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Pelé fala sobre racismo: 'No fim dos jogos, todos vinham me pedir desculpas'

São Paulo, SP, 24 - Pelé nem sempre foi chamado assim. Houve uma época, no início da carreira, logo que chegou ao Santos, em que ele era o Gasolina. Claro, uma referência irônica e enviesada ao petróleo. Racismo. Depois, na Copa do Mundo de 1958, passou a ser chamado de Alemão. Outra ironia, agora dos colegas da seleção brasileira. Depois veio Crioulo, mais uma referência à cor da sua pele. Por influência direta da imprensa, prevaleceu o apelido de Pelé, que havia sido dado a ele em Bauru (SP).

Tudo isso está no livro Pelé: estrela negra em campos verdes, de Angélica Basthi, biografia que aborda, entre outros temas, a relação do jogador com a questão racial. Inspiração para milhões de negros no mundo todo, Pelé nunca se engajou diretamente na luta contra o preconceito racial. Em vários momentos, afirmou que não havia sofrido discriminação, posicionamento que modificou nos últimos anos. Em alguns momentos, a postura foi de negação.

Em 2014, só para ficar em um exemplo recente, o Rei chegou a criticar o goleiro Aranha, chamado de "macaco" na Arena Grêmio, em Porto Alegre. "Aranha se precipitou um pouco em querer brigar com a torcida. Se eu fosse parar o jogo cada vez que me chamassem de macaco ou crioulo, toda partida teria que parar. O torcedor, dentro de sua animosidade, ele grita. Acho que temos que coibir o racismo, mas não é em um lugar público que vai coibir", disse o ex-jogador, ídolo do Santos e seleção.

Pelé fala sobre racismo: 'No fim dos jogos, todos vinham me pedir desculpas'
Pelé fala sobre racismo: 'No fim dos jogos, todos vinham me pedir desculpas'
Em entrevista exclusiva ao Estado, Pelé reconhece que sofreu casos de injúria racial, mas minimiza o problema. "Durante os meus mais de 20 anos de carreira, aprendi a entender as ofensas pelo fanatismo dos torcedores e jogadores. Na emoção, durante os jogos, o torcedor e o jogador desabafam, ofendendo as mães e também pelo lado do racismo", afirmou o Atleta do Século.

Pelé sentiu o racismo em vários momentos da carreira. No Senegal, durante uma excursão do Santos certa vez, a recepcionista branca do hotel onde o time brasileiro se hospedou chamou de "selvagens" os torcedores negros que tentavam se aproximar dos santistas. Ela foi advertida por um policial e encaminhada à delegacia na hora. "Senti que aquilo representava uma esperança para os africanos, como o negro que conseguiria fazer sucesso no mundo", escreveu Pelé em sua autobiografia publicada em 2006.

O autor de mais de 1.200 gols acredita que a situação é melhor atualmente em função da atuação da imprensa, entre outros fatores. "No meu caso, quando terminava o jogo, todos vinham me abraçar e pedir desculpas. Atualmente acho que é bem diferente. Há mais respeito e a imprensa está mais presente".

  • João da Teixeira
    11/12/2017 13:45

    Tem um pouco de sensacionalismo da imprensa de hoje. No futebol, negro foi sempre negrão, negão, neguinho etc e coisas desse tipo e não víamos isso tomar rumos mais graves em outras épocas. Hoje tem muita frescuragem por conta do detalhamento do racismo. Vejo um monte de negão usando camisetas com os dizeres "100% Negro!" e não vejo ninguém falar nada sobre racismo, mas vc., branquelo, sai na rua com uma camiseta com os dizeres "100% Branco!" e vê o que acontece. Parem com isso

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Adrianinho, ídolo do torcedor pontepretano

Em 2016 o meia Adrianinho apostou a sua última ‘cartada’ na carreira de atleta com transferência ao Fort Lauderdale Strikers, equipe que disputa competição equivalente à Segunda Divisão nos Estados Unidos, que o ex-jogador Ronaldo Fenômeno dedicou parte do seu trabalho durante anos atrás.

De lá pra cá não se teve mais informações se Adrianinho continua vinculado ao clube norte-americano ou se regressou ao Brasil. Seja como for, ele cravou carreira que desabrochou na Ponte Preta nas categorias de base, até que em 1999 acabou promovido ao elenco de profissionais.

HABILIDADE

Embora franzino de 67 quilos, 1,75m de altura, Adrianinho mostrou estilo habilidoso de dribles curtos e facilidade para bater na bola. Assim, logo caiu no gosto da torcida. E nas entrevistas, sem rodeio, falava da admiração pela Ponte Preta, que abriu-lhe as portas para iniciar a carreira.

Durante os quatro primeiros anos de clube ficou caracterizado como exímio cobrador de faltas e finalizações de média e longa distância com a perna esquerda.

Aquelas virtudes foram devidamente constatadas por cartolas do selecionado austríaco, que o requisitaram para defendê-lo.

Cabe esclarecer que embora jundiaiense de certidão de nascimento, Adriano Manfred Laaber, nascido em julho de 1980, poderia ter cidadania austríaca porque o seu pai nasceu naquele país europeu.

O convite até que foi aceito, mas sequer chegou a estrear.

Depois de quatro anos como ídolo pontepretano, o Corinthians veio buscá-lo. Faltou-lhe apenas a chance de deslanchar na equipe paulistana, o que precipitou empréstimo ao Paysandu.

FLAMENGO

Recolocação em grande clube ocorreu no Flamengo, em 2005. Todavia, o destino não lhe reservou sucesso em equipes expressivas. Por isso, na sequência deu início à perambulação em equipes de pequena e de média expressão, até em que em 2012 a Ponte lhe deu nova chance, entremeada por passagem pelo Sobradinho (DF). A concorrência direta pela posição com o meia Renato Cajá o deixou na reserva do time pontepretano na temporada de 2014.

No empate por 1 a 1 com o Náutico, na Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata (PE), em novembro daquele ano, com gol pontepretano de Renato Cajá, Adrianinho era opção no meio de campo daquele time treinado por Guto Ferreira, cuja base era formada por Roberto; Jeferson, Tiago Alves, Gilvan e Bryan; Juninho, Adilson Goiano, Renato Cajá (Thomás) e Roni (Adrianinho); Alexandro e Rafael Costa (Jonathan Cafu).

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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