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09
AGO
Alfredo Perandine, meia-esquerda do Guarani no biênio 1973/74

O futebol tem os seus caprichos que não passam por explicações. No mínimo três goleiros falharam barbaramente em dérbis, mas apenas um deles ficou terrivelmente marcado: Birigui, do Guarani de 1981, no histórico confronto entre os rivais, no Estádio Moisés Lucarelli, na vitória pontepretana por 3 a 2.

Na ocasião o lateral-direito Chiquinho recuou mal a bola, e para evitar o escanteio Birigui se esticou todo e espalmou-a ao campo de jogo. Disso se aproveitou o atacante Serginho, da Ponte Preta, para explorar o erro e marcar gol para a sua equipe.

Aí esquecem que em 1984 Sérgio Guedes, então goleiro da Ponte, sofreu frangaço em falta cobrada pelo então meia Neto, do meio da rua, com a bola passando entre as suas pernas.

WALDIR PERES

Muito menos a tremenda falha do saudoso goleiro Waldir Peres, quando defendia a Ponte Preta em dérbi de 1973, no Estádio Moisés Lucarelli, em vitória bugrina por 2 a 0, num 13 de maio.

O Guarani vencia com gol de Mingo, e a Ponte buscava o empate. Aí Alfredo Perandine Júnior - conhecido apenas pelo prenome - finalizou de longa distância, em bola plenamente defensável, mas Waldir calculou que ela encobriria o travessão. E quando tentou espalmar, ela entrou entre as suas mãos e o travessão: Guarani 2 a 0.

Só pra recordar, eis o time bugrino da época, comandado pelo saudoso treinador Zé Duarte: Tobias, Wilson Campos, Amaral, Alberto e Bezerra; Flamarion e Alfredo; Jáder, Washington, Clayton e Mingo.

Quem é esse Alfredo em questão?

A exemplo da maioria dos jogadores em passagem pelos clubes de Campinas, voltou a fixar residência da cidade, e isso ocorreu após o encerramento da carreira no União São João de Araras em 1977.

RIBEIRÃO PRETO

Por ser natural de Ribeirão Preto, foi no Botafogo que ele se projetou de 1968 a 1972, quando mostrava a real característica do meia-esquerda do passado, de privilegiada visão de jogo para lançamentos, toques refinados com a canhota, e pegava bem na bola em finalizações de fora da área. Apesar disso, era lento.

Ainda no Guarani ele perdeu a posição para o saudoso Alexandre Bueno, morto em maio do ano passado, em decorrência de problemas hepáticos.

Do Guarani, Alfredo foi transferido para o Santa Cruz, e em 1976 voltou a jogar no Botafogo, até que o Coritiba manifestou interesse em levá-lo na temporada seguinte. O encerramento da carreira ocorreu no União São João de Araras.

  • João da Teixeira
    10/08/2020 17:22

    Alfredo foi um excelente meia, que compensava sua morosidade em armar as jogadas com a habilidade que tinha de colocar a bola onde queria. O Gfc estava mordido nesse jogo, pois tinha dado adeus ao Torneio Laudo Natel 3 meses antes desse jogo, ao perder da Ponte de 1x0, gol de Mosca. Nesse jogo, Mosca só não fez chover, deu uma caneta, não me lembro agora se foi no Alfredo ou Ednaldo, que o fez cair sentado no meio do campo. Como disse, a vitória tirou o bugre do torneio.

28
JUL
Três anos sem o goleiro Waldir Peres

O último 23 de julho marcou o terceiro ano da morte do ex-goleiro Waldir Peres, que saiu de cidade de Garça (SP) em 1970, para se alicerçar na Ponte Preta. Ao se transferir ao São Paulo, cravou o nome entre os principais jogadores da posição. Reflexo disso foi se consolidar na Seleção Brasileira, com histórico de três Copas do Mundo.

O início da carreira de Waldir Peres só deixou de ser no Guarani devido à morosidade dos dirigentes à época para definição do negócio.

Disso se aproveitou a Ponte Preta pra atravessá-lo, após o então auxiliar-técnico Ilzo Neri avalizar a contratação.

Waldir Peres ficou um ano como reserva de luxo na Ponte, devido à regularidade do titular Wilson Quiqueto.

E só foi possível vaga na equipe com a transferência do titular para o Santos, ocasião em que mostrou elasticidade e reflexo para prática de defesas difíceis. Um dos raros defeitos era na saída da meta, corrigido parcialmente na sequência.

SÃO PAULO

Quando da transferência ao São Paulo em 1973, Waldir Peres ainda deixava os longos cabelos caírem sobre testa e pescoço.

Foi quando esperou três meses para barrar o titular Sérgio e construir carreira de onze anos no clube, participando do título do Paulistão de 75 e Campeonato Brasileiro de 1977, em decisão contra o Atlético (MG).

Aquela definição só ocorreu em cobranças de pênaltis, com Waldir iluminado, num time que tinha, ainda, Getúlio, Tecão, Bezerra e Antenor; Chicão, Teodoro e Dario Pereyra; Zé Sérgio, Mirandinha e Viana.

Como atleta são-paulino, ele chegou à Copa de 1974 na Alemanha como terceiro goleiro, após corte de Wendell do Botafogo (RJ), contundido. Portanto, atrás de Émerson Leão (Palmeiras) e Renato (Flamengo).

Em 1978, no Mundial da Argentina, foi reserva imediato de Leão. Em 1982, na Espanha, titular.

GUARANI

Dois anos depois ele caiu em desgraça no São Paulo, e acabou topando transferência ao América (RJ). Foi o período em que recuperou a confiança, despertou interesse do Guarani, e a transação foi consumada.

Nesta segunda passagem por Campinas, ficou marcado positivamente no jogo Flamengo e Guarani de 1985, no Estádio do Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro, quando defendeu três pênaltis, na vitória bugrina por 2 a 1.

A carreira de 19 anos foi marcada por 650 jogos, com passagens ainda por Corinthians e Portuguesa, ocasião em que se julgava habilitado a desempenhar funções de treinador, sem contudo obter sucesso.

  • Carlos Agostinis
    28/07/2020 18:58

    Daí eu pergunto, como pode um goleiro que foi a 3 copas ser culpado pela eliminação em 82. Tudo conversa fiada, ninguém fala que o Carlos foi culpado pela eliminação em 86 quando falhou no gol da França, também foi a 3 copas, duas como reserva. Pra mim em 82 a culpa foi do Telê, escalou Chulapa quando devia ter escalado Paulo Isidoro pra ajudar o coca cola de 3 litros do Júnior, este depois da metade do campo acabava o gas.

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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