Cadê Você?

03
ABR
Telê Santana jogou no Guarani em meados da década de 60

Provavelmente a única vez que acompanhei o então ponteiro-direito Telê Santana em campo foi com a camisa do Guarani, no Estádio Brinco de Ouro, em 1962, na vitória por 2 a 0 sobre a Lusa, gols de Paulo Leão e Tião Macalé.

Time bugrino da época? Dimas; Ferrari, Ditinho, Eraldo e Diogo; Ilton e Tião Macalé; Telê, Vicente, Paulo Leão e Osvaldo.

Telê foi trazido ao Guarani pelo saudoso treinador Elba de Pádua Lima, simpatizado com a função que ele desempenhava no Fluminense.

Em Campinas, Telê justificou o apelido de ‘mão de vaca’. Morava na casa de Tim sem desembolsar um tostão sequer. Entrava com a boca pra comer e beber.

Discípulo do também saudoso treinador Zezé Moreira, Telê exercia dupla função como atleta: de posse da bola fazia jogadas de fundo de campo; sem ela recuava no meio-de-campo para fechar os espaços do adversário.

A carreira de atleta foi encerrada em 1963, no Vasco. A chance de iniciar a função de treinador foi no Fluminense - seis anos depois -, ao colocar em prática o estilo do ponteiro para recomposição do meio de campo.

RETRANCAS

Apesar disso, defendia ofensividade de suas equipes, e tirou de letra pergunta do jornalista Zaiman de Brito Franco sobre como encarava adversários retrancados.

"Se o adversário fica lá atrás, meu time tem o domínio do jogo, cria mais chances, e basta ter competência para marcar gol e ganhar".

Entenda-se trabalho exaustivo com atletas para criar alternativas além das convencionais, a fim de chegar ao gol, nos tempos de São Paulo.

O driblador era imprescindível para cavar faltas de média e curta distância. E o ex-meia Raí foi preparado para executar a função, assim como a sua estatura elevada foi explorada como cabeceador dos cruzamentos de fundo de campo para trás.

Esses conceitos de Telê foram recompensados ao sagrar-se bicampeão mundial pelo São Paulo na década de 90, em resposta aos críticos que o repreenderam após eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1982, na Espanha.

Na época, ele preferiu atacar quando precisava de um empate diante da Itália, e perdeu por 3 a 2.

MORTE EM 2006

Pois esse Telê Santana, após cinco magníficos anos de São Paulo, morreu no dia 21 de abril de 2006.

Abandonou o trabalho em 1995, por causa de complicações cardíacas, que o deixaram debilitado. Todavia não aceitava a distância dos gramados, de gritar com seus jogadores e resmungar com juízes.

Com feição apagada e sensação de angústia, restava-lhe distrair em atividades agropecuárias no seu sítio em Belo Horizonte, ou defronte à televisão acompanhando futebol, novelas e programas de auditório.

  • João da Teixeira
    10/04/2018 20:03

    Acreditava que quem tinha trazido o Telê para o bugre foi o presidente Jaime Silva, que tinha o Fluminense como seu primeiro time de coração e por isso tinha livre acesso na Sede das Laranjeiras. Brinco com bugrinos que não é de hoje que há mistos dentro do bugre. Enfim, pelo site Wikipédia: "Telê se transferiu do Flu para o Gfc por conta do presidente do bugre, Jaime Silva, por esse ser torcedor do Clube Carioca e ter influenciado os dirigentes a ceder o Telê para o bugre".

27
MAR
Zagueiro Hélio só vestiu a camisa da Ponte Preta

Que tal a gente viajar no tempo e recuar para o dia cinco de março de 1994?

Foi um sábado à tarde e marcado pela realização de mais um dérbi campineiro no Estádio Moisés Lucarelli, com empate por 1 a 1, arbitragem de Cláudio Vinícius Cerdeira (RJ), que expulsou Monga, da Ponte, e Fernando, do Guarani.

No primeiro tempo o meia Robert havia colocado o Guarani em vantagem, mas o volante Suélio empatou para a Ponte Preta.

Público de apenas 10.617 pagantes.

Que tal a recapitulação das duas equipes da época?

Lapola: ex-zagueiro e ex-técnico da Ponte Preta
Lapola: ex-zagueiro e ex-técnico da Ponte Preta

Eis a Ponte Preta, treinada pelo saudoso Sebastião Lapola: André Dias; Flavinho, Pedro Luiz, Hélio e Branco; Sidney, Dionísio (Suélio) e Renato Morungaba (Monga); Mauricinho, Eliel e Esquerdinha.

Guarani: Pitarelli; Gustavo (Ronaldo), Valmir, Fernando e Robinson; Da Silva, Fábio Augusto. Djalminha e Robert (Rodnei); Tiba e Clóvis. Técnico: Candinho.

HÉLIO: BASE

Você sabia que daquele time da Ponte Preta o quarto-zagueiro Hélio só vestiu a camisa do mesmo clube? Sim, ele foi revelado na base.

Se não prosperou no futebol na década de 90, soube se preservar ao cursar a faculdade de Administração na PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Campinas.

Assim, criou o seu próprio negócio durante quase 20 anos, ao montar empresa para venda de veículos.

A crise econômica do país nos últimos três anos precipitou mudança de ramo de atividade. Optou por administrar uma padaria.

FILHOS BOLEIROS

Hélio, que vai completar 50 anos de idade dia 25 de abril, surgiu como promessa na base, mas não manteve o rendimento uniforme e foi perdendo espaço entre os titulares. Sabia fazer a bola sair limpa de trás, mas não tinha característica daqueles zagueiros vigorosos.

Agora ele apoia iniciativa dos filhos inclinados ao futebol, e distribuídos nos clubes rivais de Campinas. Um faz parte da base da Ponte Preta, enquanto o outro está vinculado às categorias menores do Guarani.

  • João da Teixeira
    10/04/2018 13:14

    Helinho tem filhos boleiros, mas o Helinho teve um tio boleiro também, falecido prematuramente em um acidente de automóvel na V. Industrial. O nome era Laudelino, conhecido por Borginho, que chegou a jogar em times de Campinas e na Tema Terra onde trabalhava junto com seu irmão Helio, pai de Helinho. São mais alguns casos de jogadores que saíram do meu bairro. Dizem as más línguas que Borginho jogava mais que seu sobrinho Helinho, mas como foi em épocas e posições diferentes...

  • Paulo Giolo
    02/04/2018 11:40

    Um pouco sobre esse derbi de 94: o gfc era favorito mesmo no Majestoso, pois contava alem de Robert, com Fabio Augusto, Djalminha e Clovis em grande fase. Para provocar, colocamos um gorila na saida do vestiário da Ponte e uma galinha no deles, a qual foi montada, beijada e acariciada pelo zagueiro pigmeu Valmir. Nesse jogo, Lapola trouxe da base e escalou pela 1ª vez o volante Dionisio (na epoca com 18 anos) com uma unica missão, anular o Djalminha! E conseguiu, ele não pegou na bola.

  • Paulo Giolo
    02/04/2018 11:40

    Cont: mesmo assim o gfc abriu o placar no 1º tempo com chute de fora da area. Quando o Djalminha ja estava amarelado e cansado o Lapola colocou o Suelio que tinha chego a poucos dias do SP por emprestimo. Num cruzamento do lat.esquerdo Branco por traz da zaga, Suelio entrou e bateu de chapa de 1ª pra empatar a partida. Detalhe: na partida preliminar dos aspirantes das equipes, empate em 3x3 com 3 gols de Claudinho e 3 gols de Amoroso que tinha acabado de voltar do Japão. Muito mofo..rs

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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