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Quem não faz toma, né Guarani?

Foto: Thomaz Marostegan
Foto: Thomaz Marostegan

Um dia o filósofo de botequim disse que futebol é jogado e lambari é pescado.

Pois o suposto favoritismo do ascendente Guarani sobre o atolado Figueirense, na noite deste domingo em Campinas, caiu por terra, e o resultado foi empate por 2 a 2.

Este jogo no Estádio Brinco de Ouro pode ser analisado por diferentes ângulos e interrogações.

Teria o Figueirense proposta de encarar o Guarani mano a mano? Ou ao sofrer o gol, logo aos cinco minutos, as linhas teriam sido avançadas automaticamente?

Foi um jogo que se desenhava como a nona vitória consecutiva da equipe bugrina em seu estádio quando o meia Murilo Rangel foi ao fundo de campo e cruzou na cabeça do atacante Renanzinho, que, livre de marcação, testou e não deu chances de defesa ao goleiro Rodolfo Castro.

A tentativa do Figueirense na busca pelo empate ofereceu preciosos espaços para o Guarani contra-atacar.

PÊNALTI

Assim, apesar da falha grotesca de seu goleiro Gabriel Mesquita, ao sair atabalhoadamente da meta e cometer pênalti sobre o atacante Diego Gonçalves, aos 23 minutos, convertido por Lucas Barcelos, estava tudo aberto para o Guarani consolidar o placar. E não tardou para se colocar novamente à frente do placar.

Zagueiro Wálber arrancou com a bola de trás e o passe foi precioso para Renanzinho, que entrou por dentro, para explorar o 'costado' da zaga adversária. Aí, só tocou a bola pra rede na saída do goleiro Rodolfo Castro: 2 a 1.

E a consolidação da vantagem deixou de ocorrer por três motivos ainda no primeiro tempo: primeiro quando Bruno Sávio chutou bola açucara pra fora, em passe de Renanzinho. Depois, um lance com desdobramento. Pablo invadiu a área, sofreu pênalti do zagueiro Vitor Mendes, mas não marcado pelo árbitro Zandick Gondim Alves Júnior. Com sequência da jogada, Renanzinho finalizou e obrigou Rodolfo Castro a praticar defesa difícil

RANGEL E BRUNO SÁVIO

Duas mexidas no time bugrino durante o intervalo começaram a mudar a cara do Guarani.

Por lesões ou opção técnica do treinador Felipe Conceição, saíram Murilo Rangel e Bruno Sávio, para entradas de Rickson e Matheus Souza, respectivamente.

Se taticamente Rangel ocupava bem o lado esquerdo do campo, Rickson embolou por dentro, foi confuso, e a equipe teve perda de rendimento.

Pior ainda foi a participação de Matheus Souza, com perda de lances fáceis e redução do fluxo ofensivo.

Apesar disso, o Guarani ainda contava com o dinamismo do meia Lucas Crispim na organização de jogadas de ataque, o que deixou de ocorrer quando ele saiu para entrada do meio-campista Arthur Rezende, aos 28 minutos do segundo tempo.

Aí cabe explicação de Conceição por que tirou seu melhor jogador em campo?

Se estava claro que Crispim não fazia frequentemente a recomposição, compensava com a bola nos pés. Teria, ele, reclamado de lesão?

E as trocas foram se sucedendo na equipe bugrina, sempre com desvantagem. Para saída de Renanzinho entrou Giovanny. Pablo deixou a vaga para Rafael Costa.

MELHOR PARA O FIGUEIRENSE

No Guarani, aumentou a incidência de erros de passes, assim como possibilitou mais desarme de jogadas aos atletas do Figueirense, que mesmo sem força ofensiva para exigir defesas do goleiro Gabriel Mesquita, pelo menos passou a ampliar o volume de jogo no campo defensivo bugrino, já com três trocas de jogadores de ataque.

