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MAI
Doriva soube organizar a Ponte para ganhar o dérbi

A retumbante vitória da Ponte Preta no dérbi campineiro, por 3 a 2, na noite deste sábado, serve para desmistificar tabus no futebol.

Citada extrema vantagem do mandante por causa do fator campo e torcida é coisa que foi pro ‘beleleu’ há tempos, mesmo com torcida única.

Prudentemente o Ministério Público impediu que o pontepretano compartilhasse espaço da arquibancada do Estádio Brinco de Ouro, e crítico de plantão tiveram resposta bem antes da bola rolar sobre o acerto da medida: briga de torcedores rivais no bairro São Bernardo resultou em morte de pontepretano.

Quem interpretou que o Guarani estaria mais ‘inteiro’ no dérbi, porque teve dez dias de tempo para se preparar, deu com os ‘burros n’água’.

Futebol é ritmo de jogo. A sequência de duas partidas em intervalo de uma semana trouxe essa consequência positiva à Ponte Preta, assim como a colocaria em risco caso perdesse jogador por lesão ou suspensão, o que não ocorreu.

REVIGORADA

Quando segmentos da mídia local interpretaram que a Ponte Preta saiu revigorada na derrota para o Flamengo, quarta-feira passada, a constatação foi de desconfiança por parte da torcida pontepretana, pois ofensivamente a equipe não correspondia.

Todavia, aquele jogo serviu para dar convicção ao treinador pontepretano Doriva que seria possível propor o jogo neste dérbi, mesmo no campo do adversário. E essa confiança foi repassada aos jogadores.

A dobra de Orinho e Danilo Barcelos, na ala esquerda pontepretana, serviu inicialmente para encurtar as passadas do meia bugrino Bruno Nazário, e depois para que Orinho pudesse se soltar em algumas jogadas.

Quando se vê nessa situação, é praxe o lateral-direito Lenon, do Guarani, priorizar a marcação, e esporadicamente avançar. Só ganhou coragem de atrevimento ofensivo quando o Guarani, num todo, passou a atacar mais, no segundo tempo.

ACERTOS DE DORIVA

O mapa da mina elaborado pelo treinador pontepretano Doriva foi em cima da desastrosa capacidade de marcação do lateral-esquerdo bugrino Marcílio. Assim, o atacante André Luís foi acionado seguidamente e levou nítida vantagem no duelo.

Como a Ponte manteve a compactação de meio de campo com Barcelos, Thiago Real, Paulinho e André Castro, a alternativa de o Guarani trabalhar a bola por dentro foi minada, assim como já não tinha organização pelas beiradas.

Apesar disso, o Guarani abriu o placar após cobrança de escanteio de Nazário aos 12 minutos, com cabeçada do zagueiro Éverton Alemão, e bola resvalando em Barcelos, que marcou contra.

Nem por isso a Ponte se desarticulou. Inicialmente contou com falha de marcação do Guarani para chegar ao empate aos 21 minutos, igualmente através de cobrança de escanteio, indecisão do goleiro Bruno Brígido na saída da meta, e prevalecimento do zagueiro Reginaldo, que testou a bola para o canto direito.

Aí o Guarani caiu na armadilha da Ponte ao se lançar ao ataque, na tentativa imediata de desempate, oferecendo a preciosidade do contra-ataque ao adversário.

Foi assim que três minutos depois a Ponte se colocou à frente do placar. Em bola lançada nas costas de Marcílio, André Luís dominou, aplicou drible seco no adversário, e arrematou sem chances de defesa para Brígido.

A Ponte era senhora absoluta do jogo, e até poderia ter ampliado em outros dois lances antes do intervalo, ambos com o atacante Fellipe Cardoso: primeiro ele exigiu defesa difícil de Brígido; depois não soube dar a cavadinha quando ficou na cara do gol, mas chutou a bola no corpo do goleiro.

