ficou durante dois anos, optando em 1994 pela experiência internacional no Marítimo de Portugal, onde teve vida curta.

Por isso, não titubeou em voltar ao Botafogo na temporada seguinte, e de maneira triunfal com a conquista do título brasileiro. Foram jogos polêmicos na final diante do Santos, período em que o centroavante Túlio Maravilha e o treinador Paulo Autuori estavam no ‘Fogão’.

MUNDIAL DE CLUBES

Estranhamente, Gottardo havia se habituado a se desligar dos clubes então vinculados após sagrar-se campeão. Foi assim duas vezes no Botafogo e uma no Flamengo. Por isso, ainda em 1995 transferiu-se ao São Paulo, em tempo de conquistar o título do Mundial de Clubes.

O final da década de 90 ainda lhe reservou a terceira e última passagem pelo Botafogo, jogou no Fluminense e conquistou a Libertadores pelo Cruzeiro em 1997. Dois anos depois, a carreira de atleta foi encerrada no Sport Recife, com histórico de cinco jogos na Seleção Brasileira.

Após montar escritório que empresariava jogador de futebol, Gottardo optou pela carreira de treinador em 2011, no Vila Nova (MG) e passagens por outros clubes até 2016.

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26
JAN
Tim, o estrategista que dirigiu Guarani e Ponte Preta

Quando foi trazido para ser treinador da Ponte Preta em maio de 1983, o saudoso Élba de Pádua Lima, o Tim, tinha no currículo passagens internacionais no comando da seleção peruana durante a Copa do Mundo de 1982, na Espanha, e San Lorenzo da Argentina.

Isso afora ter dirigido grandes clubes do Rio de Janeiro e a fama de estrategista. Todavia, seu histórico na Ponte se resumiu a sete jogos, com quatro derrotas, duas vitórias e um empate.

À época, o falecido treinador Cilinho havia voltado à Ponte Preta na condição de supervisor, mas saiu junto com Tim, que em Campinas já havia trabalhado em duas ocasiões, porém no Guarani.

Quando chegou, os bugrinos estavam assustados com a goleada por 10 a 2 que o time sofrido do Santos, na Vila Belmiro, em jogo amistoso.

Pois Tim estreou num amistoso contra o Bonsucesso e vitória bugrina por 3 a 2, em fevereiro de 1961, no Estádio Brinco de Ouro, num time com essa formação: Dimas; Ferrari, Ditinho e Belluomini; Valter e Eraldo; Dorival, Paulo Leão, Cabrita, Ilton e Osvaldo.

E no Estádio Brinco de Ouro Tim permaneceu até o final da temporada seguinte, voltando ao clube em breve passagem na temporada de 1975.

DRIBLADOR

Tim foi atleta que aplicava dribles desconcertantes nos anos 30 e 40 do século passado. Como aliava individualidade à visão de jogo, também fazia os seus golzinhos. Ele jogou nos principais clubes do Rio de Janeiro e Seleção Brasileira.

Em 1936 foi campeão do Sul-Americano realizado em Buenos Aires, quando a mídia Argentina o apelidou de 'El Peon'. Na Copa do Mundo de 1938, na França, participou apenas do jogo contra os checos, pois o técnico Ademar Pimenta preferiu escalar a ala esquerda formada por Perácio e Patesko, por causa da fama de Tim de farrista, que pulava janelas de hotéis para fugir de concentração. O melhor momento dele como atleta foi no tricampeonato carioca do Fluminense de 1936 a 38.

OLARIA

Tim passou pelo São Paulo antes de encerrar a carreira no Olaria (RJ), onde conciliou as funções de treinador, até se fixar na nova função.

Aí, expunha a sua tática com uso de mesa de jogo de botões, e mostrava o devido posicionamento dos jogadores. Por isso foi considerado um dos maiores estrategistas no comando de grandes equipes do futebol brasileiro.

Nascido em fevereiro de 1916, em Ribeirão Preto (SP), começou a carreira de atleta como meia-esquerda do Botafogo, em 1931, e três anos depois transferiu-se à Portuguesa Santista.

  • João da Teixeira
    28/01/2021 10:34

    Errata do corretor, 1° Nome do técnico ELBA DE PÁDUA LIMA, conhecido por TIM; 2° Começou a jogar bola em Ribeirão Preto, mas nasceu em RIFAINA-SP e 3° Foi contemporâneo de Heleno de Freitas. ERAM AMIGOS INSEPARÁVEIS. Feitas as devidas correções e aproveitando, seu apelido de família Era TÍ, foi qdo veio morar na Vila Tibério em Ribeirão que TÍ virou Tim para os colegas de bairro. Se fala muito de jogadores "cabeças de área" e quem deu nome a essa nomenclatura tática foi Tim.

  • João da Teixeira 1
    27/01/2021 09:37

    Elba de Pá deu a Lima, o Tim, craque do Fluminense, apesar de ter nascido no interior de S.Paulo,Ribeirão Preto, onde começou no Botafogo-RP, foi contemporâneo do craque problema do Botafogo F.R., Heleno de Freitas. Eram a jogos inseparáveis, pois ambos eram boêmios, gostavam de uma farra e essa sua fama lhe custou a vaga de titular na seleção brasileira de 1938 na França. Por sinal, Heleno de Freitas também foi barrado da seleção em 1950, devido desavenças com o técnico...

  • João da Teixeira 2
    27/01/2021 09:36

    ..., devido desavenças com o seu técnico no Vasco, Flávio Costa, que também era técnico da seleção brasileira em 1950. Chegou até puxar uma arma para o treinador Flávio Costa na porta do estádio São Januário, sendo desarmado pelo próprio Flávio. Depois disso culpou o técnico Flávio pelo Maracanaço de 50. Como eram amigos, Tim pegou essa fama de jogador indisciplinado tbém. A fama de estrategista veio porque usava jogo de botões para posicionar taticamente os jogadores no campo

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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