Cadê Você?

07
AGO
Roberto Pinto, jogador de meias arriadas da Ponte Preta

O atacante Neymar é useiro e vezeiro em ajeitar meia acima do joelho, e a mania passou a ser copiada por incontáveis boleiros.

A nova geração de desportista certamente desconhece que, quando era facultativo o uso de caneleiras, astros consagrados do como Casagrande, Marco Antonio Boiadeiro, Renato Gaúcho e o argentino Mario Kempes não levantavam as meias acima dos tornozelos. Alguns por rebeldia, outros por mero prazer.

Isso nos remete ao dia 26 de fevereiro de 1965 quando, no Estádio Moisés Lucarelli, o meia Fifi, então na Votuporanguense, jogou com meias arriadas e pernas engorduradas após massagem com óleo elétrico.

O espanto dos jovens com tal óleo é natural. Era usado até a década de 70 para aquecer as pernas e prevenir lesões musculares.

Na ocasião, a Ponte venceu por 3 a 2 em time formado por Anibal; Wilson e Antoninho; Ivan, Sebastião Lapola e Jurandir; Jairzinho, Ulisses, Da Silva, Urubatão e Almeida, com arbitragem de José Astolfi.

ESTREIA

Três anos e quatro anos depois, igualmente no Estádio Moisés Lucarelli, estreava um novo meia na Ponte, no lugar de Nenê Oliveira, e coincidentemente adepto às meias arriadas: o carioca Roberto Pinto, com currículo de título carioca pelo Vasco edição de 1958, porém encerrado em 59, nesse time: Miguel; Paulinho, Belini, Orlando e Coronel; Écio Capovilla e Roberto Pinto; Sabará, Almir, Vavá e Pinga.

Quando da estreia na Ponte, no empate sem gols com o Paulista, Roberto Pinto mal conhecia os companheiros: Machado; Nelsinho Baptista, Beluomini, Beto Falsete e Santos; Chiquinho e Roberto Pinto; Carlinhos. Varner (Dicá), Paulo Leão e Adilson Preguinho.

Ano seguinte, com precisão em cobranças de faltas e lançamentos de 40 jardas, Roberto Pinto colocava companheiros na cara do gol. Assim ajudou o time no acesso à elite paulista. Eis os campeões: Wilson Quiqueto; Nelsinho Baptista, Samuel, Araújo e Santos; Teodoro e Roberto Pinto; Alan, Dicá, Djair (Manfrini) e Adilson Preguinho.

ATÉ 1971

A despedida dele na Ponte ocorreu dia três de dezembro de 1971, na vitória sobre o América (RJ) por 2 a 1, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa.

Aí se transferiu para o Olaria (RJ), com fôlego para jogar até 1974, quando migrou à função de treinador.

Vinte anos após a última partida como atleta ele faleceu em decorrência de atropelamento no Rio de Janeiro.

  • TIO LEI
    08/08/2017 21:04

    1965. Eu com meus onze anos, já ia A PÉ do São bernardo , juntamente com meu finado irmão, Fernandão, assistir aos jogos, inclusive os AMISTOSOS, da nossa GLORIOSA PONTE PRETA. Fão incondicional do goleiro Anibal, Beto, Jairzinho e Capelozza. Claro que em 70, tantos outros "ídolos" nos surgiram. No jogo contra o S.Paulo, no MAJESTOSO, lembro que o "cidadão de preto" foi cumprimentar o Sr. Laudo Natel, sentado ao lado da entrada do antigo vestiário dos visitantes.

  • João da Teixeira
    08/08/2017 21:03

    Outra curiosidade, do time do Vasco de 1958, o goleiro Miguel foi o primeiro goleiro brasileiro a jogar no exterior/ USA e lá ficou, morando até hoje em Pensacola-FL, onde tem uma empresa que presta serviço à jovens jogadores de futebol americanos, chineses e japoneses, os levando para treinamento no CT do Furacão em Curitiba. Não seria má ideia um convenio com uma empresa europeia, para trazerem jogadores para treinamento no CT Pontepretano. Aprenderemos mais do que eles...rs

  • João da Teixeira
    08/08/2017 12:12

    Belluomini jogou como zagueiro no time do Gfc, antes de jogar pela Ponte e nem por isso houve tanto disse me disse na torcida da Ponte com relação a ele ter jogado no Gfc como acontece hoje. Roberto Pinto já era experiente e jogando com o time juvenil da Ponte deu liga. Foi um professor e esse time só não foi campeão Paulista em 70, porque o cidadão de preto, hoje da Globo, se impressionou com o Gov. Natel no banco do tricolor e deu um penal inexistente, arrebentando a porteira.