No lance, cabe registro que os zagueiros Édson Silva e Éverton Alemão foram totalmente envolvidos.

Esporadicamente o Guarani ameaçava. Em um dos lances o apagado atacante Erik chutou a bola fora do alcance do goleiro Ivan, mas Renan Fonseca salvou quase na linha fatal.

LOUZER DEMORA

Quando supunha-se que o treinador bugrino Umberto Louzer fosse voltar para o segundo tempo com o meia Guilherme, quer no lugar de Rondinelli, quer no de Erik, preferiu retardar mudança.

Louzer, outra vez, demorou para mexer
Louzer, outra vez, demorou para mexer

Assim, a Ponte manteve a consistência e ampliou a vantagem aos 12 minutos, quando, após rápida troca de passes, a bola caiu novamente nos pés de André Luís, que antecipou-se à marcação de Marcílio e marcou 3 a 1.

Como André Luís dava sinais de cansaço, Doriva raciocinou que ao colocar Roberto a Ponte manteria a intensidade pelo lado direito do ataque, e com isso evitaria que o Guarani se desgarrasse pelo setor.

Teoricamente a proposta foi válida, mas Roberto não rendeu o esperado até na recomposição.

Por sorte dos pontepretanos, Marcílio continuou acanhado na marcação e Rafael Longuini, que substituiu Erik, não provocou ganho de qualidade.

BARAKA

Louzer se irritou com o fraco desempenho do volante Baraka e agiu corretamente ao substitui-lo por Denner, para ganhar qualidade na saída de bola e chute.

Treinador bugrino também enxergou que o período no estaleiro do centroavante Bruno Mendes tirou-lhe o necessário ritmo de jogo, e foi válida a troca dele por Anselmo Ramon, principalmente na tentativo do jogo aéreo, expediente muito repetido pelo Guarani no segundo tempo.

Todavia, prevaleceu a experiência da Ponte Preta para se defender, na tentativa de sustentar a vantagem.

Não fosse a precipitação do zagueiro Renan Fonseca, ao cometer pênalti desnecessário em Rafael Longuini, de certo o Guarani não chegaria ao segundo gol, aos 27 minutos, em cobrança de Rondinelli.

E foi a Ponte que novamente teve a chance de ampliar, não fosse a falta de perícia de Fellipe Cardoso em finalização.

Aos 49 minutos, ele arrancou sozinho de seu campo de defesa, e, ao ficar livre diante do goleiro Bruno Brígido, chutou a bola sobre ele, perdendo gol incrível.

  • Amorim
    06/05/2018 13:49

    Sou Bugrino mas não sou besta, Vitoria justissima da Ponte , não fosse o bom goleiro do bugre e falta de categoria de atacante da Ponte o placar seria 6x2 . Como pode no futebol de hoje só correria ter um zagueiro ( E.Silva ) pesando 10 Arrobas ? E Quem foi o esperto que contratou Marcilio ? quanto a muitos espaços nas arquibancadas a morte do garoto horas antes explica . Morrer por time de futebol compensa ? e a familia ?

  • dony
    06/05/2018 13:47

    o presidente do gfc na sexta feira disse que estava há 3 noites sem dormir, de sexta prá sábado também não deve ter dormido , depois do vareio de bola que levaram no sábado não deverá dormir por mais uns 3 dias, eu recomendo interna-lo prá uma sonoterapía, e ainda quando acordar vai fazer a clássica pergunta, alguém anotou a placa.

  • JP
    06/05/2018 10:32

    Esse derby foi bom para restabelecer a ordem na cidade. Não era difícil ouvir antes da bola rolar que a Ponte Preta seria goleada. O lado verde de Campinas achou que o título da fraquíssima série A2 , credenciavam a vencer fácil a Ponte Preta. Mas que falta de visão, maturidade e humildade dessa Diretoria do Guaranibis!! A Ponte Preta só não aplicou uma goleada histórica, porque Cardozo perdeu gol imperdível e Brigido fez milagres !

