Cadê Você?

19
FEB
Washington, comparação equivocada com Pelé

O 15 de fevereiro passado marcou o décimo ano da morte do ponta-de-lança Washington Luiz de Paula, em decorrência de complicação renal, aos 57 anos de idade. Revelado pelo Guarani nos anos 70, no ápice da carreira ele integrou a seleção brasileira juvenil no Torneio de Cannes, na França, e disputou a Olimpíada de Munique em 1972.

No mesmo ano o então treinador Zagallo o convocou à Seleção Brasileira principal à Copa da Independência disputada no país, ocasião em que se quebrou uma escrita: pela primeira vez um jogador do interior do Brasil foi chamado para o selecionado, sem que o Guarani reajustasse o salário dele, que continuou nos padrões do clube.

À época, tímido, apenas sorria quando a mídia o projetava como sucessor de Pelé, fascinada pela gingada fantástica e por balançar o tronco magrelo de um lado e sair com a bola no sentido oposto. A matada no peito era elegante e objetiva, para sequência da jogada. Embora pegasse bem na bola, privilegiava arremates em distância quase nunca superior ao limite da grande área adversária.

CABECEIO

Ele preferia assistências ao companheiro de ataque a finalizações, ignorando a importância de se pontuar entre os artilheiros. Claro que tinha deficiências, uma delas o mísero aproveitamento no cabeceio. Também não se habilitava às cobranças de faltas e pênaltis.

Em 1974 o Corinthians o contratou por empréstimo. Na discussão de contrato, o saudoso presidente Vicente Matheus o recebeu em sua casa, mas aplicou-lhe 'chá de banco'. Washington teve de esperá-lo após sessões de sauna e massagem para recepcioná-lo, e, orientado pelo supervisor do Guarani Dorival Geraldo dos Santos, até que assinou contrato razoável. Já em campo, com a camisa do Timão, jamais justificou o investimento e foi devolvido.

ENGANADO

Quando da transferência, passou procuração a uma imobiliária de Campinas para que administrasse o seu apartamento em um conjunto habitacional na periferia, e acabou ludibriado. Ao voltar à cidade, anos depois, em busca dos valores dos aluguéis acumulado durante o período, constatou que nada havia sido repassado, e nem por isso denunciou os culpados à polícia.

Ele ainda jogou no Vitória (BA), Goiás, Inter (RS), Ferroviária (SP), Noroeste, Rio Branco (MG) e Marcílio Dias (SC). Já no ostracismo, foi coordenador de futebol da Associação Luso-Brasileira de Bauru.

  • João da Teixeira
    19/02/2020 19:45

    Tem jogador cuja humildade estraga o seu futuro e o Washington foi um desses jogadores, que por ser tímido demais, acabou deixando seu crescimento dentro do futebol. Deve ter sofrido muito "bullying" e sem condição de orgulho próprio para poder se defender, aceitava tudo com passividade e humildade. Acabou caindo nessa armadilha e em outra criada pela mídia como o mais novo Pelé. Podia ter posto o "escafandro" e se pedido, mas não, essa previsão futurística o detonou de vez.

  • fabio
    19/02/2020 12:24

    jogou muita bola no verdão da serra, jogador muito técnico que formava um grande meio campo ao lado de Carlos Alberto Santos , Luvanor e Nei no ano de 1983

  • Milton Fernandes Alves
    19/02/2020 09:24

    Em maio de 2003 eu como responsável pela organização doe vnto que comemorava os 50 anos do Brinco de Ouro divulguei dentro do possível na mídia de todo o Brasil que a festa era de atletas que pelo Brinco desfilaram virtudes. Para minha surpresa toca o telefone do Estádio e era Washington que do alto de sua humildade perguntava se poderia comparecer e ainda se poderia trazer a tiracolo o veterano Zeola de Bauru, seu amigo. Evidente que sim. Vieram como todos os presentes por suas contas!!!

09
FEB
Tuta, um ponteiro que duelou com o irmão Zé Maria

No passado, eram comuns histórias de sucesso de irmãos no futebol, quer atuando na mesma equipe, quer como adversários. Incomum foi um ponteiro-esquerdo tendo que enfrentar um irmão lateral-direito, como seu marcador. Essa história dos Rodrigues é contada por quem viu em campo o duelo de João Margarido, o Tuta, atacante nos tempos de Ponte Preta na década de 70, contra Zé Maria, lateral do Corinthians.


SUPER ZÉ

E o 'super Zé' não amaciava pra evitar lesão do irmão. A marcação em nada diferenciava daquelas postas em prática contra outros ponteiros. Por isso, no encontro do churrasco noturno de confraternização pós duelo, Tuta, tornozelos inchados, mostrava as marcas de botinadas.

A rigor, quem direcionou inicialmente a carreira de Tuta foi Zé Maria, que em 1967, vinculado à Portuguesa, o levou ao juvenil do clube, e igualmente o transportou ao Corinthians quando pra lá se mudou dois anos depois. Ambos se separaram quando Tuta chegou à Ponte Preta no final de 1970, caracterizado como ponta-de-lança que atuava pela meia esquerda.

CILINHO VIU LONGE
Foi quando o saudoso treinador Cilinho dimensionou que a velocidade de Tuta poderia ser mais bem aproveitada como ponteiro-esquerdo, com projeção de chegar ao fundo de campo para cruzamentos. Logo, foi preparado como substituto de Adílson Preguinho, transferido ao Fluminense.

A princípio o veloz Tuta se embaraçava nos cruzamentos e a torcida se irritava. Aí o paciencioso Cilinho ensinou-lhe a inclinação adequada de corpo para bater na bola e a curva para alcançar o centroavante de frente, visando o cabeceio.

Assim Tuta brilhou como assessor de goleadores, e não convertendo gols. Isso seguiu até 1979 quando lesões no joelho, com cirurgias de meniscos e ligamentos, tiraram-lhe a mobilidade. Houve insistência de prosseguimento na carreira, terminada dois anos depois no Independente de Limeira e Anapolina (GO).

COMANDO DOS JUNIORES
No final de 1982 o desafio de Tuta foi comandar o time de juniores da Ponte, marcado já na temporada seguinte pela conquista do título estadual e revelação de jogadores como os atacantes Valmir, Vagner e Sinval, além dos meio-campistas Régis e Mário Luís,

Ainda na Ponte, Tuta foi auxiliar do ex-treinador Carbone, e posteriormente supervisor ainda no clube, ambas funções entre os profissionais. O desligamento deu-se em janeiro de 1996. Agora, aos 69 anos de idade, curte aposentadoria.

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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