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16
SET
Eraldo, história de ídolo que ficou desamparado

Se hoje boleiro ‘meia boca’ desfila pelas ruas de Campinas com carrões e a situação financeira está bem encaminhada, ídolos do passado morrem às mínguas. É o caso do quarto-zagueiro Eraldo da década de 60 do Guarani, falecido neste 15 de setembro.

Nos últimos meses Eraldo era visto quase que diariamente no Café Regina, ou esquina das ruas Barão de Jaguara e Bernardino de Campos, às vezes isolado com a sua bengala.

Supostos amigos até fugiam dele temendo que fosse ‘serrar’ cafezinho, visto que a situação financeira ficou arruinada há tempos, apesar de bugrinos e desportistas em geral terem se cotizado para levantar recursos.

Eraldo sempre elogiado por marcar bem ao Rei Pelé
Eraldo sempre elogiado por marcar bem ao Rei Pelé

Enfim, esse foi o destino reservado ao determinado zagueiro Eraldo, reconhecido por Pelé como um de seus principais marcadores de toda história no futebol.

ANTECIPAÇÃO

Eraldo tinha o tempo exato para antecipação da jogada. Assim, na maioria das vezes evitava o embate direto com o adversário.

E quando não chegava à frente na jogada, só era driblado por atacantes talentosos. Boleiro que esticava a bola para ganhar na corrida era desarmado. Eraldo sabia fazer uso da caixa torácica avantajada para levar vantagem na disputa.

Apesar da estatura mediana, a boa impulsão permitiu que se garantisse em jogadas pelo alto.

Na época não havia exigência de zagueiros altos, mas tinham que compensar com catimba. Deslocavam no ar o atacante adversário com leve toque, sem a percepção do árbitro.

JUNTO COM DIMAS

Alagoano, Eraldo jogou com o saudoso goleiro Dimas Monteiro no Taquaritinga, e ambos foram contratados pelo Guarani em 1959.

A carreira do zagueiro foi irrepreensível até 1965, mas entrou em declínio na temporada seguinte, sem que se firmasse como titular com os treinadores Alfredo Gonzáles e Godê, que optaram pelo contratado Tarciso, do Palmeiras.

Ora a dupla de zaga era formada por Cidinho e Tarciso, ora por Dalmo e Cidinho, quando deslocavam Tarciso à função de volante.

INDISCIPLINA

Pior ainda para Eraldo quando Ady Zakia assumiu o comando técnico do Guarani, pois acabou afastado do elenco por problemas indisciplinares.

Na saída de Zakia, foi Dorival Geraldo dos Santos quem o substituiu interinamente, após ter encerrado a carreira de atleta.

Aí, nova chance foi dada para Eraldo. Todavia, sem treinar com o grupo e fora de forma, teve atuações irregulares nas duas partidas que fez dupla de zaga com o saudoso zagueiro central Paulo Davoli.

Ali foi praticamente o final de carreira de Eraldo no Guarani, que migrou à função de treinador em clubes de menor expressão, sem que fosse bem-sucedido.

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09
SET
Auge da carreira de Alan foi na Ponte Preta

Nos tempos em que a medicina esportiva era precária, lesões plenamente reversíveis inutilizavam atletas do futebol.

Isso aconteceu com o então ponteiro-direito Alan Jackson Martins em 1971, após apenas quatro meses de Vasco da Gama. O choque com o ponteiro-esquerdo Piau, da Portuguesa, foi fatal para o joelho dele. Encurtou-lhe a carreira aos 24 anos de idade.

Na prática, a camisa sete da Ponte Preta foi preponderante para que o Vasco o contratasse, após pouco mais de três anos no futebol campineiro.

ESTREIA NA PONTE

E não se pode dizer que o São Paulo bobeou ao liberá-lo à Ponte Preta em 1967. À época ele era jogador razoável às exigências de um grande clube, e isso ficou ratificado ao estrear no time pontepretano dia 18 de agosto, no empate sem gol com o São Carlos, em Campinas. A equipe era formada por Wilson Quiqueto; Nelsinho Baptista, Samuel, Geraldo Spana e Santos; Sérgio Moraes e Nenê; Alan, Dicá, Manfrini e Adilson Preguinho.

Paradoxalmente, a base daquele time foi mantida no acesso à divisão principal paulista em 1969. Araújo entrou na quarta-zaga. Teodoro e Roberto Pinto formaram a dupla de meio de campo, e Djair o centroavante, mas com Manfrini entrando sempre em qualquer posição do ataque no segundo tempo.

CARAVANAS

À época, torcedores pontepretanos participavam de caravanas ‘monstruosas’ ao Estádio Palestra Itália, do Palmeiras, para acompanhar jogos de seu clube no quadrangular decisivo.

Foram vitórias sobre Linense (3 a 1) e Noroeste (3 a 0); derrota para a Francana por 3 a 1, no dia 31 de outubro.

Em 1968, por exemplo, a Ponte apostou em medalhões e trouxe o ponteiro-direito Nicanor de Carvalho, implicando em reserva para Alan.

O empréstimo de três meses ao São Bento, no ano seguinte, abriu espaço para a chegada de Joãozinho Guedes, do Guarani. Todavia, no retorno, Alan reassumiu a posição.

AUGE NA CARREIRA

E foi naquela divisão de acesso que o futebol de driblador, com característica de fechar em diagonal, colocou Alan no auge da carreira.

Além de colocar companheiros na ‘cara’ do gol, também sabia completar jogadas.

Em novembro ele vai completar 72 anos de idade e está radicado em Osasco-SP, onde nasceu.

  • João da Teixeira
    10/09/2018 18:22

    Alan Jackson Martins era um dos poucos jogadores mais experientes do time titular da Ponte de 1969, entre eles, Santos, Alan, Roberto Pinto e Djair, o restante era a molecada que subia da base. Quem lê pensa que o nome do Alan foi uma homenagem do seu pai ao cantor country americano, mas não, Alan nasceu primeiro, portanto, se alguém copiou, não foi ele. Encerrou a carreira muito precocemente, com 24 anos, devido uma entrada dura do jogador Piau da Lusa em seu joelho. Pena!

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Jornalista esportivo há 40 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.

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