Assim, numa das vezes que o time catarinense rondou a área bugrina, em cobrança de escanteio, coube ao polivalente Matheus Neri acertar belo voleio no desdobramento da jogada, com bola fora do alcance de Gabriel Mesquita, no gol de empate aos 30 minutos.

Apesar da queda de ímpeto durante o segundo tempo, por duas vezes o Guarani teve chance de chegar ao gol.

Zagueiro Bruno Silva, livre de marcação, na pequena área, errou a testada. Depois, em cabeceio, Rafael Costa exigiu precisa defesa de Rodolfo Castro.

VAGA DISTANTE?

Ao subir para 44 pontos, cinco abaixo do Juventude que abre o G4, a questão que se coloca é sobre diminuição ou não das chances bugrinas de ingresso no G4.

Partindo-se de pressuposto de que apenas América Mineiro e Chapecoense têm mantido regularidade e praticamente garantiram acesso, as outras duas vagas estão abertas, até porque Cuiabá e Juventude têm oscilado.

Até a Ponte Preta, com 43 pontos, não pode ser descartada como postulante ao acesso.

  • Herald - II
    20/12/2020 23:19

    E do 5ª lugar, a 3 pontos do G4, o Bugre voltou aos 44 pontos, na 8ª posição. Por isso que eu tenho dito que o acesso é bastante difícil, e para todos os times. Não há grande diferença técnica entre a maioria dos times, mesmo aqueles em má situação na tabela. Os jogos são muito disputados e todos os times têm tropeços em jogos considerados mais fáceis. Por isso, têm mais possibilidades as equipes que se estruturam antes e vão somando pontos desde as primeiras rodadas.

  • Marcio
    20/12/2020 21:59

    Esse site é ridículo !!! Manchete de ontem: Vitória sobre o Confiança mantém sonho vivo ! Manchete de hoje: Empate deixa sonho do acesso mais distante ! Detalhe Guarani com 44 pontos e AAPP com 43 !!!! Vão se catar imprensa de m....!!!

  • Léo - Pr
    20/12/2020 21:59

    O time do Guarani é muito vacilão,hoje o time tem boas triangulação muitas coisa boa graças ao treinador porque o time é muito limitado,sempre na hora da chegada se enrola contra os piores,isso acontece com frequência com time do Guarani, quatro últimos jogos pra somar no mínimo 10 pontos somou 7 aí fica difícil,nossa sequência agora vai ser só pauleira.

  • João da Teixeira
    20/12/2020 21:58

    Síndrome de Robin Hood atacou o bugre novamente. Tirando pontos dos concorrentes e perde pontos para a ramperagem. Muita "humildade" foi a tonica do bugre, narizinho empinado, saltinho agulha 15 e bom futebol, mas perdeu para ele mesmo. Gosado, estamos fritando a Ponte pelo mal futebol jogado e o bugre coladinho, um com 43 e outro 44. Bom, foi um empate, mas com gosto amargo de deixar escapar a 5° colocação a 3 pontos da vaga do G4. Não conseguiu espantar a urbuzada ao seu redor

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Sabe-se lá como a Ponte Preta venceu o Confiança!

Foto: Luiz Neto/ADC
Foto: Luiz Neto/ADC

Vitórias no futebol estão aí pra serem comemoradas, mas desculpe-me, torcedor pontepretano, pois você não tem o mínimo motivo para comemorar o resultado por 2 a 1 sobre o Confiança, a menos que seja como aproximação da contagem clássica de 45 pontos para fuga de rebaixamento desta Série B do Campeonato Brasileiro.

Este jogo realizado na noite deste sábado em Sergipe foi fraquíssimo, embora não tivesse faltado transpiração de ambos os lados.

Com o treinador efetivado Fábio Moreno observa-se, além da mesma desorganização tática dos tempos do antecessor Marcelo Oliveira, falta de discernimento em escalação e troca de jogadores.

