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17
SET
Vanderlei, ex-bugrino que morreu jogando

Há quase cinquenta anos aportava no Estádio Brinco de Ouro Vanderlei Machado da Silva, atacante forte que registrava passagens por Sport Recife, Corinthians e Inter portoalegrense, com atribuição de substituir o ex-banguense Parada, que havia se desligado do Guarani em dezembro de 1967.

Quis o destino que exercendo a sua profissão no Operário de Mato Grosso do Sul, Vanderlei morresse em 1973, durante partida diante do Madureira do Rio de Janeiro, na iminência de completar 30 anos de idade.

Na ocasião, quando ainda comemorava gol que havia marcado, ele sentiu mal-estar. Carregado ao vestiário, ficou constatada a morte em decorrência de ataque cardíaco.

Na estreia com a camisa do Guarani, Vanderlei fechou a goleada imposta do Flamengo por 5 a 2, em torneio quadrangular realizado no Estádio Brinco de Ouro, com título do Bangu e participação, ainda, do Grêmio, no mês de janeiro.

Como típico centroavante de área e boa compleição física, repartia a bola com a zagueirada e a empurrada pra rede. Tinha bom aproveitamento no cabeceio, e também explorava o chute forte de média distância.

No Guarani, inicialmente formou dupla de área com o meia-direita Ladeira, mas acabava substituído na maioria dos jogos pelo saudoso Capeloza.

DÉRBI

Vanderlei salvou o Guarani de derrota em dérbi amistoso no Estádio Moisés Lucarelli, em 1969.

Na ocasião, o Bugre saiu à frente, mas permitiu virada da Ponte com dois gols do saudoso meia Roberto Pinto. Isso se arrastou até os 37 minutos do segundo tempo quando Vanderlei empatou, em jogo apitado pelo campineiro Vilmar Serra.

A despedida de Vanderlei com a camisa bugrina ocorreu três dias antes do Natal de 1970, no empate sem gols com o Paulista de Jundiaí, em Campinas.

Comandado pelo saudoso treinador Armando Renganeschi, o Guarani jogou aquela partida com Tobias; Wilson Campos, Beto Falsete, Tininho e Alberto; Hélio Giglioli e Milton dos Santos (Ladeira); Carlinhos, Patito, Vanderlei e Bezerra.

Vanderlei foi irmão do também centroavante Silva ‘Batuta’, com passagens de sucesso pela Seleção Brasileira, Corinthians, Flamengo, Santos e Racing da Argentina, onde jogou ao lado do goleiro Cejar, Alfio Basile e zagueiro Perfumo.

  • Laurindo
    28/09/2017 17:53

    Curiosamente, em seu comentário, relativamente pequeno, o cronista citou alguns personagens já falecidos. Acho isso muito positivo, afinal, é preciso, de vez em quando, bater um espanador na poeira que lenta e inexoravelmente vai cobrindo o passado e seus momentos, independentes de serem gloriosos ou tristes. Lembro aquela frase: "Um povo sem passado não tem futuro."

  • Mesquita
    17/09/2017 21:57

    Parabéns pela coluna e pelo ótimo Futebol Interior. Sou do Mato Grosso do Sul e meu pai estava no jogo que o irmão do Silva morreu. Na época o futebol ainda era meio amador, meio profissional. Foi um jogo amistoso. Jorge Mesquita

11
SET
Adeus a Oscar Scolfaro, árbitro dos anos 70 e 80

No dia 31 de março de 2012 o jornalista Cassio Zirpoli, do jornal Diário Pernambucano, produziu texto intitulado ‘Sport x Flamengo, 30 anos depois’. O motivo para recapitular aquele jogo válido pelas oitavas-de-final do Campeonato Brasileiro foi reiterar críticas ao então árbitro paulista Oscar Scolfaro.

Após derrota por 2 a 0 no primeiro confronto disputado no Estádio do Maracanã, o Sport precisava de vitória por dois gols de diferença em Recife, para avançar na competição. E o placar de 3 a 1 seria obtido não fosse anulado por Scolfaro gol que os pernambucanos ainda argumentam legítimo nos minutos finais.

Oscar Scolfaro: carreira exemplar
Oscar Scolfaro: carreira exemplar
ABRIU O CAMINHO
Pois esse Scolfaro que apitou de 1971 a 1982, sujeito a erros involuntários como todo árbitro, morreu no último dia nove de setembro em Campinas, vítima de câncer, deixando histórico de árbitro com carreira sul-americana e apitando importantes confrontos pela Libertadores da América.

Tido como árbitro de primeira linha do quadro da CBF, incontáveis vezes foi indicado por federações estaduais para apitar decisões. O aprendizado para lidar com pressões ocorreu quando apitava no futebol varzeano de Campinas, sua cidade natal, quando, sem policiamento, habilmente contornava situações complicadas.

PRECISÃO TÉCNICA
Scolfaro se destacava pela precisão técnica, mas não relutava no aspecto disciplinar. No dia 12 de fevereiro de 1978, carregou na súmula do jogo em que o Botafogo de Ribeirão Preto venceu o São Paulo por 1 a 0, gol do saudoso meia Sócrates.

É que o então atacante Serginho Chulapa, quase no final daquela partida, deu um bico na canela do bandeirinha Vandevaldo Rangel, que marcou impedimento em lance convertido em gol. Foi quando Scolfaro relatou o fato que resultou em punição inicial de 14 meses de suspensão ao agressor, com redução de pena para 11 meses.

BOAS HISTÓRIAS
Nas histórias que Scolfaro contou ao saudoso radialista Fause Kanso, uma delas cita que, escalado para apitar Uruguai e Colômbia, pelas Eliminatórias à Copa do Mundo em Montevidéu, o avião teve que aterrissar em Buenos Aires, na Argentina.

Aí, o jeito foi rodar em um taxi a procura de vaga em hotel, não encontrada. Foi quando o motorista, apaixonado pelo futebol brasileiro, ofereceu a casa dele para hospedagem, a fim de que, no dia seguinte, o improvisado hóspede pudesse completar viagem e corresponder a escala àquele confronto sul-americano.

  • Eduardo
    18/09/2017 20:22

    Eu trabalhava na Varig e emiti várias passagens aéreas para o Oscar que seria árbitro em muitas partidas , inclusive de confrontos de Libertadores e eliminatórias de Copa do Mundo . Sempre conversávamos sobre as coisas do futebol . Adeus amigo e que descanse em paz . Que Deus conforte a família.

  • Carlinhos
    12/09/2017 18:19

    Tive o grande prazer em conhe-lo quando eu jogava e ele era comentarista esportivo. Uma pessoa sensacional em todos os aspectos, de caracter impar! Lamento muito ele nos deixar. Que Deus conforte a familia e o receba de braços abertos, pois merece e muito!!!

  • João da Teixeira
    12/09/2017 10:40

    Encarar o Oscar Scolfaro de que jeito? O cara era um guarda roupa tamanho família. Talvez fosse isso que implicava no respeito dos jogadores. Sem contar que vários árbitros avantajados partiam para cima dos jogadores atrevidos, como forma de admoestação. O Boschilla mesmo era um desses, o que não era o caso de Scolfaro, nunca vi partir para cima de ninguém, se não fosse agredido. Outra coisa, Scolfaro era um bom caráter, enquanto o segundo, era de caráter duvidoso.

  • João da Teixeira
    12/09/2017 10:39

    Enfim, Oscar Scolfaro e Renato Righetto foram dois bons exemplos de árbitros, cada um na sua especialidade, futebol e basquete respectivamente. E ambos da cidade de Campinas. É um orgulho para todos nós.

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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