  • RMaia
    06/05/2018 10:31

    Jogando em casa, o Guarani estava muito mais nervoso que a Ponte, facilitou muito a estratégia pontepretana que foi sufocar Nazário e Rondinelli. Destaque negativo do Guarani foi o fraco Marcílio e positivo Bruno Brígido que salvou o time de levar uma goleada, já a Ponte o destaque negativo foi Fellipe Cardoso, pelo gol perdido no final de jogo, afinal numa decisão craque decide e ele não decidiu e os destaques positivos Doriva e André Luis. Jogo nervoso, mas tecnicamente médio.

  • Fabio Sanches
    06/05/2018 10:30

    o time dos 3% é claramento de terceira divisao...muito fraco...

  • Barban
    06/05/2018 10:30

    Acredito que esse é o primeiro jogo que a ponte sai atrás no placar e consegue a virada nesse ano. Se eu estiver errado alguém me corrija. Espero que o time continue evoluindo

  • DE ARI PARA CABEÇA
    06/05/2018 10:29

    Prezado Cabeça, observando atentamente imagens da TV Band-Campinas, neste domingo, também constatei vários vazios nas dependências do estádio. Enfim, anunciaram público superior a 18 mil pagantes

  • Tony
    06/05/2018 10:08

    Felipe Cardoso corre muito mas não sabe fazer gols. Alguns setores precisam de acertos - André e Paulinho nao protegem a zaga; o outro zagueiro Leo Santos é melhor; Roberto está sem preparo....E C Mineiro quiz dar chapeú e perdeu a bola que originou o penalty.

  • Tony
    06/05/2018 10:08

    Apesar do bom plantel que a Ponte está montando, tem jogador que não será util - Ronaldo, Tony, Marciel, mesmo o Roberto que acaba de chegar - sem falar no Lucas Mineiro que foi dar chapéu no meio, perdeu a bola e a Ponte tomou o penalty, que quase mela nossa vitória - Atençao Doriva!

  • Cabeça
    06/05/2018 10:07

    Vamos falar sobre o Derbi, primeiro lugar ficou claro que o time bugrino não é o novo Barcelona como sua torcida estava pensando, uma coisa é A2, outra coisa é a B, por exemplo Baraka foi bom marcador na Ponte uns 5 anos atrás, Erik jogou uns 30 minutos no máximo na Ponte muito fraco, 3x2 foi bom resultado para o Guarani. Bruno Brigido melhor em campo, fez 4 milagres, juiz não deu pênalti claro no começo do jogo, e demos os gols dos bugrinos, hoje era para ser uns 5x2.

  • Cabeça
    06/05/2018 10:00

    Ainda destaco a soberba, Nazario, Zini e a torcida estavam falando que iriam atropelar, estavam muito entusiasmados Resumindo jogar contra XV, Oeste é uma coisa, jogar com time grande de série A é outra. Campinas tem dono e chama-se Ponte Preta. Outra coisa, falar que tinham 18 mil no estádio é mentira, cabeceira do placar vazia, farça de Campinas.

  • Barba - Cenários (1)
    06/05/2018 00:51

    Alguns cenários na partida: 1) O juiz é ladrão e bugrino de carteirinha - Deu o penalty pra Ponte, voltou atrás e jogou a responsabilidade nas costas do bandeira encoberto no lance; 2 jogadores do GFC amarelados fizeram falta para o 2o amarelo e o juiz "amarelou"; e ainda deu 11 minutos de acrescimo.

  • Barba - cenários (2)
    06/05/2018 00:51

    Os 2 volantes não jogaram bem hoje - Paulinho errou muito e o André estava meio perdido. Mas a garra do restante da equipe compensou. Ainda não temos um camisa 9 - Felipe Cardoso perdeu QUATRO gols feitos. Mas brigou bastante.

