Cadê Você?

07
JUN
Farah, presidente do Guarani por dois meses

O último 17 de maio marcou o sexto ano da morte do empresário e desportista José Eduardo Farah, que presidiu a FPF (Federação Paulista de Futebol) de 1988 a 2003, quando revolucionou conceitos e implementou marketing esportivo em competições, reverberando favoravelmente aos clubes.

Farah foi bugrino que ia ao Estádio Brinco de Ouro de terno, e a primeira experiência como dirigente no clube ocorreu em 1967, quando de quinto vice-presidente assumiu a presidência.

Jaime Silva e Manoel Marques Paiva, principais na hierarquia da diretoria executiva, renunciaram aos cargos, demais vices recusaram assumir, e assim Farah completou o mandado durante os dois últimos meses.

Já na presidência da FPF, Farah entrou em rota de colisão com o Guarani, após críticas ásperas do então presidente bugrino José Luiz Lourencetti em 2001, irritado com arbitragem danosa contra o Palmeiras, na derrota por 2 a 1, no Brinco de Ouro.

'COME E BEBE DE GRAÇA'

Lourencetti lembrou que Farah havia participado da festa de aniversário de 90 anos do clube, na sede da Sociedade Hípica de Campinas.

“Ele vem aqui, come e bebe de graça, e ainda prejudica o clube em arbitragem”.

Acusação foi parar no TJD (Tribunal de Justiça Desportiva) da entidade, que aplicou multa de R$ 150 mil ao Guarani. Farah também fez questão de depositar R$ 160 em conta bancária do clube, correspondente ao valor do convite.

INOVAÇÕES NA FPF

Em 1995, Farah vendeu os direitos de exploração do Paulistão à empresa VR por R$ 45 milhões, e negociou transmissões de jogos com a Rede Gobo.

Também determinou numeração fixa nas camisas dos jogadores. Implantou parada técnica e spray para marcar posição da bola e barreira. Instalou placa eletrônica de tempo de acréscimo nas partidas, e jogos empatados sem gols eram decididos em cobranças de pênaltis.

Cada jogo passou a ter dez bola, houve incremento com gandulas femininas, foi lançado álbum de figurinhas e venda antecipada de ingressos.

Em 1998 ele criou o Disk-Marcelinho, que visava repatriar o jogador que não havia se adaptado ao Valência (ESP).

Ligações de torcedores dos quatro principais clubes paulistas foram feitas ao custo unitário de R$ 3, e o vencedor foi o Corinthians. Todavia, foram arrecadados apenas R$ 1,74 milhão, o que provocou renegociações com espanhois para redução dos R$ 15 milhões pedidos.

  • João da Teixeira
    10/06/2020 19:25

    Ninguém pode crítica o Farah na FPF. Num todo foi bem, mas usou sua influência para não deixar cair o bugre mudando o nome do campeonato e com a falcatrua realizada, o bugre não caiu. Não sabia, que ele foi fundado a presidente em 1967, mas lembro que nesse ano, se não me engano, o Gfc não caiu por causa de uma falcatrua, onde o Palmeiras entrou com um time juvenil para que o Gfc ganhasse e não caísse para a 2° Divisão. Parece que o Farah estava predestinado a salvar o bugre.

31
MAI
Adaílton Ladeira, eis aí o descobridor de Vadão

Passada mais de uma semana da morte do treinador Oswaldo Alvarez, o Vadão, aos 63 anos de idade, a mídia dissecou a carreira dele enquanto comandante de grupo. Assim, a coluna Cadê Você se dispõe a mostrar o lado pouco conhecido dele, enquanto atleta, com dez anos de carreira a partir da formação nas categorias de base do Guarani.

Justiça seja feita: Vadão só apareceu no futebol por iniciativa exclusiva do ex-treinador de categorias de base Adaílton Ladeira, enquanto vinculado ao Guarani em 1974.

À época, era hábito treinadores e supervisores de futebol folhearem o extinto jornal impresso A Gazeta Esportiva, quando Ladeira deparou com foto de Vadão enquanto atleta varzeano da cidade de Monte Azul Paulista.

No texto, rasgados elogios para o futebol dele, o que despertou-lhe curiosidade. O passo seguinte foi consulta sobre veracidade daquelas informações.

Pronto. Foi quando o ex-presidente bugrino Leonel Martins de Oliveira ordenou-lhe que fizesse uso de seu próprio veículo para buscar Vadão naquela cidade, pois trazendo-o imediatamente ao Brinco de Ouro seria possível amarrá-lo com contrato gaveta.

JUVENIL

Dito e feito. Vadão integrou o então juvenil bugrino, pois à época não havia a categoria de juniores, e assim formou meio de campo com o volante Manguinha.

Vadão foi aquele meia-armador canhoto com privilegiada visão de jogo para enfiada de bola, tinha habilidade, mas pesava contra ele lentidão e pouca combatividade na marcação, visto que esta não era a sua característica.

Assim, mesmo no juvenil oscilou e até perdeu a titularidade.

Profissionalizado, a concorrência foi desigual na função: Zenon, Brecha e Davi, com Zenon adaptado como ponta-de-lança, o antigo meia direita.

Aí Vadão acabou emprestado para ganhar experiências, se conscientizar da necessidade de também marcar, até que no Velo Clube de Rio Claro se adaptou de forma aceitável à função de ponta-esquerda que fazia o quarto homem de meio de campo, fechando por dentro.

De volta ao Guarani, a projeção era que ganhasse espaço no novo posicionamento, mas na prática ficou apenas na relação de jogadores prescindíveis, até que o passe fosse liberado.

PREPARAÇÃO FÍSICA

Se nos seletos time montados pelo Guarani não lhe sobrou espaços, a carreira teve continuidade em Paulista de Jundiaí, Noroeste e Botafogo de Ribeirão Preto, entre outros.

Após dez anos como atleta e já graduado no curso de educação física, Vadão projetou exercer essa função no futebol, e contou com ajuda do professor Pedro Pires de Toledo, para trabalhar como adjunto.

Já no Mogi Mirim, iniciou a carreira solo na função, na dobradinha com o saudoso treinador uruguaio Pedro Rocha.

E quando do desligamento do comandante, Vadão foi chamado para interinamente substitui-lo, mas voltou à preparação física com a contratação do treinador Geraldo Duarte. Na saída dele Vadão foi fixado como treinador, e ali começava a história que a mídia conta.

DESCOBRIDOR

Justiça seja feita, portanto, ao descobridor de Vadão, caso de Ladeira, que aos 78 anos de idade está aposentado da função de treinador, mas não descarta volta como supervisor.

Cá pra nós: com a carência de gente da bola nos clubes por aí, certamente Ladeira daria incrível subsídio a dirigentes.

Afinal, parafraseando o saudoso Zé do Piro, 'a maioria conhece bola por ter comido almôndega quando criança'.

Ainda não existem comentários.

Confiram as Postagens Anteriores:

1  2  3  4  5  6  7  8  9  10  11  12  13  14 
 

Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

Fale comigo