04
MAI
Apostas sobre o dérbi entre Guarani e Ponte Preta chegam aos bares campineiros

Nos bares, instalação de TVs e apostas sobre o placar do dérbi. Em tempos nebulosos, felizmente nem sempre há predominância do mal. Se delinquentes travestidos de torcedores de futebol apavoram, e com isso exigem que autoridades adotem medidas extremas pra preservação da segurança - como torcida única em dérbi campineiro -, por outro lado a turma do ‘bem’ se esforça pra mostrar que nem tudo está perdido.

Se torcedores pontepretanos estão impedidos de ocupar a cabeceira norte do Estádio Brinco de Ouro, para o dérbi deste sábado, bares e acomodações em clubes sociais da cidade já se preparam para recebê-los, com exposição de seus respectivos televisores fixos ou telões.

Apostas sobre o dérbi entre Guarani e Ponte Preta chegam aos bares campineiros
Apostas sobre o dérbi entre Guarani e Ponte Preta chegam aos bares campineiros

O Cecojam (Centro Comunitário Jardim Amazonas), em Campinas, vai além.

O comerciante Zé Carlos - arrendatário do bar - avisa que já abasteceu o estoque de cerveja

- O bicho vai pegar - cita Zé Carlos, naturalmente citando sentido figurado de ‘o bicho vai pegar’.

Provocações sadias, sim. Apelações, jamais.

Defronte televisão de 32 polegadas, bugrinos e pontepretanos - como convém entre os civilizados - vão ficar lado a lado, sem restrição para gritar, aplaudir e criticar os seus jogadores, em ritmo certamente seguido pelos bares dos bairros.

Afinal, quem é do bem incorpora naturalmente o aviso de Arrigo Sachi, treinador da seleção italiana de 1994, quando disse que ‘futebol é a coisa mais importante entre as menos importantes’.

Logo, é imprescindível o prevalecimento do respeito mútuo, para preservação de longas amizades.

BOLÃO
Pra acirrar a velha rivalidade do futebol campineiro, o comerciante Zé Carlos fez questão de reviver os tempos em que se fazia bolão de aposta em dérbi entre os torcedores, com palpites sobre o resultado do jogo.

Isso remonta décadas, quando torcedores de mesma equipe eram partícipe do jogo ‘bolão de linha’.

O comerciante Zé Carlos - arrendatário do bar - avisa que já abasteceu o estoque de cerveja
O comerciante Zé Carlos - arrendatário do bar - avisa que já abasteceu o estoque de cerveja

Regra? Simples. Nos tempos em que os clubes obrigatoriamente faziam uso de camisas de um a onze entre os titulares, as apostas recaíam entre os números de sete a onze para designação do autor do primeiro gol de sua equipe.

Cravadas as apostas - geralmente no centroavante (nove) - o prêmio, em dinheiro, era dividido entre os vencedores.

Bugrinos e pontepretanos da velha guarda eram useiros e vezeiros deste bolão de linha, mas o costume foi sepultado nos anos 70, como sepultadas foram as criativas pautas produzidas por jornais e emissoras de rádio de Campinas.

O cerceamento de liberdade do profissional de comunicação para escolha do personagem a ser focalizado para o dérbi minou drasticamente a capacidade de os veículos produzirem matérias diferenciadas.

Oxalá diferenciados sejam os protagonistas do confronto campineiro deste sábado.

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03
MAI
Fatos inesquecíveis marcaram a história dos dérbis

Ainda na década de 70, vi o falecido Maurinho, segurança da Ponte Preta, incorporar o artista de artes marciais Bruce Lee com pernadas que atingiam até o pescoço de bugrino em dias de dérbi.

Tadeu Datovo, que já presidiu a Guerreiros da Tribo - e bom de briga -, colocou pontepretano pra correr nos anos 70 e 80, para se defender.

Claro que foram casos isolados à época, até porque era possível convivência civilizada entre rivais.

Conceição: provocadora
Conceição: provocadora
O saudoso Hilário Fornazielli, bugrino que sequer perdia treino, fazia questão de entrar no Estádio Moisés Lucarelli pelos portões principais, em dias de dérbis, e fardado com a camisa do Guarani.

Claro que ouvia impropérios quando percorria o alambrado defronte às cadeiras vitalícias. Tudo que não fosse absorvido com naturalidade.

Igualmente a torcedora pontepretana Conceição avisava que iria ‘ferver’ no Brinco de Ouro, e ouvia ofensa por um ouvido, que saía por outro, sem outras consequências.

TUTA X MAURO

Em campo registro para tabus com favorecimento de ambos os lados e o inusitado num duelo entre o ponteiro-esquerdo Tuta, da Ponte, e o saudoso lateral-direito Mauro Cabeção.

Pra escapar da dura marcação de Mauro, Tuta fez tabela com o pau de escanteio. Chutou a bola na baliza e pegou-a do outro lado, para delírio da galera.

Outro pontepretano abusado em dérbis foi o meia Dicá. Como esquecer a goleada por 3 a 0 no Majestoso em 1980, quando propositalmente colocou a bola entre as pernas do voluntarioso volante cearense Edmar, do Guarani?

FRANGAÇOS

Pelo menos três erros crassos de goleiros foram registrados nas décadas de 70 e 80.

Em 1973, quando o meia bugrino Alfredo arriscou chute do ‘meio da rua’, custou para o pontepretano perdoar o saudoso goleiro Waldir Peres por deixar a bola defensável passar entre as mãos dele e a trave.

Birigui: estigmatizado
Birigui: estigmatizado
No dérbi do século, em 1981, o goleiro bugrino Birigui fez o desserviço ao tentar defender bola mal recuada pelo lateral-direito Chiquinho, e a rebateu para a sua própria área. Assim, permitiu que Serginho, da Ponte, explorasse a falha e marcasse, em jogo com vitória por 3 a 2, que a levou à final daquele Paulistão.

Igualmente Sérgio Guedes, então goleiro da Ponte em 1984, sofreu frangaço em chute rasteiro do meia Neto, de longa distância. Foi o jogo da quebra do tabu pelo Guarani: 3 a 1, no Brinco de Ouro.

Há herois em dérbis que não repetiram façanhas em outros clubes. Do Guarani, meia Davi e polivalente Medina entraram para a história por decidirem partidas.

Rigena, centroavante da Ponte, sempre será lembrado por ter marcado três gols na vitória por 3 a 1, em 2003.

EXPULSÃO AOS 40 SEGUNDOS

Outro dérbi singularíssimo foi em 1983, no Brinco de Ouro.

Se o lateral-direito pontepretano Édson Abobrão imaginou que o pontapé intimidador em Neto fosse resultar em advertência, se enganou.

Edson Abobrão
Edson Abobrão
Com 40 segundos de bola rolando foi expulso pelo árbitro Almir Ricci Peixoto Laguna, mas paradoxalmente a Ponte venceu por 1 a 0, gol de cabeça do zagueiro Osmar Guarnelli.

Nos anos 90, o mais encorpado Guarani de Djalminha, Amoroso e Luizão teve supremacia sobre a Ponte Preta, em declínio.

Outra inesquecível emoção do bugrino ocorreu em 2012, quando a vitória por 3 a 1 sobre a rival possibilitou que chegasse à final do Campeonato Paulista. Foi o jogo de Medina.

Depois veia a decadência bugrina e cinco anos de ausência de dérbis.

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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