  • Barba - cenários (3)
    06/05/2018 00:50

    Agora, o Orinho, André e o Danilo Barcelos tem garra, raça e torcem para a Ponte - Isso ficou provado! e Calaram um Brinco de Ouro lotado, de novo. O mais importante, como dissemos o ano inteiro, é que com o GFC na serie B, a Ponte Preta tem 6 pontos garantidos.

  • Danilo Sanches
    06/05/2018 00:48

    Macaca 3x2 Pipoca

05
MAI
Guarani na trilha do renascimento; Ponte Preta busca afirmação

Os cinco anos sem dérbi refletiram nesse alvoroço para o reencontro de Guarani e Ponte Preta no gramado, na noite deste sábado.

Se cotidianamente evito análise aprofundada sobre o pré-jogo, por julgá-lo mais achismo de que praticidade, é natural que em dérbi cabe-me uma ‘tucanada’, embora confesse antipatia pelo partido político, e por motivos óbvios.

Quem atribui favoritismo para quaisquer dos lados deve se mirar no apropriado exemplo de 1983, quando a Ponte Preta atuou com dez jogadores e venceu o Guarani com onze.

Na postagem anterior foi citado que o então lateral-direito Édson Abobrão, da Ponte, acabou expulso com 40 segundos de partida, e a sua equipe ganhou aquele jogo por 1 a 0.

Cabe-me, então, mergulhar na alma do bugrino, pois enseja mais de que nunca a vitória, independente do adjetivo que a qualifique.

BUGRINO IRONIZADO

Por longos cinco anos o bugrino foi ‘esmagado’ e se viu indefeso.

Engoliu seco a ironia de um rival em reconhecida supremacia e rezou pela sobrevivência de seu clube.

Foi um susto aquela montanha de processos trabalhistas, ações judiciais de fornecedores e risco de fechamento das portas quando a empresa Maxion arrematou o Estádio Brinco de Ouro, no leilão de 2015, por R$ 105 milhões.

Se aquela receita seria incompatível para quitação de dívidas, como construir novo estádio ou arena?

Aí, bênçãos sobre o jurídico do Guarani foram derramadas e a situação revertida.

Com leilão anulado em primeira instância, tratativas de pagamento de dívidas trabalhistas ficaram atreladas ao Grupo Magnum, do empresário Roberto Graziano.

Aleluia! Foi a sobrevida do Guarani. A cor do dinheiro possibilitou que o clube tivesse um ‘norte’, e escapasse daquele terreno pantanoso.

O passo seguinte foi busca do resgate de sua história, com comemorados acessos de divisões em competições estadual e nacional.

Aí, o cabisbaixo bugrino recuperou a altoestima. Deu exemplo de como se abraça de vez o seu time. Respondeu a incrédulos com presença maciça nos jogos, independentemente do local.

PONTE OSCILA

A Ponte ainda sofre com o buraco provocado por gestores do futebol na temporada passada.

O tombo no orçamento desorientou os atuais dirigentes.

Com dinheiro contado e receio da reincidência de erros em contratações, houve equivocada aposta na garotada da base, que ainda carece ser lapidada.

Ultimamente, táxis começaram a estacionar quase diariamente nas portas do Majestoso trazendo jogadores, que supõem-se sejam reforços.

No tira e põe de boleiros da equipe, o treinador Doriva faz a necessária triagem para dar cara a um time há muito desconfigurado.

FLAMENGO

Se antes da partida diante do Flamengo a Ponte era oscilante, com alternância de atuações razoáveis a horrorosas, o fio de esperança de seu torcedor foi o rendimento da equipe na quarta-feira, com indício de futebol compactado e competitivo, apesar da derrota.

Ainda não se insere nesse contexto qualidade para criação de jogadas e aproveitamento em finalizações.

Enquanto isso não acontece, a palavra superação tem sido a mais ouvida pelas bandas do Majestoso.

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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