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08
ABR
Perda de visão encurta carreira de Ariovaldo

Quando o saudoso lateral-direito Mauro Cabeção se desligou do Guarani em 1980, para defender o Grêmio (RS), a lacuna só foi devidamente preenchida quando retornou ao clube em 1984, após passagem por Cruzeiro e Santos.

Houve erro de avaliação do saudoso presidente do clube, Antonio Tavares Júnior, ao buscar o baixinho Gaspar, da Francana, para substitui-lo.

Se não houve perda na marcação, o contratado mostrava claramente a falta de identidade ofensiva. Logo, o jeito foi recorrer ao lateral Ariovaldo, recém-saído dos juniores, com mais força para o arranque, embora igualmente com deficiências técnicas.

Time do Guarani que iniciou a temporada de 1981? Birigui; Gaspar (Ariovaldo), Jaime, Edson e Miranda (Almeida); Edmar, Ângelo e Jorge Mendonça; Paulo Borges, Careca e Capitão (Banana).

Naquele ano o Guarani conquistou a segunda estrela na camisa: de prata. Foi campeão da Taça de Prata - espécie de Série B do Brasileiro da época - após vitória na final sobre o Anapolina por 4 a 2 em Goiás e empate por 1 a 1 em Campinas.

CHIQUINHO

As oscilações de Ariovaldo implicaram em chance para Chiquinho - outro formado nos juniores - entre os titulares, mas a desgraça do jogador ocorreu em dérbi no Estádio Moisés Lucarelli de 1981, quando recuou mal a bola para o goleiro Birigui, que também cometeu erro grotesco de rebatê-la.

Na temporada seguinte o Guarani foi buscar o lateral-direito Rubens, que voltou a se revezar com Ariovaldo na lateral-direita. Entretanto, ambos perderam espaço na posição com a contratação de Sótter, do São José.

O desagrado com aqueles que ocupavam a lateral-direita resultou até em improvisação do volante Toninho Catarina na posição na temporada de 1983, até porque Ariovaldo havia se envolvido em grave acidente no mês de julho, quando o seu veículo Opala colidiu violentamente contra uma perua Kombi na Avenida Aquidabã, em Campinas.

OLHO DE ARIOVALDO

Dos quatro jogadores bugrinos no carro, registro para leves escoriações no volante Vicente e ponteiro-esquerdo João Paulo. O meia Biro-Biro foi medicado no Hospital Mário Gatti com cortes na cabeça, enquanto o olho esquerdo de Ariovaldo foi atingido por estilhaços de vidro, exigindo que se submetesse a cirurgia no Hospital Penido Bournier.

Houve perda de visão no olho afetado, mas Ariovaldo quis insistir em jogar futebol. Não pode. Assim, antes do retorno de Mauro ao Guarani em 1984, o clube ainda cravou mais duas tentativas na posição: primeiro Cocada - irmão do atacante Muller -, e depois Paulinho Pereira, contratado do Comercial de Ribeirão Preto.

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03
ABR
Geraldo Scotto, carrapato na marcação

Quando o saudoso treinador argentino José Poy assumiu a Ponte Preta em 1966, montou a equipe com jogadores experientes mesclados a outros recém promovidos do juvenil. Aí usou o trânsito livre no São Paulo para trazer a Campinas o volante Carbone - improvisado na lateral-direita -, volante João Leal Neto, e ponteiro-direito Walter Zum-zum. E ainda na capital paulista também influenciou para que o Palmeiras emprestasse o lateral-esquerdo Geraldo Scotto, que morreu no dia 27 de julho de 2011, aos 76 anos de idade, vítima de parada cardíaca.

Logo na primeira partida de 1966, dia 30 de janeiro, na goleada por 4 a 1 sobre o Juventus, em partida amistosa no Estádio Moisés Lucarelli, o time pontepretano foi esse: Valdemar; Carbone, Egídio, Ademir e Geraldo Scotto; Leal (Ivan) e Bebeto; Walter, Roberto, Capeloza e Américo (Rodrigues).

Geraldo Scotto ocupou o lugar do lateral-esquerdo Lairton, um grandalhão que igualmente se adaptava à função de lateral-direito e volante. Por isso Beto Falsete passou a ser requisitado na lateral-esquerda nas seguidas lesões de Scotto, que ficou na Ponte Preta até 14 de dezembro daquele ano, despedindo-se no empate por 1 a 1 com o XV de Piracicaba, em Campinas, quando o time estava bem modificado: Piveti; Nunes, Celso, Ademir e Geraldo Scotto; Leal e Joaquinzinho; Serginho, Dicá, Adilson II e Jonas.

CARRAPATO

Na Ponte, Scotto ratificou a fama de marcador que grudava no atacante adversário. Isso resultou no apelido de ‘Carrapato’ desde que estreou no Verdão dia 29 de maio de 1958, na vitória por 2 a 1 sobre o Nacional da capital paulista, em jogo amistoso.

Nos bons tempos de Palmeiras ele anulou o ponteiro-direito Mané Garrincha, ídolo botafoguense, e revelou o segredo. “Eu olhava para a bola e não para o corpo dele”.

Um ano depois foi convocado à Seleção Brasileira, e jogou nesse time: Gilmar; Djalma Santos, Belini, Vitor e Geraldo Scotto; Dino e Chinesinho; Julinho, Almir, Delém e Roberto.

A história dele no Palmeiras terminou no dia 17 de dezembro de 1967, na vitória por 2 a 1 sobre o Juventus, também em amistoso, quando totalizou 352 partidas. Ele ainda passou por Nacional e Juventus.

Depois trabalhou como vendedor de chapa de aço até roubarem-lhe o carro. Aí preferiu gastar o tempo limpando quintal ou em bate-papos com amigos. “Fico vagabundeando”, resumiu.

  • João da Teixeira
    03/04/2017 10:28

    Não me lembro de Geraldo Scotto jogando pela Ponte, mas me lembro de Capelozza e Rodrigues. Foi o primeiro meio campo da Ponte que vi jogando no Moisés Lucarelli contra a Prudentina, a recém campeã da 2ª divisão Paulista, ao vivo e a cores. Resultado do jogo, 2x0 para a Macaca.

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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