ALISSON

Sabia-se do risco da equipe com a escalação do zagueiro Alisson, mas o treinador pagou pra ver e viu o atleta cortar mal cruzamento, presenteando adversário, no lance que precedeu o gol de empate do Confiança aos 44 do primeiro tempo, ocasião em que erradamente foi o lateral-esquerdo Lazaroni quem subiu e perdeu de cabeça para o quarto-zagueiro Mancini do time sergipano.

Aos 28 minutos do segundo tempo, outra falha gritante de Alisson, mas por sorte dos pontepretanos o atacante Reis, que ganhou a jogada, praticamente recuou a bola para o goleiro Ygor Vinhas.

Isso tudo além dele não qualificar saída de bola.

Ora, por que um atleta com tamanha limitação é escalado?

Num elenco em que apenas o volante Dawhan mostra regularidade, por que Bruno Reis não tem camisa?

Aí insiste-se ora com Neto Moura, ora Luís Oyama, sem que ambos tenham convencido.

LENTO E PREVISÍVEL

Aquela lentidão na saída de bola dos tempos de Marcelo Oliveira, com passes improdutivos entre defensores e recuos de bola continuam como dantes no quartel de Abrantes.

A impressão que se teve é que a Ponte administrava o empate e deixava o tempo escoar no segundo tempo.

Com a ausência do atacante Bruno Rodrigues, que tem tentado fazer o papel de organizador da equipe e recuado para buscar a bola, o time perdeu rapidez na transição.

Soma-se à lentidão a pior atuação do meia Camilo com a camisa da Ponte. Ele não conseguia dar sequência a um lance sequer, compensado pelo esforço do meia Luan Dias, inclusive na recomposição.

LUAN DIAS

A rigor, a voluntariedade de Luan Dias em disputa de bola foi determinante para que a Ponte pudesse abrir o placar, pois ele ganhou de um adversário, serviu o atacante João Veras, que, incontinente, colocou o atacante Moisés na cara do gol, para fazer Ponte Preta 1 a 0, aos 29 minutos.

Antes disso, o mesmo Moisés havia se embaraçado com adversário, na tentativa de completar jogada, e ficou nisso a participação ofensiva da Ponte Preta durante o primeiro tempo.

MATHEUS PEIXOTO

Quando cita-se falta de discernimento de Fábio Moreno em escalação, isso se comprova com a insistência de João Veras como titular.

Embora ele tenha procurado se movimentar bastante, desperdiça a maioria das jogadas, e assim o time não segura a bola no ataque. Fica naquele bate e volta.

O indicado seria a fixação de Matheus Peixoto, que entrou aos 16 minutos do segundo tempo, mas naquela altura a bola pouco chegava ao ataque.

LÉO PEREIRA

Incompreensível foi a troca do lateral-direito Apodi - embora aquém de suas reais possibilidades -, para entrada de um lateral apenas marcador, caso de Léo Pereira.

Isso a menos que Apodi tenha se lesionado e pedido substituição.

E na metade do segundo tempo, como Moisés já mostrava desgaste e menos movimentação, teve validade substituí-lo por Guilherme Pato, que pelo menos correu e foi premiado com o gol da vitória, em jogada atribuída ao acaso.

Deslocado pelo lado direito do ataque, Oyama - que havia entrado no lugar de Neto Moura - deu chutão pra área. Aí, no desdobramento da jogada, em bola espirrada, Pato finalizou e marcou aos 38 minutos.

CONFIANÇA MAL

Nem se longe o Confiança repetiu o futebol bem agrupado que havia mostrado contra o Guarani, na quarta-feira, quando teve o domínio do jogo durante o segundo tempo.

Naquela partida o lateral-direito Thiago Ennes havia se destacado, ao criar volume de jogo pelo seu corredor.

Provavelmente devido à desgaste físico, optou por se resguardar e as jogadas de ataque do time sergipano se desenrolaram mais pelo lado esquerdo, porém sem consequência prática pela falta de qualidade dos atacantes.

Para a Ponte os problemas de arrumação da equipe estão aí, e pelo menos o resultado de vitória desanuvia o ambiente e provoca retorno de confiança perdida por alguns jogadores.

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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