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MAI
Há 102 anos torcedores já iam de máscaras a estádios

Subentende-se pela expressão mascarado no futebol o jogador posudo, que se considera a última bolacha do pacote.

De antigos seriados da televisão, a máscara do Zorro cobria-lhe os olhos e foi mantida curiosidade, apesar das tentativas de arrancá-la.

Do entretenimento 'Reis do Ringue' na televisão, que atingiu o auge nos embates de 'luta livre' nos anos 60, alguns não foram 'desmascarados'.

Futuramente, quando torcedores de clubes de futebol passarem a ser vistos com máscaras faciais na reabertura de portões dos estádios ao público, não suponha que isso será novidade.

GRIPE ESPANHOLA

Em 1918 a gripe espanhola assolou o país, provocando mortes de mais de 20 mil pessoas.

Estado do Rio de Janeiro foi afetado com contágio do vírus em 66% da população de 910 mil habitantes.

Com estrutura sanitária deficiente, foi aumentado rapidamente a incidência de mortes.

E mesmo quando a doença estava praticamente controlada, torcedores de clubes do Rio de Janeiro, que tiveram acesso a estádios, procuravam se proteger com máscaras para evitar contágio do vírus.

Naquele Estado, a competições regional teve paralisação de um mês, a partir de outubro, e o campeão Fluminense desprezou a última partida contra o Carioca F.C., porque o WO não provocaria modificação no cenário.

O jornalista capixaba Felipe Souza, de o jornal A Gazeta, de Vitória (ES), publicou que o Campeonato Paulista, interrompido em novembro de 1918, só foi reiniciado na temporada seguinte.

Espanha deu nome à gripe porque foi um dos primeiros países a divulgar aquela pandemia que se espalhava pela Europa e África, antes de chegar ao Brasil em setembro de 1918, em contágio provocado por marinheiros que desembarcaram em Recife.

ORTOGRAFIA ANTIGA

Embora a reforma ortográfica da língua portuguesa tivesse ocorrido no início da segunda década daquele século, jornais da época relutavam acompanhá-la, pois ainda preservavam as chamadas consoantes mudas como 'actuação e opportunidade', por exemplo.

À época, a reforma implicava na obrigatoriedade de acentuação das proparoxítonas, mas quer Jornal dos Sports, quer Jornal do Brasil insistiam em não acentuá-las, como a palavra 'p(é)ssima'.

Isso contrasta com quem se dispôs reproduzir documento do início do século XX sem observância da ortografia da época.

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24
ABR
Dagoberto, zagueiro da Ponte no Robertão, morreu há onze anos

Recordar o saudoso quarto-zagueiro Dagoberto, da Ponte Preta, é fazer viagem no tempo de 50 anos, quando do lançamento dele na equipe principal durante o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão, de 1970.

Pois Dagoberto havia barrado Henrique, que até então formava dupla de zaga com o também saudoso Samuel Arruda, na memorável campanha pontepretana no Paulistão da temporada, culminando com vice-campeonato.

Dagoberto é o quarto de pé, da esquerda para a direita
Dagoberto é o quarto de pé, da esquerda para a direita
No Robertão, o desnível técnico da Ponte Preta comparativamente às grandes equipes do país a fez penar. Ou melhor: se transformar em saco de pancadas, com vitórias apena diantes de Vasco por 1 a 0 - na estreia -, 1 a 0 sobre o Atlético (PR) em Curitiba, e 2 a 1 diante do América (RJ), coincidentemente com gols de Dito Flexa. Os jogos contra os cariocas foram realizados no Estádio Palestra Itália, visto que a CBF havia proibido mandos em Campinas.

Qual era o time da Ponte à época? Wilson Quiqueto; Nelsinho Baptista, Samuel, Dagoberto e Santos; Teodoro e Roberto Pinto; Dito Flexa, Dicá, Manfrini e Adilson Preguinho.

DICÁ NO BANCO

Acreditem: na vitória sobre o América, Dicá ficou no banco. E substitui Manfrini durante o segundo tempo.

Cilinho, técnico da Ponte de 70
Cilinho, técnico da Ponte de 70

Pior foi o saudoso treinador Cilinho ter escalado Dicá de volante contra o Fluminense, com recuo de Teodoro à função de quarto-zagueiro no lugar de Dagoberto, na goleada sofrida por 6 a 1.

Afora aquele jogo, Dagoberto participou da defesa pontepretana nas goleadas sofridas para Cruzeiro por 6 a 0 e Botafogo (RJ) 4 a 0.

À época Cilinho já era corajoso. No empate por 1 a 1 com o Corinthians, ele sacou Dagoberto durante o segundo tempo e colocou o atacante Nelson Oliveira.

SÉRGIO ABDALLA

Pós campanha pífia da Ponte no Robertão, o presidente Sérgio Abdalla - já falecido - havia garantido que reforçaria o time, e um dos indicados seria para o lugar de Dagoberto. “Precisamos de um quarto-zagueiro. Temos quatrocentos mil cruzeiros pra gastar”.

Cilinho já se intrometia em assuntos de diretoria. “O Corinthians ofereceu pouco dinheiro por Samuel, e não quis colocar o volante Tião no negócio. Só ofereceu bagulho”.

Quando pendurou as chuteiras, Dagoberto foi trabalhar na CPFL, a exemplo do ponteiro-esquerdo Adílson Preguinho.

CAMINHÃO

Quando se desligou da empresa, o ex-zagueiro comprou um caminhão, que passou a ser a ferramenta de trabalho dele.

Depois, vítima de um câncer de próstata, ele morreu em Campinas no ano de 2009, aos 57 anos de idade.

  • João da Teixeira
    27/04/2020 17:59

    A Ponte fez uma campanha muito boa no Paulista de 1970 e não deu para entender como foi tão mal no Robertão daquele ano. Talvez subiu na cabeça dos jogadores se "pirulitarem" para times grandes e ganharem dinheiro. Talvez entraram com salto alto. Enfim, foi o fim de um sonho grandioso de um time do interior para época. Acreditava que poderíamos começar a pensar grande, mas ledo engano, se tornou time pequeno novamente. Não só ela, mas outros times poderiam ter se tornado grandes

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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