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25
JUN
Hélio Maffia, que baita preparador físico!

O ex-preparador físico Hélio Maffia, que neste 21 de junho completou 85 anos de idade, tem uma particularidade: nasceu em Jundiaí e lá continuou residindo ao longo da carreira no futebol, mesmo quando trabalhava em clubes da capital paulista - Palmeiras e Corinthians - e em Campinas, no Guarani.

O aposentado Maffia trabalhou no futebol nos tempos em que dirigentes de clubes contratavam treinador sem mexer no preparador físico que já integrava a comissão técnica, diferentemente de hoje quando se exige profissional de estrita confiança do treinador.

Logo, no passado era comum preparador físico permanecer por longo período no clube que trabalhava, e isso foi o caso de Maffia, que no Guarani trabalhou com vários treinadores, entre eles o saudoso Carlos Alberto Silva, quando ambos conquistaram o título brasileiro de 1978.

INDEPENDÊNCIA

Maffia foi um profissional com inteira independência para agendar os dias de treinos físicos. Também aplicava exercícios sem o uso de cordas e já desconsiderava a obsoleta programação de atleta correr sobre degraus de arquibancadas.

Após habituais folgas dos atletas às segundas-feiras, aproveitava semanas longas de trabalho com treinos puxados terças e quartas-feiras, para posterior redução de intensidade.

Foi um período em que atletas acima do peso eram submetidos a sequências de abdominais que pareciam intermináveis. Quando necessário, não dispensava boa conversa ao pé do ouvido.

FISCALIZADOR

A rigor, o trabalho dele transcendia a função específica. Fiscalizava pontualidade de atletas em horários pré-determinados para treinos, viagens, café da manhã e refeições em hotéis, assim como exigia que vestissem roupas adequadas em concentrações.

Nos anos 70, ao flagrar o então lateral-esquerdo bugrino Miranda se apresentando à concentração com bermuda vermelha, imediatamente pediu que colocasse uma calça.

Nos tempos que sequer cogitavam nutricionistas em clubes, Maffia coordenava cardápios de refeições e exigia que cozinheiras os seguissem à risca, com integral apoio de líderes dos jogadores como o zagueiro Gomes e saudoso goleiro Neneca.

TREINADOR

Na passagem pelo Corinthians, Maffia chegou a ser treinador interino por aproximadamente seis meses, entre 1984-85, sempre deixando claro que não tinha intenção de prosseguir na função.

Com o peso da idade, goza de merecida aposentadoria. Nem por isso se distanciou totalmente do esporte. Participa ativamente de entidades ligadas ao meio em Jundiaí.

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17
JUN
Irritado com suspeitas, Moisés Lucarelli desapareceu do campo da Ponte Preta

A maioria de torcedores pontepretanos da nova geração desconhece a história de Moisés Lucarelli, torcedor que merecidamente foi homenageado dando nome ao estádio da Ponte Preta.

No quinto volume da história do clube, escrito pelo saudoso conselheiro nato Sérgio Rossi, foi transcrito - nas páginas 48 e 49 - publicação do finado jornal Diário do Povo, edição de 26 de março de 1978, sobre a morte de Moisés Lucarelli dois dias antes em Campinas, aos 81 anos de idade.

‘Natural de Limeira, Moisés Lucarelli mostrava-se dinâmico e acima de tudo apaixonado pelo clube, ao aceitar o desafio de erguer o estádio, e conseguiu, depois de muitas dificuldades, com irrisórias contribuições da venda de título de sócio’.

No texto, relato sobre dificuldades para que as obras fossem aceleradas, mas registro pela persistência de Moisés Lucarelli em fiscalizar operários.

‘Desrespeitando recomendações médicas, ele chegava a permanecer por cerca de dez horas por dia sob o sol, o que eliminou em pouco tempo cerca de 40% de sua capacidade visual, através de úlcera nas córneas’.

Irmante Lucarelli, irmão de Moisés, comerciante e três vezes presidente do clube, lembrou, à época, que tudo era mais difícil. “Vivíamos pedindo favores, pois ninguém acreditava no futebol. A gente vê esse time disputando campeonato nacional, renovando contratos milionários; é de ter inveja de tudo. Precisávamos até mesmo cuidar dos atletas como se fossem nossos filhos’.

DINHEIRO DA OBRA

Apesar do desdobramento de Moisés Lucarelli para que o estádio fosse construído, alguns conselheiros levantaram dúvidas sobre o dinheiro aplicado na obra, o que lhe irritou bastante.

Para não pairar dúvidas, ele providenciou minucioso relatório de prestação de contas, mas, indignado, nunca mais apareceu no estádio, inaugurado no dia 12 de setembro de 1948.

No final do Campeonato Paulista de 1977, na decisão com o Corinthians, Moisés Lucarelli recolheu-se em um apartamento no Guarujá para não ouvir ninguém falar do assunto.

  • João da Teixeira 1
    19/06/2017 12:28

    O cara construir um estádio sem dinheiro e os caras acharem que havia subtração do dinheiro arrecadado. O cidadão Moisés fazendo mágica e havia gente desconfiando de corrupção, numa época em que os negócios eram feitos no "fio do bigode". Pois é, Moisés foi um daqueles Homens, com H maiúsculos, que deram muito para o patrimônio pontepretano. Guardando-se as proporções necessárias, a frase de Winston Churchill caberia muito bem, "Nunca tantos deverão tanto a tão pouco". Para...

  • João da Teixeira 2
    19/06/2017 12:27

    Para quem não sabe, essa frase dita pelo1º Ministro Inglês Churchill, "Nunca tantos deverão tanto a tão poucos", foi durante a Batalha da Grã Bretanha na qual a Luftwaffe de Goering, tentaria aniquilar a RAF em 4 dias, para permitir o início da Operação Leão Marinho, que invadiria a Inglaterra, mas a batalha durou 3 meses, terminando com a retirada dos aviões alemães do cenário. O milagre foi porque a superioridade alemã era de 2:1 em relação ao efetivo da RAF (tão poucos)

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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