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08
NOV
Cassação de liminar da Ponte em 1988 evitou que o Guarani provocasse WO em dérbi

Mil novencentos e oitenta e oito foi ano sem dérbi campineiro pelo Paulistão.

Ponte Preta e Bandeirantes de Birigui haviam sido rebaixados na competição do ano anterior, mas, inconformados, buscaram pretexto para virada de mesa.

Até conseguiram liminar na Justiça comum, que garantiu o ingresso naquele campeonato, mas os clubes não admitiram que os rebaixados voltassem à competição pelas portas dos fundos.

Promoveram boicote nos jogos de Ponte e Birigui, que cumpriram rotina de concentrações, viagens, entradas em campo, sem que o adversários estivessem presentes.

A saudosa torcedora pontepretana Maria Conceição Rodrigues acompanhava o pontapé inicial. Depois, a juizada dava as partidas por encerradas.

E quando a Justiça obrigou clubes boicotadores a entrarem em campo para os jogos, o Guarani foi a Birigui e ganhou do Bandeirantes por 1 a 0, enquanto a Ponte só jogou contra o Corinthians, no Estádio do Canindé, além do confronto direto contra o Bandeirates, quando o goleou por 5 a 1, em Campinas.

RENATO MORUNGABA

Renato Morungaba (foto)

foi ponta-de-lança com raízes bugrinas, revelado pelo clube na década de 70.

Quis o destino que, já em final de carreira, após recuperação em clínica fisioterápica de Campinas, assinasse contrato com a Ponte Preta, entrasse no segundo tempo do dérbi de 1994, e marcasse o gol de empate por 2 a 2.

Guarani jogou com Pitarelli; Gustavo, Ronaldo, Fernando e Valmir; Adilson, Fábio Augusto, Djalminha e Robert (Alex); Tiba (Da Silva) e Clóvis.

Formação da Ponte: Brigatti; Marques, Pedro Luiz, Edson Mariano e Branco; Sidney (Renato), Júlio César, Guará e Esquerdinha; Mauricinho e Arnaldo Lopes.

Observação: Alex, diagnosticado posteriormente com problemas cardíacos, foi proibido de prosseguir na carreira. Todavia, no esforço feito para empurrar carro, visando pegar no 'tranco', teve mal-estar que desencadeou a morte.

BARRINHA

Em agosto de 1979 a Ponte iniciou período de tabu que se prolongou durante cinco anos. E naquela vitória por 1 a 0 o gol foi anotado por Barrinha, ponteiro-direito marcado na história dos pontepretanos exclusivamente naquela tarde, no Estádio Moisés Lucarelli. Depois ele sucumbiu.

Ponte da época: Carlos; Toninho Oliveira, Eugênio, Nenê e Odirlei; Wanderlei, Marco Aurélio e Humberto; Barrinha (Édson), Osvaldo e João Paulo.

Guarani: Neneca; Mauro, Gomes, Edson e Miranda; Zé Carlos (Marinho), Renato e Zenon; Capitão, Careca e Vicente (Miltão).

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03
NOV
Machado, goleiro do Botafogo que sofreu 11 gols contra o Santos, passou pela Ponte em 1968

Em 1968, o então presidente da República, Arthur da Costa e Silva, no período do regime militar, editou o Ato Institucional-5, com cassação de mandatos de parlamentares. Foi o ano em que assassinaram o líder negro pacifista Martin Luther King, nos Estados Unidos.

Em Campinas, foi mais um ano de sofrimento do torcedor pontepretano na antiga Primeira Divisão Paulista, quando dirigentes apostaram na montagem de equipe com veteranos.

Se os goleiros Wilson Quiqueto, Edson e Piveti se revezavam durante amistosos, no inicio da competição a vaga ficou com Galdino Machado, emprestado pela Ferroviária de Araraquara, que estreou no empate sem gols com o Paulista de Jundiaí, dia 30 de junho de 1968, neste time: Machado; Nelsinho Baptista, Beluomini, Beto Falsete e Santos; Chiquinho e Roberto Pinto; Carlinhos, Warner (Dicá), Paulo Leão e Adilson.

REGULARIDADE

Naquela trajetória pontepretana, Machado não sofreu mais de que um gol por jogo. Ele mostrou elasticidade nos saltos, precisa saída da meta, e comando da defesa aos berros.

Fim da temporada e retorno à Ferroviária, prolongou a carreira no XV de Piracicaba até meados da década de 70, mas a trajetória ficou marcada no Botafogo de Ribeirão Preto, por ter atuado na história goleada sofrida para o Santos por 11 a 0, dia 21 de novembro de 1964, no Estádio da Vila Belmiro, jogo em que Pelé foi autor de oito gols.

De certo os hoje avós e bisavós que presenciaram aquela façanha já não se lembram do time botafoguense e nem associam que o treinador foi o saudoso Oswaldo Brandão.

Então, recordemos: Machado; Ditinho, Hélio Vieira, Tiri e Carlucci; Berguinho e Adalberto; Zuíno, Alex, Antoninho e Gaze.

FARDAMENTO

Netos e bisnetos de hoje provavelmente não saibam que o fardamento de goleiros daquela época nada tinha a ver com esse que está aí. Camisas eram obrigatoriamente de mangas compridas, com acolchoado no peito, ombro e cotoveleiras. Calções também tinham proteção de acolchoado lateral. Já as joelheiras evitavam que pernas fossem raladas.

Detalhe: até o início dos anos 80, na delimitação da pequena área, colocavam camada de areia fina. A justificativa era evitar risco de o goleiro se machucar em saltos para praticar defesas, argumento desmentido posteriormente quando foi plantada grama em todo campo.

Machado, paulistano da Mooca, morreu em Ribeirão Preto no dia 15 de maio de 2015, aos 80 anos de idade.

  • Elomir Perussi
    04/11/2019 18:41

    Jornalista esportivo há 40 anos. “...Ato Institucional-5, com cassação de mandados de parlamentares.” Foram cassados os mandados de prisão dos parlamentares? E os mandatos políticos ficaram intactos?

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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