  • João da Teixeira
    08/08/2017 10:43

    Nesse time do Vasco do Roberto Pinto, tinha nada menos que três jogadores da região, Écio Capovilla de Valinhos, que tive o prazer de jogar, Bellini, zagueiro de Itapira e o velho Sabará, que também tive o prazer de jogar em rachões aos sábados à tarde, eu moleque e ele já veteraníssimo, lá no IAPI. Não sei se tinha mais jogadores daqui, acredito que não. Mas sendo três jogadores da nossa região em time do Rio, mostra a pujança do futebol do interior paulista outrora...

  • Pedro
    07/08/2017 20:31

    É meus amigo Ari, cheguei em Campinas no ano de 1970. Tive o prazer de ver muitas feras, na Ponte Preta e tb no Guarani, eu vi Roberto Pinto jogar na Ponte, e outros grandes jogadores, mas hoje infelizmente não da mais para assistir um jogo.

30
JUL
Paulo Leão, atacante e treinador de Ponte e Guarani

Após Zé Duarte e Waldir Peres, o espaço da semana da coluna é do saudoso Paulo Gracindo Leão, morto em abril de 2015, um profissional do futebol com passagens por Guarani e Ponte Preta, coincidentemente em ambos como atleta e treinador da base.

Bugrino da velha guarda jamais vai esquecer a goleada que seu time impôs ao Taubaté por 5 a 1, em jogo amistoso de 1961, no Estádio Brinco de Ouro, porque na ocasião o atacante Paulo Leão foi autor dos cinco gols, num time formado por Nicanor; Ferrari, Ditinho, Eraldo e Diogo; Hilton e Benê; Dorival, Paulo Leão, Cabrita e Osvaldo.

Paulo Leão havia chegado ao clube um ano antes, procedente de Lins (SP) - sua cidade natal - reafirmando estilo rompedor e destemido. A cada cruzamento ao interior da área adversária, repartia jogadas com a becaiada e, em vários deles, empurrava a bola para o gol.

Assim, despertou interesse do Palmeiras, mas a disputa pela posição foi inglória com o consagrado Vavá e posteriormente com o gaúcho Tupãzinho.

PONTE PRETA

Assim, o jeito foi admitir transferência ao América Carioca em 1964, até regressar a Campinas quatro anos depois na Ponte Preta, que havia montado um time de veteranos visando acesso à elite do futebol paulista.

Na estreia daquela competição, no empate sem gols com o Paulista, no Estádio Moisés Lucarelli, em 30 de junho, o time da Ponte teve essa formação: Machado; Nelsinho Baptista, Beluomini, Beto Falsete e Santos; Chiquinho e Roberto Pinto; Carlinhos, Varner (Dicá), Paulo Leão e Adilson.

A Ponte patinou naquele campeonato, mas o objetivo foi atingido na temporada seguinte mesclando garotos.

Paradoxalmente, atuando pela Francana na citada competição, Paulo Leão quase colocou água no chope dos pontepretanos, depois que o seu time saiu vencedor do confronto por 3 a 1, suscitando dúvida sobre o regulamento.

TRIBUNAL

Por fim, tribunal desportivo do Rio de Janeiro interpretou que as regras de saldo de gols beneficiariam a Ponte e o acesso foi confirmado.

A carreira de atleta de Paulo Leão se prolongou até os 32 anos de idade, quando migrou à função de treinador de equipes de base, com trabalhos em Ponte Preta e Guarani, inclusive atuando interinamente no comando dos profissionais.

Ele ainda tentou investir na carreira no futebol catarinense, com passagens entre outros clubes pelo Avaí, até diagnosticar que não prosperaria. Foi aí que decidiu ingressar no ramo de corretor de imóveis até adoecer.

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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