Cadê Você?

09
FEB
Tuta, um ponteiro que duelou com o irmão Zé Maria

No passado, eram comuns histórias de sucesso de irmãos no futebol, quer atuando na mesma equipe, quer como adversários. Incomum foi um ponteiro-esquerdo tendo que enfrentar um irmão lateral-direito, como seu marcador. Essa história dos Rodrigues é contada por quem viu em campo o duelo de João Margarido, o Tuta, atacante nos tempos de Ponte Preta na década de 70, contra Zé Maria, lateral do Corinthians.


SUPER ZÉ

E o 'super Zé' não amaciava pra evitar lesão do irmão. A marcação em nada diferenciava daquelas postas em prática contra outros ponteiros. Por isso, no encontro do churrasco noturno de confraternização pós duelo, Tuta, tornozelos inchados, mostrava as marcas de botinadas.

A rigor, quem direcionou inicialmente a carreira de Tuta foi Zé Maria, que em 1967, vinculado à Portuguesa, o levou ao juvenil do clube, e igualmente o transportou ao Corinthians quando pra lá se mudou dois anos depois. Ambos se separaram quando Tuta chegou à Ponte Preta no final de 1970, caracterizado como ponta-de-lança que atuava pela meia esquerda.

CILINHO VIU LONGE
Foi quando o saudoso treinador Cilinho dimensionou que a velocidade de Tuta poderia ser mais bem aproveitada como ponteiro-esquerdo, com projeção de chegar ao fundo de campo para cruzamentos. Logo, foi preparado como substituto de Adílson Preguinho, transferido ao Fluminense.

A princípio o veloz Tuta se embaraçava nos cruzamentos e a torcida se irritava. Aí o paciencioso Cilinho ensinou-lhe a inclinação adequada de corpo para bater na bola e a curva para alcançar o centroavante de frente, visando o cabeceio.

Assim Tuta brilhou como assessor de goleadores, e não convertendo gols. Isso seguiu até 1979 quando lesões no joelho, com cirurgias de meniscos e ligamentos, tiraram-lhe a mobilidade. Houve insistência de prosseguimento na carreira, terminada dois anos depois no Independente de Limeira e Anapolina (GO).

COMANDO DOS JUNIORES
No final de 1982 o desafio de Tuta foi comandar o time de juniores da Ponte, marcado já na temporada seguinte pela conquista do título estadual e revelação de jogadores como os atacantes Valmir, Vagner e Sinval, além dos meio-campistas Régis e Mário Luís,

Ainda na Ponte, Tuta foi auxiliar do ex-treinador Carbone, e posteriormente supervisor ainda no clube, ambas funções entre os profissionais. O desligamento deu-se em janeiro de 1996. Agora, aos 69 anos de idade, curte aposentadoria.

  • João da Teixeira
    29/03/2020 10:08

    Tuta deu maior sorte no futebol. A sorte foi de jogar com o lateral esquerdo Odirlei na suas costas, ao seu lado e na sua frente. O extraordinário lateral jogava por ele e por quem aparecia na sua "zona de atuação", não só o Tuta. Por tudo isso, Tuta acabou aparecendo em alguns lampejos, como aquele que deu um drible utilizando o pau de escanteio do campo. Gente, lembra disso, porque eu mesmo não me lembro do campo contra quem é qual time.Tuta, Monga e outros, apareceram, mas

31
JAN
Adeus a Flamarion, ótimo volante, mas carreira de treinador não decolou

A morte do ex-volante Flamarion Nunes Tomazolli nos remete à época em que dois ou até três irmãos vingavam em clubes de futebol.

Zico, o maior ídolo do Flamengo, é parte de uma família em que o irmão Antunes, atacante já falecido, atuou ao lado do outro irmão Edu, meia luziu no América do Rio de Janeiro.

César Maluco, centroavante do Palmeiras nos anos 70, é irmão dos também atacantes Caio Cambalhota - com passagem pelo Flamengo -, e Luisinho, que marcou época no América do Rio e discreta passagem pelo Palmeiras.

Flamarion foi o primeiro dos mineiros da família Tomazolli, de Ouro Fino, a fazer carreira no Guarani, a partir da base. Atacantes Jarbas (na foto) e Escurinho não trilharam a mesma carreira de sucesso.

JUVENIL EM 1965

Estilo clássico como volante

era indício de que Flamarion seria mais uma das revelações do juvenil bugrino.

Daquele time de 1965, em que ele fez dupla de meio de campo com Sílvio, mais dois vingaram no profissional: ponteiro-direito Lindoia, que posteriormente se transferiu ao Corinthians, e zagueiro Guassi.

Três anos depois, dirigentes bugrinos usaram Flamarion irregularmente em jogo contra o Palmeiras, pelo Paulistão, para livrar a barra do adversário, à época ameaçado de rebaixamento à divisão inferior.

No campo foi registrado empate por 1 a 1, mas o Palmeiras ganhou os pontos no tapetão, que ajudaram a salvá-lo do pior.

É que à época o Palmeiras havia priorizado a Libertadores, ficando vice-campeão, e se descuidou da competição regional.

Até 1976 Flamarion foi absoluto no meio de campo bugrino. Apesar do estilo técnico, era preciso no desarme, principalmente porque tinha o tempo exato de bola para antecipação.

Por isso o Cruzeiro tratou de levá-lo para ocupar a camisa cinco até então do intocável Wilson Piazza.

Flamarion ainda jogou no Sport Recife e Botafogo de Ribeirão Preto, com carreira encerrada em 1984.

TREINADOR

O histórico de Flamarion enquanto atleta abriu portas quer no Guarani, quer na Ponte Preta, já na função de treinador dos profissionais, mas não prosperou.

Ainda em ambos os clubes teve novas oportunidades nas categorias de base, mas igualmente não deslanchou.

Assim, retornou a Ouro Fino, onde chegou a exercer função no esporte, na prefeitura da cidade.

Ultimamente lutava contra um câncer e morreu aos 68 anos de idade no dia 27 de janeiro passado.

Ainda não existem comentários.

Confiram as Postagens Anteriores:

1  2  3  4  5  6  7  8  9  10  11  12  13  14 
 

Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

Fale comigo