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Armadilha de pontepretano provoca ferroadas em palmeirenses

Com a proliferação de torcidas organizadas na década de 70, começou a crescer conflitos entre torcedores adversários. Os visitantes, geralmente em número inferior, levavam desvantagem nas brigas. Aí, quem apanhava prometia e cumpria desforra no jogo da volta, quando seu time era mandante.

A rivalidade fora de campo entre Ponte Preta e Palmeiras era maior do que no confronto entre palmeirenses e lusos. Como o público nos estádios totalizava quase o dobro se comparado à média atual, a segurança fugia do controle do policiamento, principalmente pós-jogo nas imediações dos estádios.

MOISÉS INTERDITADO

Em julho de 1977, com o Estádio Moisés Lucarelli interditado por 30 dias pelo TJD (Tribunal de Justiça Desportiva) da FPF (Federação Paulista de Futebol), o jeito foi a Ponte Preta alugar o estádio do rival Guarani, o Brinco de Ouro, para mando dos jogos contra Palmeiras e São Bento.

Abelhas ferroaram palmeirenses
Abelhas ferroaram palmeirenses

A vitória do Palmeiras por 4 a 3 foi marcada por gol em posição de impedimento do polivalente Jair Gonçalves, e principalmente pelas ferroadas de abelhas em dezenas de palmeirenses concentrados na cabeceira norte, a de entrada do estádio.

Um torcedor pontepretano se vingou literalmente. Arquitetou plano de transportar colmeia em caixa de isopor, driblou a vigilância de portaria passando-se por sorveteiro, e levou a tal caixa aos últimos degraus do lance de arquibancada. Lá, descaradamente, pediu a torcedores que vigiassem seu isopor, com desculpa que sairia a procura de troco.

Curiosos de plantão esperaram o ‘sorveteiro de araque’ desaparecer na multidão, para destaparem o isopor.

Aí, o plano de surrupiar picolés saiu pela culatra. Depararam com furiosas abelhas que, ao sobrevoarem o local, deixaram nas vítimas as marcas do ferrão.

CONSOLO

O consolo do palmeirense foi ver seu time vencer.

Já a Ponte Preta, com três gols de Dicá, empatava a partida em 3 a 3 até que Jair Gonçalves marcou o quarto gol do Verdão. Os outros foram anotados por Toninho Catarina (2) e Edu Bala.

A Ponte jogou desfalcada do goleiro Carlos, dupla de zaga formada por Oscar e Polosi, e atacante Rui Rei.

Saudoso treinador Zé Duarte
Saudoso treinador Zé Duarte

O técnico Zé Duarte, já falecido, escalou Rafael; Jair Picerni, Eugênio, Élcio e Odirlei; Wanderlei Paiva, Marco Aurélio e Dicá; Lúcio (Wilsinho), Parraga e Tuta.

No Palmeiras atuaram Bernardinho; Romerito, Beto Fuscão, Mario Sotto e Zeca; Pires, Ademir da Guia e Jorge Mendonça; Edu Bala, Toninho e Vasconcelos (Jair Gonçalves).

REGIONAIS

Na época, as competições regionais eram prioritárias no calendário anual brasileiro.

O Paulistão de 1977, com 19 clubes, começou dia 6 de fevereiro e se estendeu até 13 de outubro, quando o Corinthians quebrou jejum de título de 23 anos, ao ganhar da Ponte por 1 a 0, gol de Basílio, na terceira e decisiva partida.

Todavia, o recorde de público no Estádio Morumbi foi registrado no segundo jogo daquela final: 138.806 pagantes e 8.058 menores credenciados. O público total foi de 146.864 espectadores.

  • LUIZ EDUARDO TEIXEIRA
    19/12/2020 14:38

    Boa tarde Senhores! Eu estava no estádio nesse dia. Abelhas e correria à parte, foi um jogaço, inclusive com um lamentável (e inesquecível...) frango do saudoso Rafael... Abraços.

  • João da Teixeira 1
    19/12/2020 14:36

    Lembro-me desse jogo, estava lá, não sei bem por quê, mas assisti das sociais do bugre, nas cadeiras cativas de madeira que tinham lá. Realmente foi um jogam e no final o juiz deu um gol ilegal, um impedimento clamoroso do Gonçalves no gol de entrada da Arena Magnum, que acabou estragando o jogo. A torcida Jovem da Ponte era mais brincalhona e aprontava muito e não era tão encrenqueira como é hoje. Só pensam em brigar. Outra aprontada das boas, foi as alegornes brancas de asas..

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Atacante André justificava apelido de 'Catimba'

Apelidos de jogadores faziam parte do folclore do futebol, mas empresários deles e dirigentes passaram a proibi-los, e ainda exigiram que fossem identificados por nomes compostos. Assim, um dos últimos ídolos citado pelo pseudônimo foi o atacante Luís Fabiano, conhecido por Fabuloso.

Em janeiro de 1976 desembarcou em Campinas o baiano Carlos André Avelino de Lima para assumir a camisa nove do Guarani, que na temporada anterior foi vestida por Volnei, Sérgio Lima e Juti.

Ele passou em jejum na estreia diante do Palmeiras, mas deixou a sua marca na vitória por 3 a 1 sobre o Santos, nesse time bugrino: Sidnei Poly; Miranda, Amaral, Nelson e Caíca; Flamarion e Davi; Amilton Rocha, Renato Morungaba, André Catimba e Ziza.

PROVOCADOR

André justificou o apelido de André Catimba por ter sido considerado um centroavante que provocava seus marcadores e, por conta disso, causava expulsões. Afora esse destempero, colaborava em vitórias das equipes que atuava pelos gols advindos do estilo brigador e oportunista, embora no Guarani não teve o esperado faro de gols, pois a partir do terceiro jogo da equipe no Torneio Laudo Natel ficou cinco rodadas sem balançar as redes.

CAMPOS

Em julho ganhou a companhia de outro centroavante - caso de Campos - e ambos atuaram juntos quando o então treinador Diede Lameiro chegou a arriscar o ousado esquema 4-2-4, num ataque formado por Roberto, Campos, André Catimba e Ziza.

Do Guarani, André foi jogar no Grêmio e protagonizou um dos fatos marcantes na carreira com erro no salto quando comemorava o gol do título do Campeonato Gaúcho de 1977, conhecido como 'voo de André Catimba'.

Na comemoração durante Grenal - vitória por 1 a 0 -, ele projetou cambalhota, mas erro no movimento fez com que caísse com o rosto no chão, e se contorceu em dor.

Assim acabou substituído por Alcindo, em jogo que marcou quebra da hegemonia de oito anos do Inter na competição.

COM MARADONA

Parte da carreira ele passou por clubes baianos, entre eles o Vitória. Também foi parceiro do saudoso Maradona no Argentino Junior em 1980, concluindo a trajetória no extinto Pinheiros (PR), Comercial (SP), Náutico, Ypiranga (BA) e Fast Club de Manaus, em 1985.

No histórico da carreira consta passagem pela Seleção Brasileira que enfrentou combinado estrangeiro em 1973. Em outubro passado ele completou 74 anos de idade.

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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