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27
MAI
Paulo Amaral, três meses como treinador do Guarani

O último primeiro de maio marcou o nono ano da morte do truculento treinador Paulo Amaral, aos 84 anos de idade, no Rio de Janeiro.

Nova geração de bugrinos sequer imagina que ele foi treinador do elenco durante pouco mais de três meses em 1977, período suficiente para que atritasse com o então zagueiro Amaral.

Na época, a segunda-feira era sagrada para descanso dos jogadores. Geralmente a treinadorzada estendia a folga até a manhã de terça-feira, mas o disciplinador Paulo Amaral deu um basta naquele privilégio, e aquilo provocou rota de colisão com o zagueiro, que discordava.

DISCUSSÃO

O desdobramento foi áspera discussão entre ambos, que só não terminou em ‘tabefes’ do comandante por causa da turma do ‘deixa disso’, que impediu.

Paulo Amaral, brutamonte de 1,90m de altura, tinha histórico de nocautear quem ousasse cruzar o seu caminho. Já havia ‘acertado contas’ com quem quis agredir jogadores da Seleção Brasileira no Sul-Americano do Equador em 1959. Depois agrediu bandeirinha.

No caso do Guarani, o treinador manteve o zagueiro no grupo, mas o relacionamento ruim com a imprensa campineira precipitou seu desligamento após derrota em Campinas para a Portuguesa por 1 a 0, dia 16 de outubro.

A estreia ocorreu no dia 10 de julho de 1977, em substituição a Paulo Emílio, na vitória sobre o XV de Jaú, do treinador Cilinho, por 2 a 0.

Tecnicamente o time bugrino era bem treinado, inclusive com variações de jogadas e ensaio de lances ofensivos.

ZENON

Ele teve contribuição preponderante para aprimoramento do meia Zenon em cobranças de faltas. Após treinos do elenco, o então atleta repetia dezenas de cobranças de faltas, tendo como referência uma camisa colocada nas junções das traves e barreira móvel.

Consta ainda na passagem pelo Guarani o lançamento do centroavante Careca em partida amistosa contra o Matsubara do Paraná, no Estádio Brinco de Ouro.

O histórico do comandante no futebol começou como atleta de Flamengo e Botafogo.

Com formação em educação física, foi o pioneiro como preparador do segmento na Seleção Brasileira em 1958, com participação em Mundiais até 1966, ocasião em que exigia treinos de força aplicado a militares, na base de peso.

Até meados da década de 60, a maioria dos clubes não dispunha de preparadores físicos. Treinadores programavam basicamente aquecimento como prevenção à lesões musculares, antes da prática com bola.

Todavia, desde 1960 Paulo Amaral passou a exercer funções de treinador em clubes brasileiros e no exterior.

  • João da Teixeira 1
    31/05/2017 14:24

    O brutamonte, o Brucutu na aparência, era educado e andava às turras com jornalistas, porque a gente sabe que, não generalizando, jornalistas não são flores que se cheire. Na primeira conquista mundial do Brasil, Amaral destacou-se ao dar a volta olímpica com uma bandeira da Suécia nas mãos, em 1958, na final em Estocolmo. Depois do sucesso do Amaral é que os times brasileiros começaram a ter profissionais específicos para a função de preparador físico. cont.

  • João da Teixeira 2
    31/05/2017 14:24

    cont.Paulo Amaral, devido seu tamanho físico e gênio difícil, acabou sendo taxado como encrenqueiro. Durante o Sulamericano de 1959 no Equador, serviu até como "segurança" da Seleção, em uma tentativa de agressão, depois da derrota por 3x0 para o Uruguai, nocauteando várias pessoas que partiram para cima. Depois disso, "misturou as bolas", usando o seu tamanho para intimidar e até agredir. Paulo Amaral foi o primeiro caso de um cara que linchou uma multidão... cont.

  • João da Teixeira 3
    31/05/2017 14:23

    cont. ... hostilizado pela torcida, não teve dúvidas, pulou o alambrado e partiu para cima da torcida, distribuindo socos e fazendo os torcedores fugir dele. No Gfc foi demitido após romper relações com a imprensa campineira e discutir seriamente com o zagueiro Amaral, um dos principais jogadores do time. e olha que o Amaral era uma moça no trato. Impressionante, o cidadão foi taxado de mal educado no final da vida. Mas que jornalista não é flor que se cheire, isso é!

24
MAI
Urubatão jogava na Ponte na fatídica derrota para a Portuguesa Santista

Jogos que ficaram marcados na história da Ponte Preta são passados de geração a geração, e um dos mais enigmáticos foi aquela fatídica derrota para a Portuguesa Santista por 1 a 0, no dia 7 de março de 1965, no Estádio Moisés Lucarelli, em Campinas, gol do atacante Samarone.

Era jogo da antiga divisão de acesso ainda correspondente à temporada de 1964, e bastava um empate para que a Ponte retornasse à Divisão Especial, após queda em1960.

De certo pais e avós, que decoravam escalações da época, também repassaram aquele time pontepretano de Aníbal (Fernandes); Valmir e Antoninho; Ivan, Sebastião Lapola e Jurandir; Jair, Ari, Da Silva, Urubatão e Almeida.

O carioca Urubatão morreu no dia 24 de setembro de 2010, aos 79 anos de idade, vencido por um tumor cerebral e no pulmão. Antes de adoecer, havia se transformado em comentarista de futebol no rádio de Santos, cidade onde estava radicado quando deixou de treinar clubes.

Urubatão Calvo Nunes não foi um jogador de futebol acima da média. Ele passou pelo Santos nas décadas de 50 e 60, antes de se transferir à Ponte Preta.

Chegou no time santista em 1954 para disputar posição com o volante Zito e o zagueiro Formiga, e lá ficou durante seis anos, com histórico de bicampeão paulista em 1955/56, porém como reserva de um time formado por Manga; Hélvio e Ivan; Ramiro, Formiga e Zito; Tite, Jair da Rosa Pinto, Pagão, Del Vechio e Pepe.
Em 1959 foi vice-campeão regional após derrota para o Palmeiras por 2 a 1. Eis a patota da época: Laércio; Getúlio, Dalmo, Formiga e Feijó; Zito e Urubatão; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe.

TREINADOR

Como treinador, Urubatão foi rigoroso no aspecto disciplinar nas passagens por Portuguesa, Coritiba, Colorado (atual Paraná Clube), Londrina, Fortaleza e principalmente clubes do interior de São Paulo como Noroeste, América e Araçatuba.

Ele não permitia intimidade dos comandados, exigia boa aparência e pontualidade nos treinos.

No banco de reservas, dava mau exemplo ao acender um cigarro com o ‘toco’ de outro. A boleirada não reclamada da fumaceira por motivos óbvios, se bem que a maioria também era fumante naquela época.

  • João da Teixeira 1
    29/05/2017 17:21

    No mesmo dia em que morreu Urubatão, morreu o Pitico, o terceiro jogador que mais vezes atuou com a camisa pontepretana, com a impressionante marca de 537 jogos e marcou 28 gols, entre as décadas de 50 e 60. Nascido Agenor Epiphânio em 2 de agosto de 1926, em Campinas, faleceu aos 84 anos, no dia 24 de setembro de 2010, vítima de problemas pulmonares. Pitico foi Apaixonado pela Ponte Preta, Pitico costumava dizer que não precisava beijar o escudo para provar o amor ao clube.

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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