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21
SET
Nove anos sem o emblemático Pitico, da Ponte Preta

Este 24 de setembro marca o nono ano da morte do volante Pitico, um dos mais emblemáticos jogadores que atuaram pela Ponte Preta décadas passadas.

Agenor Epiphânio, nascido em 2 de agosto de 1926, em Campinas, faleceu aos 84 anos de idade, vítima de problemas pulmonares.

Ele entrou para a história do clube por três motivos: foi raçudo, consta ser o terceiro jogador que mais vestiu esta camisa branca e preta com 537 partidas - superado apenas por Dicá e Bruninho -, e foi vítima de uma lenda de que a sua mãe teria feito feitiço para que a Ponte passasse quase dez anos na divisão de acesso do futebol paulista.

A história de Pitico na Ponte Preta começou em 1946, no time de aspirantes formado por Picini; Pindorama e Nico; Baé, Pitico e Aleixo; Batibugli, Milton, Lima, Jarbas e Walter.

CONSTRUÇÃO DO ESTÁDIO

Foi o período em que ele viu o início da construção do Estádio Moisés Lucarelli, doação de 50 mil cruzeiros feita pelo governo federal às obras, e o dérbi que ganhou contorno internacional, válido pelo Campeonato Campineiro, no Estádio do Pastinho, na Rua Barão Geraldo de Rezende, bairro Guanabara.

Foi o dérbi em que a Ponte abandonou o gramado por inconformismo com a arbitragem de Aldo Bernardi, quando o Guarani goleava por 3 a 0, e a consequência foi pancadaria entre torcedores rivais.

A suspeita de que o árbitro estaria na 'gaveta' resultou em plano para raptá-lo, a começar pela descoberta do endereço dele em São Paulo.

SUBORNO

Foi quando cinco pontepretanos chegaram na casa dele identificando-se como moradores de Itapira, propuseram suborná-lo para fabricar resultado de um jogo, e como o árbitro concordou em alongar a conversa, entrou no carro em que estavam os pontepretanos, jamais supondo que seria levado a Campinas, e ter caído na cilada para que confessasse o suborno no dérbi.

Na brecha para telefonar a familiares e justificar a demora, o juizão 'dedurou' os pontepretanos, polícia entrou no circuito, mas diante do delegado o juiz negou a versão inicial.

Até abril de 1947 Pitico continuou nos aspirantes, só estreando na equipe principal no dia 12 daquele mês, na vitória por 2 a 0 em amistoso com o Fortaleza, em Campinas.

Pitico jogou na Ponte Preta até 1960, com retrospecto de 28 gols, entre as décadas de 50 e 60.

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14
SET
Fifi, o ídolo dos tempos do óleo elétrico

Na quente tarde da quarta-feira de cinco de março de 1967, a A.A. Votuporanguense cumpriria apenas um amistoso preparatório para o Campeonato Paulista de Acesso contra a Ponte Preta, no Estádio Moisés Lucarelli.

Na prática dois aspectos sobressaltaram: condescendência do então árbitro Albino Zanferrari ao tolerar nove minutos de injustificáveis acréscimos, justamente no período em a Ponte chegou ao gol de empate: 1 a 1.

A Votuporanguense dificultou demais aquela partida porque o seu camisa dez, o Fifi, desfilava seu repertório de dribles e criava tormento pra defesa pontepretana.

Na ocasião, sem obrigatoriedade das caneleiras, Fifi entrava em campo de meias arriadas, e assim dava mais visibilidade às pernas massageadas com óleo elétrico, que provocava brilho intenso com incidência do sol.

O tal óleo, que provocava cheiro forte, do tipo eucalipto, ajudava no aquecimento, para se evitar lesões musculares. Por isso foi usado com frequência nas décadas 50 e 60.

DRIBLES

Pois a característica principal desse Fifi era o drible. E abusava do individualismo desde os tempos de juvenil do Guarani, quando convocado pelo selecionado olímpico brasileiro para participar de torneio na Colômbia.

À época, jogador juvenil basicamente se apresentava em seu clube de origem em dias de jogos, e quando isso não ocorria Fifi trabalhava como entregador de carne, através de sua bicicleta.

Fominha por bola, ele arrumava um jeitinho de também atuar no primeiro tempo de jogos do extinto time varzeano E.C. Gazeta de Campinas, aos domingos pela manhã.

Na ocasião, encostava a 'magrela' na porta do vestiário, com as devidas encomendas no bagageiro, e as vigiava à distância, jamais contando que o amigo alheio levasse todo filé.

PRIMEIRO DÉRBI

O primeiro dérbi campineiro dele como atleta profissional do Guarani foi em 1957, pela Taça Amizade, no empate por 1 a 1, no Estádio Moisés Lucarelli, num time bugrino formado por Nicanor; Waldir e Sávio; Dalmo, Joe e Benê II; Friaça, Fifi, Villalobos, Benê I e Jansen. E no clube ficou até 1960, com histórico de 84 gols.

Francisco Santana, o Fifi, que completou 79 anos de idade, passou pelo XV de Piracicaba, Fluminense e Votuporanguense, de onde ainda é considerado o melhor jogador de todos os tempos. Ao encerrar a carreira de atleta, ele ficou radicado na cidade e até morou em alojamento do Estádio Plínio Moraes até 2010.

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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